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domingo, 20 de março de 2011

Pousada dos Gravatás, Buzios
De Buzios a Benghazi



Estou em Buzios com a Ceci, para o fim de semana; estou de ferias da usina de Fukushima, dos protestos em Bahrain, Yemen e Siria, e da guerra civil Líbia. Mas mesmo daqui da beira-praia, a realidade insiste em continuar acontecendo.

No Japão, após uma série concatenada de falhas e explosões, as coisas parecem estar se acalmando na usina nuclear de Fukushima. Todos os reatores estão sendo resfriados de uma forma ou de outra, e aos poucos vão sendo ligados à rede elétrica. A situação das barras de combustível "gastas" é mais séria. Como em boa parte dos reatores no mundo (incluindo Angra I e II), tais barras eram armazenadas nos próprio prédios dos reatores, cobertas de, e resfriadas por, agua circulante em grandes piscinas*. Sem energia elétrica, a agua não circula, e é aquecida pelos resíduos de fissão mais ativos. Após algumas semanas, a agua evaporaria, e as barras ficariam expostas ao ar. A combinação de oxigênio e barras superaquecidas poderia então produzir um incendio, que espalharia fumaça contendo Césio-137, Estrôncio-90 e Plutônio-239 por onde o vento a carregasse.


É um cenário potencialmente catastrófico. Felizmente, haveria ainda bastante tempo para agir antes que as barras ficassem descobertas. A não ser, obviamente, se as piscinas fossem danificadas de alguma forma. Por um terremoto, por exemplo.

A maior parte da atividade frenética nos últimos dias em Fukushima consistiu de tentativas de colocar mais água nas piscinas dos reatores #3 e #4. Por helicóptero, por mangueiras de alta pressão ou por qualquer outro meio a ser inventado pela criatividade nipônica. Ao que parece, o pior foi evitado. Quando a energia elétrica for restaurada nos reatores, poderemos repetir esta última frase com mais convicção.

Na Líbia, a guerra civil grassou a semana inteira, com as tropas leais ao Gadhafi indo zenga zenga atrás dos rebeldes. Várias cidades controladas pelos rebeldes foram caindo em rápida sucessão. Com tanques a menos de 200km de Benghazi (capital rebelde), e com Misrata cercada, a nova revolução Líbia parecia natimorta. Porém, após uma enérgica e belicosa ação diplomática francesa (!), um apelo por uma zona de exclusão aérea por parte da liga árabe (!!) e um rápido e decisivo debate no conselho de segurança (!!!), uma resolução foi aprovada (permitindo o uso de todos os meios para proteger civis) que na prática colocou uma coalizão de paises ocidentais e árabes (!x4) em guerra com as forças Gadháficas. Ataques aéreos limitados já ocorreram, e é ainda mais difícil que o usual tentar adivinhar aonde isto vai parar. Então não vou nem tentar, porque quero aproveitar a praia em Búzios, não em Tripoli.

Finalmente, inspirados pelas revoluções e protestos que sacodem o mundo árabe, e iterando a sequência já reprisada alhures de protestos - repressão - criação de martires, grandes distúrbios estão ocorrendo na cidade de Daraa, ns Síria**, que está aparentemente cercada por tanques leais ao governo. Como a Síria tem um dos regimes mais fechados e de sinistra reputação da região (um feito impressionante), o potencial para uma segunda Líbia é alto. Esta é uma notícia relativamente nova, então não tecerei maiores comentários, até pelo menos eu estar de volta ao Rio de Janeiro. Um bom lugar para acompanhar a situação, porém, é no blog com o nome talvez inevitável de 'The Road to Damascus'.



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* Tais piscinas costumam ser o ponto alto de qualquer visita a uma instalação nuclear. As párticulas subatômicas irradiadas, ao se moverem mais rápidamente que a velocidade da luz no meio (agua), geram o equivalente eletromagnético da onda cônica de choque produzida por aviões supersônicos: a chamada radiação Cherenkov, que vemos como um brilho azul fantasmagórico bastante memorável.

** Note que, juntamente com a Argelia, a Síria votou contra a resolução da liga árabe pedindo uma zona de exclusão aérea. Devido a sua história de família, o presidente Assad obviamente não fica muito confortável com o precendente assim aberto.


As ondas da mudança se aproximam do Oriente médio...

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sexta-feira, 23 de novembro de 2007

Casa, Rio de Janeiro
Dia da independência

Hoje, muito ironicamente, é o dia da independencia do Líbano. É irônico porque o país nunca conseguiu escapar da sina de ser joguete e campo de batalha por procuração de seus vizinhos e quase-vizinhos. Hoje ele se encontra em uma encruzilhada, que pode leva-lo de volta ao, ou livrá-lo de vez do, sufocante abraço da Siria.

O bicho está pegando por lá. Essencialmente, os dois lados em que o pais se dividiu, conhecidos como 14 de Março (apoiados pelos EUA, França e Arabia Saudita) e 8 de Março (apoiado pelo Irã e pela Siria) não se entendem sobre a eleição do presidente do pais. O atual, Emille Lahoud, é um pau mandado sírio, e foi a extensão do seu mandato passando por cima da constituição local, que levou o ex-premiê Hafik Hariri a romper com Damasco. Os sirios controlavam o pais então, e não gostaram muito da ideia. Rafik Hariri foi vaporizado em uma enorme explosão no centro de Beirute poucos meses depois. Credito extra para quem adivinhar por quem.

O atentado galvanizou o pais. Uma mobilização popular sem precendentes (com alguma ajuda dos amigos*) pegou os sírios de surpresa, e os forçou a retirar suas tropas de ocupação. Desde então, para encurtar (e simplificar quase ao ponto de fábula) a história, o pais se dividiu entre anti-sirios e pró-sirios. Esta divisão, e todas as ramificações bizantinas dela decorrentes, é a mola mestra da historia recente do Líbano. A guerra do Hizbollah contra Israel, por exemplo, faz muito mais sentido neste contexto do que puramente no contexto do conflito arabe-israelense (c.f. meus posts anteriores sobre o assunto).

Algum dia Amanhã eu termino este post.
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* Em particular os americanos, cuja presença no vizinho Iraque, armados até os dentes e liderados por um presidente com fama de psicopata, provavelmente fez os baathistas em Damasco meditarem sobre o destino dos baathistas em Bagdá. Os sauditas, principais aliados dos Hariris, também não ficaram muito felizes, e ninguem gosta de irritar os sauditas.

PS: Caralho! Mataram a Benazir Bhutto!

RAWALPINDI, Pakistan (CNN) -- Former Pakistan Prime Minister Benazir Bhutto was assassinated Thursday outside a large gathering of her supporters where a suicide bomber also killed at least 14 of her supporters, doctors and a spokesman for her party said.

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sábado, 6 de janeiro de 2007

Casa, Rio de Janeiro
A nova guerra fria

A expressão 'crise no Oriente Médio' parece quase um pleonasmo, mas é na verdade inexata na maior parte das vezes em que é empregada. Uma região de grande importância estratégica e significado histórico, encruzilhada de religiões, civilizações e etnias, o Oriente Médio está em conflito semi-permanente desde (escolha a data) a) 1917; b) 1947 ou c) 3000 A.C. E alguns dos seus conflitos se incluem entre os mais badalados, renitentes e fascinantes da história recente.

Mas uma crise é um desvio agudo da normalidade, com o potencial de uma ruptura permanente. Sob certas circunstancias, a violência (efetiva ou como ameaça) pode se tornar o status quo, e não necessariamente implica em uma crise.

Com o preâmbulo acima em mente, eu digo agora que o Oriente Médio está em crise. Não porque bombas explodem e ameaças são feitas, mas porque está em curso um realinhamento estratégico que pode dividir a região em dois grupos mutuamente hostis de países, encabeçados pelo Irã de uma lado, e a Arábia Saudita de outro, e porque a própria coesão nacional da maior parte destes países está ameaçada.

O Irã está em ascensão. Os seus inimigos tradicionais foram destruídos, no caso da União Soviética e de Saddam Hussein, ou fragilizados, no caso dos americanos (devido ao atoleiro no Iraque e a impopularidade dos EUA entre os Árabes). Embalado pelos altos preços do petróleo, e com sua influencia ressurgente na Asia Central, no Líbano, no Afeganistão e principalmente no Iraque (com agradecimentos ao colapso soviético pelo primeiro e aos americanos pelos dois últimos), os mulahs acreditam que a hora deles é agora para tornar o Irã a potência dominante no Oriente Médio.

Mas por baixo de toda esta força aparente, o Irã esconde suas fragilidades. A sua população é jovem, mas a rápida queda da natalidade nas últimas duas décadas vai em outras tantas torna-lo um pais de velhos. Embora seja solidamente xiita, a população iraniana consiste de uma estreia maioria dominante persa, e uma série de minorias cujo tratamento varia entre o racismo negligente (azeris), repressão violenta (baluchis) e perseguição religiosa (bahais).

Produz-se menos petróleo (a base da economia) hoje do que em 1979, e com a demanda interna crescendo rapidamente, alguns analistas estimam que o Irã poderá deixar de ser um pais exportador em alguns anos. Além disso, vinte anos de revolução islâmica deixaram o espírito revolucionário dos Iranianos um tanto embotado (principalmente nos grandes centros urbanos). A tal vitória divina do Hizbollah foi recebida com júbilo nas ruas de Cairo e Damasco, mas com indiferença em Teerã (cujos habitantes sabem muito bem quem vai pagar a conta). E embora gritar 'morte à América' e 'morte à Israel' ainda seja parte do currículo escolar, até hoje eu não encontrei nenhum iraniano que tivesse qualquer entusiasmo pela ideia.

A crescente influencia iraniana (persa e xiita!) é vista com alarme pelas ditaduras dominadas por sunitas. Muitas possuem minorias (ou, no caso de Bahrein, maioria) xiitas que são tratadas de forma tipicamente atroz, e partilham de um medo (infundado ou não, mas centenário) de dominação persa. Mas nenhum pais tem mais a perder com a ascendência iraniana que a Arábia Saudita.

O reino saudita é o melhor exemplo do que alguém denominou 'uma tribo com uma bandeira'. Após a primeira guerra mundial, um clã liderado por um certo Ibn Saud, inspirado por um tipo de puritanismo revisionista islâmico criado por um tal de Wahab, conseguiu aos poucos conquistar a maior parte da península arábica, e expulsar os Hashemitas das cidades santas de Meca e Medina. Nadando nas maiores reservas petrolíferas do mundo, e ainda hoje controlada de forma absoluta pelos milhares de príncipes descendentes do fecundo Ibn Saud, a Arábia Saudita se considera não só guardiã das cidades santas, mas da própria ortodoxia islâmica.

Infelizmente para a Arábia Saudita, assim como o Irã a sua posição é frágil por baixo de toda a riqueza ostentada. A sociedade ainda é profundamente tribal, e, mais do que frágeis, as instituições modernas são praticamente não-existentes. A maior parte do trabalho é feita por estrangeiros, da prospecção de poços ao trabalho doméstico, e os Sauditas dependem totalmente da renda (enorme!) do petróleo. A maior parte do petróleo saudita porém se situa no leste do pais, habitado por xiitas, que o Wahabismo considera (e trata) como hereges da pior espécie.

Assim, ao mesmo tempo que são impelidos para o conflito pelo que consideram seus respectivos destinos manifestos, Irã e Arábia Saudita encaram um ao outro, devido às suas próprias fraquezas internas, como uma ameaça grave.

O que porém transformou hostilidade em guerra fria, e forçou os demais países árabes a tomar partido, foi a invasão americana do Iraque. George W. Bush criou de fato um novo Oriente Médio, embora provavelmente não o que ele tinha em mente. A invasão liberou (mas não criou) tensões entre xiitas e sunitas, e é este conflito, mais do que a luta entre americanos e insurgentes, que cada vez mais vai destruindo o Iraque. Todos os países vizinhos vêem tensões semelhantes dentro de suas próprias fronteiras. Se o lado 'errado' ganhar no Iraque, alguns deles temem que seus conterrâneos que compartilham etnia ou religião com os vitoriosos também se levantem.

Os países e grupos sunitas vêem os temidos persas se tornando o poder mais influente no que era até a pouco o grande bastião sunita contra a revolução islâmica iraniana, reforçando a sua aliança com a Síria, e extendendo sua influencia no Líbano e em Gaza. Temem uma conspiração para impor a hegemonia iraniana na região. Assim, Arábia Saudita, Jordânia, os sunitas Libaneses (liderados pelo Saed Hariri, filho do ex-premiê morto pelos Sírios, aliados dos iranianos...), e o Fatah de Mahmod Abbas na Palestina, se aliam para enfrenta-los.

Todos os conflitos recentes na região são ou tem o potencial de se tornarem guerras por procuração entre os dois lados. No Líbano, Israel recebeu inicialmente o surpreendente apoio velado dos demais paises sunitas contra o Hizbollah, que no pós guerra devolve o favor e luta para derrubar o premiê sunita apoiado por Hariri e, por extensão, pelos sauditas. Os palestinos estão a beira de uma guerra civil entre o Hamas, financiado com dinheiro Iraniano e com a liderança em Damasco, e o Fatah, que recebe o apoio Jordaniano e Egipcio.

No Iraque a situação é mais complicada, devido a presença dos americanos. Temendo serem o próximo alvo de uma mudança de regime, os Sírios apoiam qualquer um que torne a vida dos americanos difícil (ou mais curta), coerente com a sua política de apoiar no exterior grupos que são reprimidos ferozmente em casa, sejam eles fundamentalistas sunitas em geral, a Irmandade Muçulmana ou separatistas curdos. Os iranianos
por outro lado claramente procuram (com considerável sucesso) criar um governo iraquiano que possam controlar ou pelo menos influenciar. Mas os Sauditas já enviaram o recado: Eles não permitirão que os sunitas iraquianos sejam marginalizados. A retirada americana é uma questão de tempo; o que virá em seguida é difícil de prever, mas algum tipo de guerra por procuração parece provável.

Além de assumir o controle no Iraque, a estratégia iraniana para se tornar a potência regional dominante parece ter duas vertentes. A primeira é o programa nuclear, que eles insistem tem fins puramente pacificos. Só digo que, se o objetivo é realmente este, o entusiasmo de Amahdinejah pela energia nuclear é contagiante, porque Egito, Arábia Saudita e um consorcio de países do Golfo (além de Marrocos) manifestaram recentemente um súbito interesse em construir reatores nucleares, para fins igualmente pacíficos. Uma bomba atômica é um seguro anti-marines aparentemente eficiente, e historicamente tem sido o símbolo de status que distingue os grandes dos pequenos na ONU.

A segunda vertente é consequência do fato de os xiitas serem uma minoria em quase todos os países da região. Os iranianos precisam portanto de algo que atraia pelo menos alguns sunitas para o seu lado, algo que por exemplo atraia um ódio tão profundo que transcenda divisões confessionais ou étnicas. Não foi preciso ir longe para achar um objeto de repulsa apropriado. A cola que mantinha unidas as várias versões do pan-arabismo, a desculpa para todos os fracassos e a suposta fonte de todos os problemas do Oriente Médio: Israel.

Todas as conferências e concursos de cartoons sobre o Holocausto e os discursos inflamandos sobre varrer Israel das páginas da história podem ser um reflexo da imbecilidade do presidente Iraniano, mas também servem a um propósito estratégico. O Irã está se posicionando como *o* centro de resistência anti-sionista, uma posição que atrai amplas simpatias no mundo árabe. Assim, o Irã e a Síria financiam e apoiam todos os grupos que continuam na luta armada contra Israel e rejeitam o princípio de trocar terra por paz, sejam eles sunitas ou xiitas. Durante a última guerra no Líbano, a tal vitória divina tornou o Nasrallah provavelmente o líder árabe mais popular atualmente, para xiitas e sunitas (exceto obviamente entre os sunitas libaneses). Ao separar as massas árabes de seus líderes (nenhum dos quais é eleito democraticamente), o Irã restringe a margem de manobra de seus adversários. No limite, esta situação pode até mesmo causar a queda de alguns dos déspotas pró-americanos dispostos a uma acomodação com Israel, para serem substituídos, suponho, por déspotas pró-iranianos dispostos a uma guerra interminável com Israel. Egito e Jordânia em particular podem sucumbir a pressão, o que inverteria totalmente o balanço de forças.

Os sunitas obviamente não estão parados. A Arábia Saudita é o único grande produtor de petróleo capaz de aumentar significativamente sua produção a médio prazo. A baixa resultante nos preços seria danosa aos sauditas, mas um calamidade para os iranianos. Veremos nas próximas reuniões da OPEP se os sauditas aceitam cortar a produção ou se vão permitir que os preços continuem baixando. Juntos com a Jordânia e o Egito, os sauditas também redobraram os esforços para conseguir algum tipo de solução pacífica para o conflito entre palestinos e israelenses. Embora louváveis (mesmo que a motivação não seja o desejo de paz na terra e harmonia entre os homens), tais iniciativas infelizmente não tem sucesso garantido. Uma aposta mais líquida e certa, por outro lado, é a crescente demonização dos 'persas' na mídia árabe, onde eles são cada vez mais alvo da paranóia xenofóbica que tradicionalmente sempre foi reservada aos judeus. É quase uma corrida para ver quem é mais odiado, se os persas ou os judeus.

Obviamente fomentar conflitos sectários não costuma ser uma política sensata, e a longo prazo as consequências tendem a ser ruins para todos os lados envolvidos, quando o ódio toma vida própria e se auto-perpetua muito além da sua utilidade momentânea. Quase todos os países da região escondem sob a superfície tensões semelhantes às do Iraque (em parte devido às fronteiras artificiais impostas por britânicos e franceses quando os estados nacionais modernos foram criados por lá, mas é difícil imaginar fronteiras que eliminassem tais tensões completamente). Sem identidades nacionais totalmente consolidadas, os povos da região se dividem em um palimpseto de identidades
étnicas, religiosas e tribais muitas vezes contraditórias, que se tornam mais importantes em tempos de instabilidade. Se pressões externas criarem um conflito entre as várias identidades sobrepostas, quase todos estes paises tem o potencial de se desintegrar violentamente.

Mas o Oriente Médio não está chegou à situação atual por ter um excesso de lideranças sensatas...

Precedentes históricos certamente existem. A guerra Irã-Iraque, a mais mortal da história recente do Oriente Médio, também foi um conflito entre xiitas e sunitas, e árabes e persas. Mas foi um conflito que permaneceu limitado aos países beligerantes. A possibilidade agora existe de uma conflagração em toda a região. Na história europeia, a Ia Guerra Mundial, e (talvez mais apropriadamente) a Guerra dos 30 Anos vem a mente.

Obviamente um conflito generalizado, embora cada vez mais provável, permanece somente uma possibilidade. Talvez a carnificina no Iraque convença os dois lados a iniciar algum tipo de détente, ou talvez um acordo de paz na Terra Santa, ou um colapso nos preços do petróleo, ou um aumento do QI da liderança americana, adie as pretensões iranianas ou acalme a paranóia sunita. Sinceramente, é difícil saber pelo que torcer, quanto mais o que esperar, mas os próximos anos no Oriente Médio certamente serão interessantes.

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sexta-feira, 24 de novembro de 2006

Casa, Rio de Janeiro
O funeral de Pierre Gemayel

Hoje em Beirute algumas centenas de milhares de pessoas (200.000 segundo o NYT, 800.000 segundo a policia) transformaram o funeral do Pierre Gemayel em um protesto contra a Síria e seus aliados locais.


A cerimônia religiosa em sí foi bastante contida, com eulogias chorosas e clamores por justiça, união nacional e meia entrada no Mineirão (posso ter ouvido mal esta última). Fora da catedral, o pau comia, e a multidão entoou uma série de criativos insultos dirigidos aos líderes da Síria, Irã e Hizbollah, mas principalmente ao Michael Aoun e ao Emille Lahoud, enquanto pisoteavam seus retratos..

Com os ânimos dos maronitas exaltados, pelo menos por hora os aliados de conveniencia da Síria estão se afastando cautelosamente de seu espinhoso patrono. Na fase final da guerra civil o Aoun foi a grande liderança anti-Síria, até ser forçado ao exílio, e a sua aliança com Damasco sempre pareceu um tanto desconfortável. Ele pediu para seus partidários irem ao funeral, mas ao contrário do Nabil Berri (lider do partido xiita Amal), não foi pessoalmente. Os dois aparentemente decidiram ficar em cima do muro para ver para onde os ventos sopram, mas Damasco tem meios bastante persuasivos de faze-los mudar de ideia, se for o caso.

O Hizbollah (que parece ter sido pego de surpresa pelo assassinato) sabiamente adiou seus próprios protestos, e se juntou ao coro dos que acusam (com graus variados de sinceridade, creio) o próprio '14 de Março' de estar por trás do assassinato. O argumento também é do tipo 'cui bono', já que o 14dM parece ter sido re-energizado pelo ato. Considerando que o governo está a 1 ou 2 ministros de ser forçado a renunciar, e que os Assad e agregados tem assassinado desafetos libaneses com deprimente regularidade desde os anos 70, esta não me parece uma hipotese muito verossímil, mas tem que leve fé.

Resumindo, o quadro agora é este: O governo quer instaurar o tribunal para julgar os assassinos do Rafik Hariri, e a Síria tenta por todos os meios obstrui-lo. O HA quer depor o primeiro ministro, e o 14dM (com apoio do EUA, da França e da Arábia Saudita) quer depor o presidente. O resultado deste conflito pode depender do lado que o Aoun e o Berri escolherem.


Mais fotos do protestos aqui, cobertura aqui e aqui.

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terça-feira, 21 de novembro de 2006

Casa, Rio de Janeiro
O assassinato de Pierre Gemayel

O ministro da indutria Libanês, Pierre Gemayel, foi assassinado hoje em Beirute. Ele foi abatido a tiros dentro do seu carro, quando voltava de uma visita a um suburbio cristão da cidade. Um de seus guarda costas também morreu, e outro ficou ferido no atentado (assim como um transeunte randômico).

Pierre Gamayel era o lider das Falanges, um grupo de direita maronita com uma história sangrenta durante a guerra civil, e que hoje integra a frente anti-Síria '14 de Março'. O seu tio, Bashir Gamayel, também foi assassinado em 1982, pouco depois de ser eleito presidente.

Para quem não tem paciencia para a minha verborragia, a solução do tipo Detetive (e.g. Cel Mostarda na Cozinha com um Candelabro) é: O assassino foi provavelmente o governo Sírio, usando armas e capangas locais, com o objetivo de forçar o governo Libanês a renunciar, já que o afastamento (por qualquer causa) de 1/3 dos ministros por lei exige a dissolução do governo. Com a renuncia de 6 ministros aliados do HA e agregados, e a morte de Gemayel, faltam só dois.

Todas as facções condenaram o atentado, e os membros do 14 de Março acusaram abertamente a Síria de estar por trás do assassinato. Damasco, obviamente, nega.

Não é uma acusação infundada. O assassinato do ex-premiê Hafik Hariri ano passado, então o principal opositor da presença Síria no pais, galvanizou a oposição à ocupação. O nome '14 de Março' se refere ao enormes protestos que ocorreram naquele dia, em resposta aos protestos organizados pelo Hizbollah no dia 8 em favor da Síria. A combinação de protestos e pressão externa forçou os Sírios a retirar suas tropas. Mas a influencia de Damasco ainda permanece, através de aliados como o HA, e de prepostos como o atual presidente, Emille Lahoud.

O ditador da Síria, Bashir al Assad, digeriu muito mal sua expulsão do Líbano. Desde a muito tempo Damasco tem pretensões territorias sobre o país vizinho, e se recusa a demarcar sua fronteira comum ou trocar embaixadas. Assim, a Síria tem tanto a motivação quanto os meios de tornar as coisas ainda mais caóticas, tanto para impedir que as investigações avancem quanto para se reafirmar como a única força capaz de garantir a estabilidade no Líbano, e assim restabelecer sua hegemonia sobre o vizinho. O reestabelecimento de relações diplomaticas com o Iraque, e as recomendações da comissão realista liderada por James Baker(que já rifou o Líbano para os Sírios em 91 em troca de apoio contra Saddam)
nos EUA , tornam o momento propício para Assad.

Atualmente, a principal disputa entre as facções pró- e anti-Síria é a respeito do tribunal misto a ser instaurado em conjunto com a ONU para julgar os assassinos de Hariri (cuja formaçao o conselho de segurança da ONU aprovou hoje). Relatórios preliminares da ONU incriminaram vários manda-chuvas sírios e seus aliados libaneses. Pouca gente duvida que o governo baathista esteja por trás deste e de outros assassinatos (inclusive do recente atentado contra um dos agente de inteligêncua libanês envolvido na investigação); a questão é saber quão contundentes serão as provas recolhidas. Da mesma maneira que sonegação fiscal foi usada contra Al Capone, a ideia do 14 de Março (e de seus aliados americanos e sauditas) é usar uma eventual condenação de líderes Sírios para extirpar definitivamente o controle que Damasco ainda exerce sobre o Líbano.

Recentemente aliados da Síria tentaram bloquear a passagem de leis que permitem o estabelecimento do tribunal (liderados pelo Amal, um outro grupo xiita importante, os parlamentares paralizaram os trabalhos no congresso, sob a desculpa de protestar contra o bloqueio israelense). Na semana passada, os ministros leais ao HA, Amal e ao Lahoud renunciaram, deixando o governo sem representação xiita. Por lei, o governo Libanês tem que ser dissolvido se um terço dos ministros renunciar (ou morrer). Com o Pierre Gemayel morto, faltam só mais dois.

Assim como aconteceu com a morte de Hariri, é provável que este último crime seja um catalizador das forças anti-Sírias. Em um pais onde lealdades ainda são principalmente sectárias, e que não tem um censo desde a década de 30, o tamanho das manifestações é uma das poucas medidas razoavelmente objetivas da intensidade da opinião pública. Generalizando, hoje os xiitas se alinham a favor da Síria, os Sunitas e os Druzos contra, e os maronitas são o fiel da balança. O '8 de março' levou 400.000 pessoas às ruas, o '14 de março' levou 1,4 milhões. Recentemente o HA fez um 'comício da vitória' ao qual compareceram 350-600.000 Libaneses. Tudo indica que o funeral de Pierre Gemayel (adiado para quinta) também atrairá multidões. Até ontem o HA prometia protestos a favor da derrubada do governo. Se isso já era considerado provocativo antes, agora é potencialmente explosivo.

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terça-feira, 14 de novembro de 2006

Casa, Rio de Janeiro
Conversando com o Hizbollah

No post abaixo, eu mencionei algumas das conversas e discussões improvaveis que tive na internet. Possivelmente o meu interlocutor mais interessante (embora nem de longe o mais amigavel) é um membro autodeclarado do Hizbollah, com quem troquei alguns comentários no blog do Michael Totten. A discussão se extendeu por vários posts, e envolveu alguns outros libaneses, além de israelenses e americanos.

A surprendente discussão acabou sendo razoavelmente bem educada, e muito informativa. O AlGhaliboon (o cara do HA) se mostrou extremamente cortês, e aberto ao debate. Em relação a assuntos espinhosos, como o direito de Israel a existir, ele é muito mais conciliatório do que a posição oficial do seu partido. E o discurso dele é (para o meu alívio) livre daquela cansativa lengalenga conspirazoide sobre sionistas isto ou sabios de Sião aquilo, tão comum na região.

Mas sempre que o assunto era o seu vizinho ao Sul, ele esbarrava no axioma segundo o qual 'a culpa é sempre dos israelenses', e na consequente absoluta falta de autocrítica que o impedia de admitir que pelo menos alguns dos atos do HA foram imorais ou contraproducentes. Era deprimente ver um cara, que em geral parece sensato e bem informado, celebrar a possibilidade de outra guerra (meses após a última 'vitória' do HA ter devastado o seu pais) como algo não só provável como também desejável.

A discussão entre ele e os israelenses do fórum também foi instrutiva. Era obvio que não havia grandes diferenças entre eles a respeito do que seria nescessário para uma paz duradoura entre os dois paises. Mas bastou os israelenses objetarem ao 'direito de retorno' dos refugiados palestinos da guerra de 1948 (e seus filhos e netos) para que o AlG voltasse a sua concha e insistisse que o conflito é a única solução, negociações são impossiveis, etc e tal. Mas também ficou claro que existe dentro e fora de Israel quem acredite que os Arabes são uma massa uniforme de maníacos genocidas, independente de qualquer evidencia do contrário.

A ansia de repatriar os palestinos que moram no Líbano tem muito pouco a ver com o suposto amor que os Libaneses sentem pelos refugiados (que são confinados em campos esquálidos e impedidos por lei de trabalhar ou construir habitações permanentes), mas sim ao medo de que eles alterem o delicado equilíbrio entre os diversos grupos etnico-religiosos que compoem o Líbano, e em particular, que atrapalhem os planos hegemonicos da antiga maioria (os cristãos maronitas) ou da nova maioria emergente (os fecundos xiitas). Acontece que a insistencia em um direito absoluto ao retorno (de volta a algo que para todos os efeitos não existe mais), ao invés de um retorno (ou ida) à uma Palestina independente juntamente com compensasão financeira, só perpetua a situação. Gerações de palestinos cresceram acreditando que um mitológico retorno iminente à vilas próximas a Haifa que não existem mais, o que é uma anátema para os israelenses, já que isso implicaria no fim de Israel, seja como a pátria judaica ou como um país democrático.

Entre os Libaneses, o tópico mais quente foi a renuncia coletiva dos ministros aliados ao Hizbollah e ao Amal (o outro grande partido xiita) do governo Libanes. A causa imediata foi a recusa por parte do movimento anti-sírio '14 de Março', que é maioria no parlamento, de dar ao HA o poder de veto sobre as decisões do governo. A outra razão não verbalizada é tentar bloquear a criação do tribunal que está sendo instalado para julgar os culpados pelo assassinato do ex-premiê Rafik Hariri. O crime é atribuido aos sirios, e a ideia é usar o tribunal para extirpar de vez o controle que Damasco ainda exerce sobre o pais, assim como Elliot Ness usou a evasão de impostos para prender Al Capone. Mas os baathistas sirios desde a muito tempo tentam transformar o Líbano em uma província, e é improvável que saiam sem luta (seja na forma de carros-bomba, ou incentivando os conflitos sectários). Eu disse em um post anterior que a guerra com Israel é melhor entendida como um extensão dos conflitos internos para definir que tipo de país o Libano será daqui para frente, e que este conflito fundamental continou, indefinido, após o cessar fogo. Pois bem, agora as coisas estão esquentando de novo. O status quo não é mais sustentável, as tensões aumentam e algo ou alguem vai ceder.

Nesta linha, foi interessante o debate entre os Libaneses. Além do AlG, haviam vários que eram simpáticos ao '14 de Março', e um membro da FPM, o grupo de Michael Aoun,um ex-general que lutou contra os sírios até ser expulso com a conivencia dos americanos e franceses em 91, mas que ao retornar se aliou ao HA e (para todos os efeitos) a Síria. É dificil resumir várias opiniões dispares sobre um assunte tão complexo, mas os temas principais me parecem os seguintes:

  • Fora do HA ninguem parece muito animado com a tal vitória divina, e um retorno às hostilidades agora provavelmente deixaria o HA alienado até mesmo de sua base xiita.

  • Pelo menos entre as bases do HA e do FPM a Siria não é vista com bons olhos. O AlG até mesmo nega a existencia de uma aliança entre o HA e Damasco.

  • Nenhum dos lados quer o retorno da guerra civil, mas todos temem a possibilidade.

  • A mais importante demanda dos xiitas é uma participação maior no processo político, condizente com o seu peso demográfico. Tanto a guerra quanto a aliança com a Síria são vistas como meios de atingir este objetivo.

  • A FPM considera que os xiitas não devem ser isolados, pois isto seria explosivo. Outros grupos cristãos e sunitas tentam manter o seu controle sobre o processo politico.

  • O 14 de Março acredita que o HA está blefando, e está disposto a não se curvar ao HA desta vez

  • Crescem as tensões entre xiitas e sunitas. Grupos salafistas (i.e., Al Qaeda e assemelhados) atuam em Sidom e Tripoli (redutos sunitas). HA not amused.

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Abaixo uma seleção da discussão com o AlG

Eu:

AG:"I do not see why anyone would not give anyone with opposing views - but who nevertheless respects the unwritten rules of dialogue or written rules of commenting - the chance to challenge and discuss issues raised in one's blog."

AG, I agree. But you must admit you were given this chance. You adhered to these "rules", and presented your views and criticism in a reasoned way. MJT and others replied in kind and challenged your views, in the same spirit. As far as the conducting of the debate goes, I can't find fault in either side.

I am baffled by your position on an eventual peace with Israel. Do you think it is desirable? Do you accept that Israeli civilians have exactly the same right to peace and tranquility in their own land as Lebanese or American ones?

You also said:
"We will make peace with it when the time is right for our people to come to terms with the crimes committed against them"

If I understand you correctly this means you choose to be at war with Israel until you can get around to forgive it. Which makes me wonder:
Why is it so hard to forgive the Israelis in particular for the crimes they committed, even as you forgive other Lebanese factions and the Syrians (at least to the extent you are not advocating war with either), who also committed atrocities in Lebanon, often at a far greater scale?

Also, if you are at war with Israel, then Israel is at war with you, which in practice means lots of Lebanese will die. This to me means that achieving a just peace is a moral imperative, not something to be countenanced only after you come to terms with past wrongs. War is not psychotherapy.

My last two questions are practical. Correct me if I'm wrong, but the issues HA claims are unresolved (and must therefore be resolved by the force of arms) are some small uninhabited disputed bits of land and a handful of prisoners. Shouldn't you try to negotiate first? I mean sitting down with Israelis openly, and trying to come up with some peace deal acceptable to both sides. Do you oppose such negotiations in principle?

Finally, as MJT pointed out Israel can kill 1000 random Lebanese in 5 minutes if it chooses to. Its F16 can turn southern Lebanon literally uninhabitable (why bombing with F16 is cowardly but firing Katyushas is not?). Don't you think there is something flawed in a military strategy that relies on the relative restraint of your enemy, an enemy that moreover you hold to be evil and without scruples?

Ele:

Bruno,

Yes, I admit I was given the chance, but the point I raised was not about that, but about the qualification of this chance by many commenters.

Regarding peace with Israel: we are not war-mongers. We do not go out of our way to wage war. Whatever wars we have waged, have been imposed upon us. Our very existence has been the product of war and occupation. Peace is of course very desirable. I accept every human being's right to peace and tranquility in their own land, including the Israelis; this should not be at the expense of others, however.

Forgiveness does not happen overnight, nor does it happen on its own; it is a long process, and reconciliation takes a lot of effort; first the genuine desire on both sides to talk about the past with the intention of determining an equation that would include definite answers and steps (including compensation/reparation, return of lands, return of refugees, etc. - but the latter is part of the Palestinian issue). Anyway, this is what is chiefly missing in this region, because people (some sides more than others) are more willing to shoot than talk, because they believe that the other side only understands the language of force. At any rate, before we conducted the operation and captured the 2 soldiers, we warned a number of times that unless negotiations resume, we would take such action. Unfortunately, no one listened to us or took our words seriously (hence our operation name pointing out exactly this: "true promise/vow"). Even after the soldiers were captured, we again called for negotiations, and this was rejected out of hand. We told the Israelis that no matter what they do, at the end of the day they will not get their soldiers except through negotiations. We were true to our promise. At any rate, I presume some people will criticize the point in which I said that after we captured the soldiers we also called for negotiations, and they might say, after killing so many soldiers and violating Israel's sovereignty, you expect it not to retaliate? But I tell them, history does not start on July 12, 2006, so if we are going to take this issue to that level, then the operation was not only necessary, it was also completely justified and legitimate. As for a "peace deal", I already said this is out of the question until the Palestinian issue is settled, because you have 500,000 Palestinian refugees who will be lost in the Lebanese limbo, just so that Israel may close yet another front and concentrate its full strength on ethnically cleansing West Bank & Gaza of the Palestinians (the so-called disengagement does not mean Gaza is forever out of bounds for Israel). We cannot separate our conflict with Israel from the wider Arab-Israeli conflict. But we are willing to negotiate a truce and other details, indirectly of course.

Regarding the comparison between Lebanese criminals, Syrian criminals, and Israeli criminals, I do not think you can compare; but you are right, all are criminals - but to varying degrees. I do not accept nor recognize the legitimacy of the Lebanese criminals, indeed I call for their incarceration and trial for crimes against humanity. As for Syrian criminals, may I remind you that we have suffered also at their hands, for example, in 1993, many of our supporters were killed by the army on orders from the Syrians, because we openly defied Syria. However, the importance of the resistance to Israeli occupation, and our absolute preoccupation with it meant that we would not be able to open another front, whoever that front might've been. Moreover, Assad himself is not the one who was behind much of the crimes that the Syrians committed against our people; rather, people like Ghazi Ken'an, Rostom Ghazale, & co., were the ones who had the keys to Lebanon, and in many cases Assad was not even aware of what was going on, as he was deliberately kept in the dark (also provides clues as to who might've been behind the Hariri assassination if it was indeed Syrian elements - Khaddam, Ghazi Ken'an, etc. - the old guard).

Please do not compare bombing with F-16s to firing Katyushas, especially that our Katyushas were fired merely in RETALIATION for the cowardly F-16 attacks on our people; it says quite a lot that the Israelis, with all their guided missiles of F-16s have killed more civilians than we have, even though as I have stated earlier we could DEFINITELY have exacted heavy civilian casualties.

We do not rely on the restraint of our enemy; rather, we take it pretty much for granted. The only thing that we assume is that the enemy would not be stupid enough to massacre our people in broad daylight whereas we hit its battleships, helicopters, and tanks (I see why apologists for Israel never actually bring up these hits). Even then, we cannot provide shelter to civilians, as that would not be feasible; that is the task of the government anyway (they are desperately trying to frame the state-within-a-state argument in terms of the endless chicken-or-the-egg game, but this is not really the case; Hizbullah rose from the absence of the state and its authority and services, and the state continues to be absent, and by state I do not refer to the army, but the institutions).

Finally, as MJT pointed out Israel can kill 1000 random Lebanese in 5 minutes if it chooses to. Its F16 can turn southern Lebanon literally uninhabitable (why bombing with F16 is cowardly but firing Katyushas is not?). Don't you think there is something flawed in a military strategy that relies on the relative restraint of your enemy, an enemy that moreover you hold to be evil and without scruples?

Rest assured, however, when rebuilding our villages, we will take the things we learned from the July war, and put them into constructive use.

Eu:

AG, thank you for your reply. I appreciate your willingness to talk and listen, especially on such a charged subject. I have given up in frustration on discussions with people whose views I found far less extreme than yours, simply because they could not engage in honest debate.

You said:
"Forgiveness does not happen overnight [...], and reconciliation takes a lot of effort [...]"

I accept that. But forgiveness won't happen when both sides are still fighting either. Some 100.000 people died in the civil war, most of whom were not killed by Israelis. I don't know of any of those responsible, many of whom still hold leadership positions, apologizing. Lebanese of all sects suffered, and I'm sure not all is forgiven. Your country is still recovering from the carnage, and of course that takes time. Bur crucially, you have agreed to stop killing each other, and I think we can all agree that was a good thing. Why should the Israelis, uniquely, be excluded from this process whereby cessation of violence leads to acceptance, and acceptance leads eventually to forgiveness?

"[as for] Lebanese criminals, indeed I call for their incarceration and trial for crimes against humanity"
Agreed! But you are not at war with the factions they lead either.

Even if at some stage it was necessary to focus solely on the Israeli occupation, it ended in 2000 (except, possibly, in the SF). Surely from then on Syria became the main oppressor of the Lebanese? Damascus ruled over your country, assassinated people who dared to disagree, and to this day holds an unspecified number of Lebanese prisioners, and refuses to demarcate your common border (a step that could easily solve the Sheeba controversy in your favour). And yet HA not only failed to object (let alone oppose these things militarily), it allied with Syria agaisnt those who did!

I don't buy this 'Assad did not know' thing. But even if this is true, the fact remains that the real rulers of Syria are going around murdering Lebanese. Whether Assad is counted among their number or not is immaterial.

"because people (some sides more than others) are more willing to shoot than talk"

I agree! I would just add that there seems to be plenty of those on HA. The fact that HA feels it needs to kidnap Israeli soldiers to trade for prisoners and the SF is evidence that there is nothing else it is willing to offer. If HA (or, more appropriately, the Lebanese government with HA support) offered a permanent cease-fire, recognition of Israel right to exist, and accepted the UN demarcation as the border between both countries, I'm sure Israel would agree to give up the SF and to exchange all prisoners (even Samir Kuntar, though that creep does not deserve to be freed). Even if you disagree with my assessment of Israel's intentions, surely it is worth trying.

"But [HA is] willing to negotiate a truce and other details, indirectly of course"
Why indirectly? If you can get all you want from negotiations, why not do it openly? I always assumed this was the because because neither HA nor Israel was willing to accept the other's legitimacy. But surely if such a truce is worth the paper it would be written, surely HA must accept Israel's right to exist south of the Blue Line and west of the Green line? Israel likewise must accept HA as a legitimate Lebanese party.

"[...] our Katyushas were fired merely in RETALIATION for the cowardly F-16 attacks [...]"

The F16 attacks were also retaliation for
something else. Which was in its turn retaliation for some other thing. And so on and so forth.

In any case, firing Katyushas indiscriminately against built up areas is immoral. The fact that Israelis also comitted crimes is no excuse.

"[...]it says quite a lot that the Israelis, with all their guided missiles of F-16s have killed more civilians than we have, even though as I have stated earlier we could DEFINITELY have exacted heavy civilian casualties."

How? Could you fire more missiles than you did? They were too imprecise to aim for anything smaller than a city, how could you improve their letality?

"We take it pretty much for granted that they would defy all reasonable restraints."

The Israelis could have destroyed every power station, every dam and water treatment plant, obliterated the airport terminals and knocked down every high rise in Beirut. Think Hama 82, or Grozny 95, or even Caen 44. There would have little you could do if these things happened. This of course is no excuses for some of the things they effectively did, but they could do much worse, and chose not too. However imperfect, the Israelis had some restraints, on which HA bet the very physical existence Lebanon.

"Even then, we cannot provide shelter to civilians, as that would not be feasible"

You could spare some of your state-of-the-art bunker-building abilities to get them some proper shelters. It surely beats dying in stairwells.

"Rest assured, however, when rebuilding our villages, we will take the things we learned from the July war, and put them into constructive use."

Please do. But learn the right lessons. The last thing your countrymen need right now is another victory like that.

Ele:

Forgiveness won't happen when we are fighting; isn't this the dilemma in all conflicts? At any rate, the focus should be on smaller issues, things that might seem insigifnicant but which provoke hostilities and more hatred.

The Lebanese are from agreeing on stopping killing each other; they are as resolved to killing each other if that means they will get rid of the other viewpoint. As for comparing this to Israel, I would say the comparison does not hold; while we do have to live with other Lebanese, we do not have to deal with the Israelis. In fact there is a strong argument against the normalization of economic ties with Israel because that would greatly harm domestic agriculture and industries.

I think it's also important to clear this up; Syria are not our allies (vice versa). We have relations, mutual understandings, but not alliance; where did anyone see any alliance? We have had many fallouts with Syria exactly because our diplomatic/political relationship was based on an equal footing (though control of the state and the army apparatus effectively meant that they were the masters of the country, and fighting against them would have necessitated fighting against the army). At any rate, whom did Syria assassinate?

On the contrary, we at Hizbullah are organized and do not - have not at any point - violated orders. There is full control within the ranks. Not one rocket will leave our launchers without the knowledge and approval of our local units and commanders. Not one bullet would be fired until we are given the green light to do so. I will not elaborate more, but I think our great show of discipline speaks more than words can do it justice.

We - Hizbullah and the Lebanese government - have offered permanent ceasefire and accepted UN demarcation (the demarcation took place and the blue line was the result; we even accepted the Israeli encroachment onto Lebanese territory at Misgav 'Am, which we did not have to accept, technically, and could refuse if we wanted to), but have stopped short of recognizing Israel's right to exist; this is as I said part of the Arab-Israeli conflict in general and Lebanon cannot possibly take a stand independent of other countries' positions. Primarily the internal scene would not allow it either.

Indirect negotiations because we do not wish to give Israel something that it has done nothing to deserve, namely recognition of its right to exist. Why would we recognize a state that adopts terrorism as a way of life? Don't they justify their non-recognition based on this too? What would they lose if they recognize us? They even deny that we have a support base; I guess they started believing their own lies after all.

The Katyushas were not indiscriminate; they were fired with coordinates. Being unguided, however, if they fell elsewhere, or that the Israelis did not listen to their governments warnings to stay indoors, that has not been our intention. The same cannot be said for Israel, the same country that was proven to have deliberately targeted the UNIFIL compound at Qana in 1996, killing 102 civilians.
In war, people die, remember? Or does that apply only to us?

As for how we could've exacted hevay civilian casualties, I would leave it open for your speculation (because not everything can be said). However, I can assure you, on my own honour, that we could've done what I am saying, and did not. Feel free to doubt it, or accuse me of lying, as I am sure many will.

Eu:

AG, thank you for the reply

The Lebanese are [far?] from agreeing on stopping killing each other; they are as resolved to killing each other if that means they will get rid of the other viewpoint.

You are of course in a far better position to judge this than I, but the fact remains they are not killing each other in large numbers at the moment. They do not find it imperative to keep on fighting despite their enduring mutual hate. Thus, in this case practical considerations of peace and self-preservations trump old hatreds.

As for comparing this to Israel, I would say the comparison does not hold; while we do have to live with other Lebanese, we do not have to deal with the Israelis."

Yes you do. You may choose not to trade with the Israelis, but in a war you will be forced to deal with them. Fighting the Israelis (who are not exactly a continent away) brings about death and suffering with no end in sight, just like fighting your fellow Lebanese would. Thus the practical imperatives not to fight are the same if differences can at all be resolved or papered over.

In fact there is a strong argument against the normalization of economic ties with Israel because that would greatly harm domestic agriculture and industries

Fair enough, trading or not is your prerogative, but surely bombs are far more more damaging to your economy.

I think it's also important to clear this up; Syria are not our allies (vice versa). [...] At any rate, whom did Syria assassinate?

You are currently in an alliance, even if just one of convenience. In any case, by the criteria you set forth (occupation, prisoners, violation of sovereignty) they ought to be your sworn enemies. Even if you do not want to fight them militarily, directly or by proxy (although you do take on the IDF, a much harder nut to crack, so to speak), surely there should be some serious pressure to resolve these issues, and I can see none. As I said, demarcation of your common borders (implying Syrian de jure acceptance of Lebanese sovereignty) is not only a worthwhile goal in itself, it will all but guarantee the Israelis will leave the SF.

As for the assassinations, I find it hard to believe that those critical of Syria just happen to blow up spontaneously. In any case, you mentioned earlier a number of HA member executed by the Syrians. Surely that was murder?

We - Hizbullah and the Lebanese government - have offered permanent ceasefire and accepted UN demarcation [...]

My understanding is that HA did not accept the demarcation, which held the SF were Syrian, and after the Israelis pulled that uninhabited piece of land no one had ever heard of before was turned into a reason to continue the resistance. If Nasrallah is offering any sort of permanent cease fire now, he is being exceedingly subtle about it.

[...] have stopped short of recognizing Israel's right to exist; this is as I said part of the Arab-Israeli conflict in general and Lebanon cannot possibly take a stand independent of other countries' positions. Primarily the internal scene would not allow it either.
Why must Lebanon, and Lebanon only, be held at ransom of all the other countries' diplomacy? The Egyptians and Jordanians took an independent stand and have enjoyed peace ever since. The Syrian sat on their asses while you where fighting, and still you are expected to remain in a state of perpetual conflict until they get the Golan back. And if your internal scene cannot countenance the idea of genuine peace, then I'm sorry but you should get ready for rounds 2, 3, 4...n. You can't reject both peace and war and expect the universe to comply and come up with a third option.
Indirect negotiations because we do not wish to give Israel something that it has done nothing to deserve, namely recognition of its right to exist. Why would we recognize a state that adopts terrorism as a way of life? Don't they justify their non-recognition based on this too?
You do not have to do anything to have a right to exist. Many countries did far worse that the Israelis and have not forfeited this right. As far as I know, Israel accepts Lebanon's right to exist too.

Now, what is the point of negotiating if the other side does not accept your right to exist in the first place? It is like saying to someone you want to share a flat with him but you do not accept his right to live there.

This is basic, you do not have to accept any Israeli claims to the West Bank, or agree to resettle the Palestinians in Lebanon, or anything. You just agree to end the fighting, and accept the fellow down south as your neighbors. You give up nothing, and gain a a great deal. Peace between Lebanon and Israel is not a zero-sum game.

What would they lose if they recognize us? They even deny that we have a support base; I guess they started believing their own lies after all.

Nothing, I suppose, although it is hard to imagine them recognizing a movement that refuses to recognize them as a country. And yet, you are the one that ruled out direct negotiations.

The Katyushas were not indiscriminate; they were fired with coordinates. Being unguided, however, if they fell elsewhere, or that the Israelis did not listen to their governments warnings to stay indoors, that has not been our intention.

Come on! Israel could (did) claim with far greater propriety that Lebanese civilians should have heeded the call to evacuate, and that bombs sometimes miss their targets, and sometimes the targets are wrong. This is true, and still does not justify all of their actions. When they fired all those cluster bombs, they knew as HA did with the K. did that no matter how legitimate the aim point was civilians would be greatly harmed because this weapon was effectively unguided. They should not get away with it, and neither should HA.

HA's claim to have fired missiles at a city with no intention of harming civilians, on the off chance it may hit a soldier somewhere, is simply not credible, and would not be morally acceptable even if true.

As for how we could've exacted hevay civilian casualties [...] I can assure you, on my own honour, that we could've done what I am saying, and did not. [...]

Fair enough. But then accept that the Israelis could also have done far, far worse and did not.

Eu (em relação a uma resposta dela para outra pessoa)

AlG:
"especially ones that are willing to risk bringing Syria back to Lebanon for their adventures in regime change in other countries, whose affairs are none of our business."

Can you be more clear? I genuinely do not understand who you are talking about in the paragraph above.

While we are at it, what is your opinion on the court that is being set up to try the Hariri killers?

Ele:

Bruno,

I am referring to feudal chieftain Walid Jumblatt, Saudi billionaire Sa'ad el Hariri (Rafiq el-Hariri's son) who does not know how to speak proper Arabic (I wonder what language he speaks in??), and warlord Samir Geagea, and their minions. These people continue to lead a self-destructive (by self I am referring to Lebanon of course; though they would see to it that if they are to go down, Lebanon would go down with them) policy of provocation against Syria. Jumblatt and Hariri have openly expressed the wish to see a regime change in Syria, and the replacement of the Alawite leadership with a Sunni one. They also hailed Khaddam's defection and exile; this guy Khaddam was one of the chief architects of Syria's presence and continuation (and oppression) in Lebanon. He was, and continues to be, their ally, hero, whatever you want to call him.

The court... is a joke. A joke because it is a travesty of justice. Nevertheless, we do not oppose it. But we say, let those who are concerned with crimes also hold investigations into and trial of the perpetrators of the assassination of Sheikh Ragheb Harb, attempt to assassinate Sayyed Muhammad Hussein Fadlallah (80 civilians killed instead), disappearance of Imam Mussa al-Sadr, assassination of Samir Qassir, assassination of Mr. Gebran Tueni, Mr. Georges Hawi (Lebanese Communist Party), assasination of Sayyed Abbas Al-Mussawi and his family, Mr. Elie Hobeika, Mr. Dany Chamoun and his family, and countless other figures, not to mention the civilians who were killed by these same people who are calling for the court.

Eu (novamente respon

AlG, you said [em outro comentário]:
"I also have knowledge of some things that supporters otherwise do not."

Should you be bragging about it then?

About the Palestinian refugees, you consider it an imperative that they be disarmed, and that they do not become naturalized. I believe these are reasonable concerns, but don't you think allowing them decent living conditions (instead of penning them into squalid camps where 'permanent constructions are not allowed') would go a long way towards bringing about such disarmament?

Still on the subject of the Palestinians, why should they settle in a country to which they (obviously, and rightly) hold no allegiance? Because a corolary of the implementation of the 'right of return' is that they would have to somehow become Israelis. Since we both seem to agree that there should be an independent Palestine alongside Israel, to me its obvious that these people should return (or go) to their own country, not to that of their erstwhile enemies, even if their ancestors happened to have lived there.

The two sides could agree on compensations, and even on the acceptance of the RoR in principle but not in practice (i.e., agree that although thae have a right to go back to their former homes, these no longer exist in any meaningful way, so they'll get the next best thing: to go back to their own homeland with an apology and enough money to start over). Whaddyathink?

Ele:

Bruno,

Should you be bragging about it then?
No; I was not bragging; I don't believe in vain pride. I was only stating a fact, which does make a difference. It's one thing to talk with someone who has his information from hearsay or some book, it's another to talk with someone who has a certain degree of internal knowledge albeit he would not say anything that would jeopordize anyone's or the party's wellbeing. I thought that was pretty clear. Where did the accusation of bragging come from?

Regarding Palestinian refugees, their disarmament should be coupled by giving them more rights though not naturalizing them because that would pretty much mean giving up on the right of return. So basically the right to work, and so on. Anyway, there are a number of Palestinians who were in fact naturalized because they were Christians, and if we are to be fair, their citizenship should be revoked.

What the country they are returning to is called is irrelevant, and who lives there today is irrelevant too. This is not 1920 when the native Palestinians were disgusted with the "western" lifestyle that the Jewish settlers brought with them from Europe. They have come to accept this lifestyle themselves, they have become pretty urbanized and if you like, westernized. The Israelis themselves have accepted some aspects of the local traditions and culture. Anyway, these people care about returning to their ancestral lands, and putting an end to the suffering (especially the Palestinian refugees in Lebanon who suffered A LOT during the 1975-1990 war). By the same token the Palestinian citizens of Israel are loyal to the state and co-exist with their neighbours, though they are not exactly treated as equals. They have learned to address their grievances through institutions and legal means. For example the "ADALAH" legal center for Arab minority rights in Israel, also other joint Jewish-Palestinian projects like Neve Shalom/Wahat al-Salam, Ta'ayush, and even a political party with mixed leadership and support base, the Hadash/al-Jabha. A large number of Palestinian citizens of Israel prefer to give their vote to Labor than to Arab parties.

Yes, returning to their "homes" means returning to the land, these homes most probably no longer exist; entire villages have been completely wiped out, often replaced with Kibbutzim and often not replaced with anything, they are just no longer there (by the way, there is also a joint Palestinian-Israeli initiative for raising awareness of this issue in Israel, and every year there are tours to areas where villages used to stand and were wiped out during the "nakba" the catastrophe). So these people can be given meaningful sums (maybe contributed to, in addition to Israeli payments, by Arab countries and also Britain whose role in creating the Arab-Israeli conflict should not dismissed or forgotten) to start over again. You will find, that if and when this is done, this will be met by absolute goodwill on the part of the returning refugees, rather than "revenge" attacks, etc. One can always say that these could be merely "acting" and waiting for the right time, but such an attitude would mean that no trust is forthcoming, and where there is no trust, there is no solution to any conflict, because reconciliation would be impossible.

Eu:

AlG:

"Should you be bragging about it then?

No; I was not bragging; I don't believe in vain pride. I was only stating a fact [...]"

You should say you are just a humble gardner or something like that, even as you plant bugs on the knesset during the night or mass produce katyushas in your backyard. That would definitely enhance your aura as an international man of mystery.

PS: This is a joke. HA knows everything about jokes, they have long studied the jokes of its enemies, and should not be underestimated.

PS2: This too is a joke. I'll give you a serious answer to the remainder of your post after I eat something and the hallucinations stop.

PS3: err...
[humor não é o ponto forte do HA. Eu estava parodiando a tendencia que ele tem de afirmar que o HA sabe sobre tudo, está sempre certoque não deve ser subestimado, yadayadayada. Falando um pouco mais sério, eu continuo:]

AlG: "Yes, returning to their "homes" means returning to the land, these homes most probably no longer exist; entire villages have been completely wiped out, often replaced with Kibbutzim [...]"

But it goes beyond that. They were a community that was uprooted and largely replaced with another. Today their culture survives in the camps in exile and among their brehtrem in the WB & Gaza; but if they were to return to Israel, they would remain strangers in what is effectively someonelse's land, or they would make the Israeli Jews strangers in their own homeland. In either case its too high a price to pay to stick to an absolutist point of principle. Their home, and place of residence, should be an independent Palestine.

You say you support Tsedek's husband's family right of return to wherever they were expelled from (but are you willing to fight for it, putting your own country on the line?). From what I gather they have found a home in Israel; while their former home elsewhere no longer exists. I don't see what good could come from a 'return' in this case. Recognizing this new reality does not imply forgeting or minimizing past injustices.

This insistence on an absolute right of return serves no good purpose (there are plenty of bad, cynical purposes though), it just helps to prolong the sufering. And I find it somewhat cynical that some Lebanese profess a total support of Palestinian aspirations even as they deny the Palestinians residing in their own country the most basic living conditions.

Lira, the Lebanese are not responsible for what Israelis did 50+ years ago. But they are responsible for treating the refugees residing in Lebanon humanely today. Blaming Israel for whatever is not a get out of jail card, you still are responsible for your own actions.

E ele:

Bruno, i agree that the Palestinians are treated badly and should be treated equally, but they should not be naturalized because that would mean giving up their right of return. also, if some people have chosen not to fight for returning to their homeland it does not mean that others should adopt their worldview. what you say about the palestinians being unable to fit in and being alienated or alienating the jews is not true, and even if true it is not a good enough excuse to violate their right of return.

the christian palestinians who were naturalized and also the armenian christians and non-lebanese sunnis should be de-naturalized.

Este útimo ponto dele é uma receita garantida de guerra civil, além de ser uma ideia particularmente repelente. De novo, o imperativo no caso é manter a pluralidade demográfica xiita emergente.

Em referência a comentários dele sobre a sua suposta vitória neta guerra, e como todos os seus objetivos serão atingidos se não desta vez então na próxima, ou na logo em seguida, etc, eu disse:

To quote Monty Pyhton:

"Listen, lad. I built this kingdom up from nothing. When I started here, all there was was swamp. Other kings said I was daft to build a castle on a swamp, but I built it all the same, just to show 'em. It sank into the swamp. So, I built a second one. That sank into the swamp. So, I built a third one. That burned down, fell over, then sank into the swamp, but the fourth one... stayed up! And that's what you're gonna get, lad: the strongest castle in these islands."

I'm sorry AlG, but that is how you sound like at the moment.

e também:
Another thing:
"First, they were not war crimes, as they were not unprovoked,"
They remain war crimes even if committed in response to another crime. Why is it that warring parts in the ME act as if the crimes by one's enemies excuses one's own?
e em referencia a suposta intenção israelense de roubar as aguas do rio Litani (no sul do Líbano):

AlG,the Litani stayed there from the armistice in 49 to the Cairo agreeement in 69. Doesn't it strike you as odd that during that time, when there was no effective force to oppose them, the Israelis didn't attempt an invasion*? They only seem to attack when there is someone to shoot back, be it the Palestinians or you. Must be some bizarre jewish notion o sportsmanship...

I think you will find that most if not all commenters here think the occupation of Lebanon from 1982-2000 was a lousy idea. But it ended, and it seems HA has been desperately looking for excuses to keep violence alive ever since. Seriously, you had to dredge up something Ben Gurion said in 1919!



E é isso. A discussão continua no blog do Micheal Totten.

Continue lendo...>>

sexta-feira, 25 de agosto de 2006

Casa, Rio de Janeiro
Dançando sobre o entulho em Haret Hreik

O Hassan Nasrallah é um novo tipo de lider árabe. Ele não faz promessas extravagantes, ou ameaças vazias. Longe da histrionice nasseriana, ele fala com uma voz pausada, irradiando calma e simpatia, e pontuando o discurso com a ocasional piadinha. Estou falando sério, dê uma olhada nas suas entrevistas. Quem entende árabe diz que ele transita com desenvoltura entre o árabe clássico (quorânico) e o coloquial do dialeto libanês. Ele é, em suma, tudo o que os candidatos a sanguessuga no horario eleitoral almejam: alguem que esbanja credibilidade para seu público alvo, e que projeta ao mesmo tempo competência e humildade.

Compare isso com a verborragia grandiloquente típica dos líderes árabes que já entusiasmaram multidões no passado. O Nasser provavelmente foi o campeão na categoria individual (embora Saddam 'mãe de todas as batalhas' Hussein e Yasser 'até Jerusalem' Arafat ofereçam um páreo duro). Mas no esforço por equipes, os Sírios mantém larga liderança. Desde 1948 eles lançam ameaças cabulosas de jogar os judeus no mar, e anunciam uma série de vitórias espetaculares, ao mesmo tempo em que levam surra após surra dos israelenses. Mantendo a tradição, Bashar al Assad vem se vangloriando por tabela da 'vitória da resistência', enquanto fulmina a covardia dos demais líderes árabes e ameaça retomar as colinas de Golan a força. O único problema é que ninguem parece leva-lo muito a sério...


Se ele esperava que o resto do mundo viesse até Damasco implorando por sua ajuda para acabar com a guerra, deve ter ficado muito desapontado. Apesar de inúmeros editoriais e artigos a respeito, EUA, França e os demais paises árabes o ignoraram solenemente durante toda a crise (exceto como alvo do ocasional comentário mordaz); o seu enviado à Liga Árabe saiu antecipadamente da última reunião, furioso por não ter nenhuma de suas propostas aceitas para a redação do documento final. Mais ainda, Assad se tornou motivo de piada em pelo menos parte da imprensa árabe (certamente com a concordancia de seus governos respectivos), que não poderia deixar de notar o contraste entre sua retórica beligerante e a calma que reina na fronteira entre Golan e o resto da Síria, initerrupta desde 1974.

Se Assad não tem muita credibilidade atualmente, Nasrallah está se esforçando para manter a sua. Não há nenhum entusiasmo para comemorar a vitória do HA, cuja vacuidade está se tornando cada vez mais obvia. As ufanistas celebrações em frente aos prédios demolidos de Haret Hreik gradualmente baixaram de tom. Nem mesmo entre os xiitas há qualquer apetite para a retomada dos combates; entre os não-xiitas evitar o segundo round da guerra se tornou um imperativo. No momento, o HA precisa se concentrar em manter a promessa de ajudar milhares de seus correligionários a achar onde morar.

As críticas às ações do HA, durante a guerra confinadas à blogosfera, agora começam a aparecer na imprensa e entre a liderança politica libanesa. Os críticos incluem até mesmo um pequeno número de xiitas. Logo após a guerra o HA tentou impor seus limites aos parâmetros do discurso politico. Com ousadia crescente, estes limites tem sido rompidos.

No final das contas, é possível que Nasrallah acabe derrotado, não por algum lider falastrão de algum dos outros sectos (existem vários), ou pelo eternamente confuso PM Olmhert de Israel; mas sim por um político que representa uma novidade ainda maior em termos retóricos: O come-quieto.

O PM libanês, Faud Siniora, também não é dado a grandes arroubos retóricos ou promessas vãs. Mas ao contrário de Nasrallah ele não projeta uma imagem de força, mas sim de fragilidade. É obvio para todos que ele é a parte mais fraca, colocado no meio de várias forças muito mais fortes, e com uma ínfima margem de manobra. Mas a sua posição de fulcro o torna o único capaz de construir um consenso nacional (ninguem, no Líbano ou fora dele, quer o retorno à guerra civil que a quebra deste consenso traria); e a suas opções limitadas dão um ar de inevitabilidade para suas ações. E aquele que constroi o consenso pode, se for sutil o suficiente, molda-lo na direção desejada.

Nenhuma outra pessoa, seja ele GW Bush ou Ehud Olhmert, poderia ter forçado o HA a aceitar a presença do exercito libanes ao sul do Litani, pela primeira vez em décadas, ou a apoiar, mesmo que só da boca para fora, a resoluçao UNSC 1701. O seu judo retórico continua para tornar efetiva a implementação da 1701; o discurso do governo foi mudando gradualmente, de expressões de solidariedade com a resistência logo após o cessar fogo, até promessas de tornar o exercito a única força armada no pais e de reforçar o patrulhamente das fronteiras (com a ajuda de uma UNIFIL que parece estar finalmente se tornando uma força efetiva). Hoje Siniora afirmou que o HA não esta mais em condições de iniciar outra guerra com Israel, e até aventou a possibilidade de um acordo de paz, uma ousadia que seria impensável antes da guerra, e que vai enfurecer Sírios e o HA*. Durante a guerra, Siniora fez com que a liga árabe adotasse seu plano para terminar a guerra. Isso garantiu que seria ele, e não Nasrallah, o interlocutor (por canais indiretos) de Israel em qualquer negociação. Se tiver sucesso, Siniora terá efetivamente roubado do HA os seus principais pretextos para a continuação da luta armada (i.e., prisoneiros e as fazendas de Sheeba). Um acordo de paz a lá Sadat é na prática improvável no futuro próximo, mas pouco a pouco os parâmetros do discurso vem se deslocando, e a margem de manobra que Nasrallah tem para falar e agir em nome de todos os libaneses é cada vez mais restrita.

É impossível dizer qual será o rumo que o Líbano tomará daqui para frente. Mas pelo menos por enquanto, o come-quieto Siniora teve sucesso em puxar o tapete por debaixo do Nasrallah. Este sabe perfeitamente o que aquele pretende, mas assim como Siniora não pode atacar diretamente a legitimidade da resistência, Nasrallah não pode taxar o primeiro ministro de traidor devido a legitimidade que ele adquiriu durante a guerra, dentro e fora do Líbano. É um tipo de xadrez peculiar, onde nenhum dos dois lados pode dar xeque, e todas as jogadas são indiretas.


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* Um acordo de paz deixaria a Síria totalmente isolada como o único vizinho com quem Israel não teria um acordo de paz. Desde que perdeu o apoio sovietico, a politica Síria tem sido evitar o confronto direto e pressionar Israel indiretamente usando aliados e prepostos libaneses. Claro que quem se estrepa com isso são os libaneses, mas isso combina com outra vertente da política síria, que é extender seu controle sobre o Líbano. Quanto ao HA, uma paz com Israel tiraria suas justificativas para se manter como um movimento armado; manter esta prerrogativa foi provavelmente o que motivou Nasrallah a começar a guerra.


UPDATE: Vejam também este artigo de Amir Taheri, um exilado Iraniano que repete o que eu disse acima com muito mais conhecimento de causa. Comentários pertinentes no From Beirut to the Beltway.

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terça-feira, 8 de agosto de 2006

Casa, Rio de Janeiro
(desarmando o HA, esnobando a Siria)

Continuando na linha 'lorotas contadas sobre a guerra', preciso mencionar mais algumas:

Dizer que o Líbano teve 6 anos para desarmar o HA: ... É no mínimo uma meia verdade. Para começar, por 5 desses anos o pais esteve sobre controle efetivo de Damasco. Mesmo após terem sido forçados a se retirar, os Sirios ainda mantiveram certa influencia atraves de alguns prepostos e aliados locais (c.f. o presidente, Emile Lahoud); e por sua aliança com o HA. Além disso, embora os reformistas libaneses (aka o movimento de 14 de março) tenham uma pequena maioria no parlamento, a aliança de coveniencia entre o HA e o grupo liderado por Michel Auon (um ex-general cristão, anteriormente oponente intransigente da Siria) efetivamente bloqueou a maior parte das reformas. Finalmente, a fraturada estrutura sectaria da sociedade libanesa torna quase impossivel um governo efetivo que não seja de união nacional. No final das contas Siniora (o premiê Libanes, um tecnocrata sério que ocupa o cargo esquentando a cadeira para Saad Hariri, filho do ex-premiê assassinado) foi obrigado a fazer um acordo que incluiu o HA no governo, e o reconheceu como um movimento de resistencia, e não uma milicia. O HA já demonstrou mais de uma vez que pode paralisar o geverno se decisões forem tomadas 'fora do consenso'; quando Siniora concordou em apoiar um tribunal internacional para julgar os assassinos de Hariri os ministros do HA abandoram temporariamente a coalizão, e o governo foi obrigado a fazer novas concessões ao HA.

Como eu já mencionei antes, se livrar de Lahoud e desarmar o HA eram objetivos sinceros dos reformistas, mas a combinação de interferência externa (Siria), desunião (Aoun), e a fraqueza intrinsica do estado libanês, impediram que ambas as coisas ocorressem. Talvez se possa acusar o governo de indecisão. Mas é preciso levar em conta o fantasma paralisante da guerra civil de 75-90. Assim como o Holocausto (para os Israelenses) e a Naqba (para os palestinos) foram catástrofes formativas da identidade nacional, que em boa medida moldaram as visões de mundo de um povo e outro, a guerra civil assombra toda ação (e inação) do governo e lideranças Libanesas. A política libanesa ainda segue estritas linhas sectarias, com o poder divido por lei entre os 14 sectos e nacionalidades que compoem o pais. O que os Libaneses mais
temem é que a cola que une estes grupos díspares se desprenda, e que as inúmeras contendas entre eles, que foram congeladas mas não resolvidas desde 1990, novamente se tornem conflitos abertos, com os paises vizinhos apoiando ora um ora outro lado.

O Hisbollah não é igual a Al Qaeda: ...por uma série de razões, a menos importante das quais é o fato de serem uns fundamentalistas xiitas, e outros fundamentalistas sunitas. O HA é um grupo nativo do Libano, representando e agindo em nome de uma fração considerável dos xiitas libaneses. A AQ é um grupo transnacional (embora com raizes Sauditas e Egipcias), que tenta estabelecer um califado global. E enquanto o HA reconhece alguns limites morais para seus atos (baseado em jurisprudencia xiita tradicional, apimentada por um anti-semitismo crasso e uma pitada de hipocrisia), a AQ tem aquele caracteristico jeitinho niilista de ser psicótico que é só seu. Para ler um texto sobre o assunto escrito por alguem que realmente entende do que está falando, recomendo fortemente este artigo do Martin Kramer.

BTW, o último vídeo do Zwahiri (o #2 na AQ) foi particularmente patético. Além de tentar oportunisticamente se ligar a causa do HA, ele proclama a união da AQ com um outro grupo egipcio (que prontamente negou tal união!). Depois das estripulias do Zarqawi, explodindo procissões de Ashura em Najaf e acusando o HA de ser um agente do zionismo (!) duvido que ele seja levado muito a sério. E é meio wannabe ficar lançando proclamações gravadas em uma caverna erma enquanto o HA ainda tem uma emissora de TV transmitindo, e continua lutando competentemente contra os Israelenses.

A Siria pode usar sua influencia para acabar com o conflito: ...É uma noção dúbia tanto em termos de capacidade como de intenção. Eu já discuti isso em um post anterior, mas eu queria só ressaltar como o Bashir Assad está isolado nesta historia toda. Tanto americanos quanto os israelenses o ignoram completamente. Os franceses preferem falar diretamente com os iranianos; e a liga árabe, na reunião de emergencia que acabou hoje em Beirute, aceitou integralmente os sete pontos do plano proposto pelo Siniora, ignorando as objeções e emendas propostas pelo representante sírio. Este, um tal de Moallem, havia chegado antes das demais delegações, e em reunião com o presidente Lahoud (tipicamente, foi seu único visitante extrangeiro) fez declarações bombásticas apoio à luta contra Israel (algo que a Siria está sempre disposta a apoiar desde que não tenha que efetivamente participar da luta). Ele saiu antecipadamente da reunião, sem dar declarações e vaiado por manifestantes locais. Veja aqui e aqui o que dois Libaneses particularmente bem informados tem a dizer a respeito.


Último comentário. Alguns dos ataques aéreos israelenses me parecem um tanto bizarros. Não por serem moralmente indefensaveis (embora vários tenham sido), mas por não terem nenhuma motivação lógica aparente, e claramente não serem resultado de ignorancia ou descuido. Os ataques esporádicos aos quarteis do exercito libanês, por exemplo. Para quê atacar exatamente a instituição que se espera tome o lugar do HA no sul do Líbano? Ou ainda o ataque ontem a um predio em um bairro de Beirute chamado Shyiia. A região é dominada pelo Amal, o único outre grupo xiita representativo, que será imprecindível na eventual formação de um consenso nacional pós-guerra que marginalize o HA como entidade armada acima da lei. Se alguem conhece algum motivo plausivel para tais ataques, por favor me diga.

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quarta-feira, 2 de agosto de 2006

Casa, Rio de Janeiro
(ainda sobre a guerra)

Alguns comentarios rápidos:

As razões dadas pelo HA para continuar a 'resistencia' depois da retirada israelense: ... São pretextos bem transparentes.

A 1a razão dada é que Israel supostamente continuaria ocupando terra libanesa. As famosas 'Fazendas de Sheeba' são um pedaço minusculo de terra desabitada, que ficava na fronteira entre Siria (nas colinas de Golan) e Libano. Até 1967 eram ocupadas pela Siria, sem qualquer cotroversia aparente. Após a guerra dos 6 dias, passaram a ser ocupadas pelos israelenses. Todos os mapas existentes (alguns da epoca otomana e colonial, outros produzidos pelos governos tanto Sírio quanto Libanês), exceto um de origem considerada duvidosa, indicam que as FdS seriam parte da Siria. Foi isso que a ONU concluiu quando confirmou que a retirada Israelense tinha sido completa.

A coisa parece simples, mas lembre-se que isto é o Oriente Médio. Após 2000, o HA começou a reclamar da 'ocupação' das FdS. Os demais politicos libaneses acabaram repetindo a retorica, com diferentes graus de sinceridade, devido tanto a popularidade quanto a necessidade de incluir HA na coalizão governante. A Siria, que dominava o Libano até o ano passado, tinha uma postura dúbia, de apoiar a luta pela 'libertação' das FdS, ao mesmo tempo em que se recusava a demarcar suas fronteiras com o Líbano.

A segunda justificativa dada pelo HA são os prisioneiros. Este é um assunto espinhoso; durante a ocupação os isralenses e seus aliados do SLA mantinham inumeros prisioneiros libaneses sem nenhum processo judicial e em condições abismais. Mesmo depois de 2000, alguns ainda permaneceram em prisões em Israel. A maior parte foi libertada em troca de 3 soldados israelenses mortos e um 'empresario' (provavelmente um traficante de drogas) vivo, todos sequestrados pelo HA.

O numero restante não é divulgado, mas não é alto. Aparentemente Israel está disposto a troca-los por um aviador que foi derrubado sobre o Libano em 81, e que acredita-se foi capturado ou morto pelo HA ou seus aliados. O HA nunca especificou quais prisioneiros quer ver livres, exceto pelo simpático Samir Kuntar, que em 79 se infiltrou em Israel e matou 3 membros de uma familia e um policial antes de ser preso. O seu retrato figura de forma proeminente nas manifestações do grupo xiita.

No final das contas o Nasrala já indicou que se as FdS forem devolvidas, exitem sempre outras razões para continuar resistindo. Ele já mencionou 7 aldeias, que hoje fazem parte de Israel, mas que tinham maioria xiita até 1948. Certamente ainda tem muita 'Palestina ocupada' (que é como HA se refere a Israel) para ser libertada.

Eu não quero dizer com isso que o HA tem os meios, ou mesmo a intenção, de marchar até Tel Aviv. Mas ele certamente está tentando usando o meme da 'ocupação' (poderoso por razões obvias entre os Arabes) para perpetuar um estado de guerra que objetivamente não serve aos interesses nem de Israel nem do Libano.

Neste sentido, o premiê Libanês propos um plano inteligente. Uma retirada Israelense das FdS seria organizada após as fronteiras serem demarcadas, HA e Israel trocariam prisioneiros; e o HA seria desarmado e uma força internacional ajudaria o exercito Libanes a ocupar o sul do Libano. É uma maneira bem sacada de dar ao HA o que ele diz querer, e tirar do HA o que ele quer realmente. Acho que um acordo eventualmente sera algo deste tipo, mas resta convencer as partes beligerantes.


O presidente Libanes Emille Lahound: ... É uma piada de mau gosto. Ele é um preposto Sírio; a emenda constitucional que extendeu o seu mandato foi o que levou o Rafik Hariri a se posicionar abertamente contra Damasco, o que resultou na sua morte via carro bomba. A enorme reação popular que se seguiu, junto com o apoio dos EUA, França e Arabia Saudita; e a ameaça implicita das tropas americanas junto a fronteira sirio-iraquiana, forçou os Sírios a se retirarem do Líbano. Depois da retirada, os objetivos do governo reformista libanes (liderados por Siniora, esquentando a cadeira para Hariri jr.) eram, em ordem: 1) Se livrar de Lahoud; e 2) Desarmar o HA. Acho que impedir progresso em ambos os casos foi um dos objetivos do HA quando iniciou essa guerra.

No final das contas, Lahound não represente ninguem, não manda em nada, e acha o que o Bashir Assad manda ele achar. Ele é ignorado por todo e qualquer visitante extrangeiro exceto os Sírios e os Iranianos.

A preocupação israelense com os civis libaneses ...é no mínimo insuficiente. Para mim é obvio que Israel não matou aquele monte de crianças em Qana intencionalmente; é algo que é claramente prejudicial para o que eles querem fazer (i.e., continuar a atacar o HA, e fazer os Libaneses se oporem ao HA depois da guerra). Mas também é obvio que os Israelenses não tomaram todo o cuidado que deveriam. Por mais que o HA lance foguetes a partir de locais civis, isso não dá a IDF o direito de atacar toda e qualquer estrutura por perto sem se preocupar com quem está lá dentro. Se você examinar os relatorios diarios apresentados pela IDF, a maior parte dos alvos atacados consiste da chamada 'infraestrutura do terror', i.e., prédios em que se acredita o HA guarda armas ou material de apoio. De fato, atacar um predio, que é fixo, é muito mais fácil do que caçar lança foguetes montados em caminhoes moveis. Mas muitas vezes evidencia muito circunstancial é usada para incluir um predio ou outro nesta categoria. E o fato é que no sul do Libano prédios deste tipo quase certamente terão em seu interior civis que não puderam ou não quiseram escapar para o norte. O Sul do Libano está devastado, e familias inteiras ainda estão sende retiradas de sob os destroços.

A posição da Síria: ... É problematica. Muita gente acha que a Siria é a chave para resolver a situação. A cerca de uma semana eu conclui que em um acordo em que os EUA tirasse Damasco da geladeira diplomatica e Israel abrisse negociações para a devolução das colinas de Golan em troca de um acordo de paz, a Siria poderia demarcar a fronteira libanesa, e sufocar o HA impedindo o fluxo de armas iranianas. Fiquei um tanto decepcionado quando descobri que metade da blogosfera teve a mesma ideia quase simultaneamente...

Mas pensando e lendo mais um pouco, agora acho que essa solução talvez seja problemática, e provavelmente inexequivel. Para começar, exigiria uma mudança de paradigma geopolitica grande demais para um governo totalitário que essencialmente se define a partir de sua oposição virulenta contra Israel. Além disso, é dificel saber qual o preço que Assad jr. vai pedir; muito blogueiros libaneses temem que seja o retorno da influencia síria na politica Libanesa. Se for, o Oriente Médio estará andando em círculos, e os Libaneses estarão andando na prancha de um navio pirata.

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