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quinta-feira, 15 de janeiro de 2015

Casa, Rio de Janeiro
Mort de rire

Em 1970 dois homens a paisana, armados de fuzis e granadas, invadiram a sede do periódico satírico 'O Pasquim'. O corpo editorial foi surprendido em reunião, e colocado contra a parede. Calmamente, os atacantes anunciavam o nome de cada membro da equipe e, sem esperar resposta,  cravejavam a vítima de balas de grosso calibre. Tombaram na ocasião os cartunistas Ziraldo, Pedro Américo e Jaguar, a senhora do cafezinho, e um segurança. Estes sangrentos eventos foram relatados pelo comentárista Paulo Francis, que, embora gravemente ferido, foi o único sobrevivente devido a sua cabeça excessivamente dura.

Segundo populares próximos ao local, ao sair da cena do crime em direção a um fusca azul estacionado em fila dupla, os assassinos gritavam: 'Independência ou morte!'  'Vingamos a nossa bandeira!'

O governo militar negou qualquer participação no ato e prometeu uma investigação célere e rigorosa. Porém, segundo o porta-voz da presidencia, o Capitão-de-Corveta Zenóbio Frobenius,

'O crime foi uma lastimável mas previsível reação contra as insultosas charges publicadas pelo Pasquim, em particular aquelas nas quais figuram Dom Pedro I durante o grito da independênia. Dom Pedro é um heroi para 80 milhões de brasileiros, e o dia da independência é o nosso feriado mais sagrado! Não surprende, portanto, que alguns indivíduos tenham se sentido tão insultados a ponto de fazer justiça com as próprias mãos'

No debate que se seguiu, muitos comentaristas se manifestaram contrários a publicação de material que atentasse contras as crenças profundas e os sentimentos mais arraigados de um grande número de pessoas. Liberdade de expressão não é liberdade para ofender, afirmou-se. Para impedir novos ataques, o governo militar resolveu instituir a censura prévia, uma medida que, ainda segundo o capitão de corveta Frobenius, 'protegerá jornalistas da violência, impedindo que eles inadvertidamente insultem alguma pessoa ou grupo'.
__________

Obviamente, os fatos aqui relatados não ocorreram em 1970. Bom, exceto pela censura prévia instituida em resposta 'a charge acima. Isto aconteceu.




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segunda-feira, 31 de janeiro de 2011

Shopping Leblon, Rio de Janeiro
Limericks egipcios


The Pharaoh is getting a bit sclerotic
but still likes to keep things despotic
he feels no urgency
to end a state of emergency
the hasty sleep with fishes nilotic

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Hosni decided, sitting by the Nile
That if he had to go, he'd go in style
"Send in the tanks
until every protester relents
and take their names into a police file"

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sábado, 29 de maio de 2010

Casa, Rio de Janeiro
Cientista maluco ou engenheiro maluco?



(Encontrado aqui, ht: Sandro)

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quarta-feira, 7 de abril de 2010

Casa, Rio de Janeiro
Perdido na tradução

Enquanto continuo enrolando para escrever algo mais substancioso sobre as eleições no Iraque, me lembrei de uma série de fotos que tirei na Europa ano passado de algumas logomarcas, palavras de ordem, lemas e correlatos, que por alguma razão eram incongruentes ou simplesmente interessantes; ou que, digamos, tivessem pseudo-traduções um tanto embaraçosas em português.

Uma agencia de viagens. Acho. Espero... [Paris, Julho 2009]


Você deixaria o seu dinheiro neste cofrinho? [Amsterdam, Julho 2009]


Você navegaria neste barco? [Paris, Julho 2009]


A caminho do dêmanchè [Giverny, Julho 2009]


Não sei se existe o conceito de contrabando ilegal na Holanda. Al Capone ficaria desempregado [Amsterdam, Julho 2009]


A vingança de Montezuma na maré vazante [Mont Saint-Michel, Julho 2009]


Porque Alan Moore é melhor que L. Ron Hubbard [Londres, Julho 2009]


Prioridades nacionais [Paris, Julho 2009]

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sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010

Casa, Rio de Janeiro
Do you find something wisible?

O embaixador Akbar Zib é um membro destacado do corpo diplomático paquistanes. Mas apesar do rígido protocolo que rege as relações entre paises, a sua nomeação para embaixador em Riad foi rejeitada quase imediatamente pela Arábia Saudita. Os Emirados Arabes Unidos e Bahrain tampouco estão interessados em acolhe-lo.

O problema, aparentemente, é que em árabe Akbar signica 'grande', ou 'o maior'; e Zib é gíria corrente para o orgão reprodutor masculino. Os Sauditas provavelmente não querem ligar a Al Jazeera e ouvir que 'Akbar Zib do Paquistão se ergueu em respeito quando o Rei Abdulah entrou no recinto', ou que 'fontes sauditas se dizem satisfeitas com a enérgica atuação de Akbar Zib do Paquistão'.

Só podemos imaginar qual foi a reação dos Sauditas quando tomaram ciência do nome do embaixador. Mas talvez não tenha sido muito diferente da reação dos romanos.



Mudando um pouco de assunto, e falando em italianos, a 25 anos foi preso no Brasil um importante mafioso.

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domingo, 2 de novembro de 2008

Casa, Rio de Janeiro
Plataforma eleitoral

É uma vergonha o tempo que fiquei sem postar. De qualquer maneira, a eleição americana é em poucos dias. Vale a pena conhecer os candidatos, seus programas e estilo de governo. No vídeo abaixo, Sarah Palin e Barack Obama apresentam suas propostas para a resolução pacífica de crises internacionais. Note as diferentes maneiras com que os dois abordam os complexos problemas apresentados pela conjuntura mundial


Abaixo, segue também um edificante trecho do debate entre Sarah Palin e Joe Biden. Um debate de idéias, sem ofensas pessoais e apelos vulgares. Um exemplo do certame retórico que ao mesmo tempo define e garante o que há de mais exaltado na democracia.

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quinta-feira, 17 de julho de 2008

Palace de les Aubergines, Paris

OS WRONSKIADAS

Com o sono e o jetlag acumulados
que da oriental praia de Copacabana
por ares pela Varig navegados
vim até Paris, com sono para uma semana

De bicicleta, ou perdido ou atrasado
pedalando além do que prometia a força humana
sobre cosmo remoto ouvi grande falatório
sob o céu de Paris, no venerável observatório

Uma foto (de celular) de Montmartre
(= Monte dos martires; aparentemente alguns cristaos foram pregados por la' no seculo I ou II)


Observaçoes rapidas: Velib até o observatorio, sem grandes problemas. Pedrestes muito simpaticos; motoristas ok, motociclistas psicoticos. Observatório de Paris fantastico. Fundado por Cassini, dirigido por Laplace. Palestras interessantes, em diferentes graus. Coffe break espetacular. Volta: Bastille/canal/Praça Estalingrado/Blvd. de lq Chapelle. Berinjela grelhada e goibada com catupiry de jantar. Muito sono.

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quarta-feira, 16 de abril de 2008

LNAC, Rio de Janeiro
Tibet, casseta e planeta

Meus posts sobre o mundo são em geral concebidos como pequenas notas ou comentários pontuais, mas acabam se expandindo em verdadeiros ensaios semi-acadêmicos (ou pseudo-acadêmicos, se vc não gosta do resultado) a medida em que os vou escrevendo. O post anterior é um exemplo deste fenômeno: entre 'new post' e 'publish' ele de alguma forma começou como a simples tradução de um comentário curto que fiz no Harry's Place para se transformar em uma análise da relação entre a historia recente do Tibet, repressão, autocracia light e a legitimidade de sistemas políticos.

O pessoal do Casseta & Planeta, por outro lado, nunca foi acusado de academismo, e resolveu o problema dos protestos contra a tocha olímpica de forma muito mais objetiva:

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sexta-feira, 14 de março de 2008

Laboratório de Neuroanatomia Comparada da UFRJ, Rio de Janeiro
Dia de falar como um físico

Nós físicos temos um dialeto próprio. Para quem não é da área, as vezes é altamente não-trivial entender o que estamos falando. E não me refiro a efeitos de ordem superior desprezíveis, tais como a mania de engolir letras, palavras ou fragmentos de frases, ou o olhar homicida quando nos perguntam qual o nosso signo. O fato é que, por afinidade natural e por educação, temos uma forma bastante não-canônica de ver o mundo, e de nos comunicar. Todo mundo se lembra de, ou já foi, uma daquelas crianças que perguntam 'Por que?' para tudo. Para as quais cada resposta, ao invés de satisfazer, só aguça mais a curiosidade, e dá origem à uma série recursiva de Por ques, como se naquela ponto do espaço-tempo a criança procurasse um conjunto completo de axiomas que explicasse o Universo.

Pois bem. Imagine esta mesma atitude, reforçada em várias ordens de grandeza por anos de estudo e/ou pesquisa e intenso treinamento matemático, e nutrida por uma certa tendência endogâmica de conversar e conviver com criaturas semelhantes. Pronto; pelo menos como uma aproximação em primeira ordem, o que você tem em mente é um físico.

Hoje é o dia do Pi (3.14 de 2008, na notação americana). Também é o aniversário do Einstein. Nada mais justo, portanto, que seja também o 'Dia de Falar como um Físico'
Então, se você já passou horas contemplando uma pilha de areia a procura da criticalidade auto-organizada, calculou a meia-vida de uma nota de R$10 esquecida na calçada, conta piadas de Heisenberg, fala do Jackson ou do Reed-Simon como outros discutem o Atlético ou o Palmeiras, e acha xkcd o melhor webcomic do mundo, então este é o seu dia. Estime o potencial engordativo da comida em eletron-volts, e não (kilo) Calorias; ao invés de se estressar com a instabilidade no Oriente Médio, externe suas preocupações a respeito da estabilidade do vácuo; calcule o tempo de viagem de seu ônibus usando uma integral de caminho.

Se, por outro lado, o parágrafo acima é grego para você (supondo obviamente um leitor não-helênico), aproveite a oportunidade para entender melhor esta estranha espécie com a qual você as vezes esbarra. Aprenda um pouco do seu vocabulário (em níveis básico, intermediário e avançado). Tente, pelo menos hoje, se imaginar na mente de alguem assim, que vê o mundo não como algo que simplesmente existe, mas sim como um quebra-cabeça que precisa ser montado. Não garanto que a experiência fará bem à sua sanidade; mas talvez por isso mesmo, você provavelmente irá ver o Universo com outros olhos.

Para terminar, alguns blogs de físicos ou que tratam de física:

Efeito Azaron, onde fiquei sabendo do DdFCuF
n-dimensional, que fez o cartaz
Utmost Xaos, o ocultista das forças especiais, que faz astrofísica nas horas vagas
Pará no Havai, que não está no Havaí, nem tampouco no Pará
Talk like a physicist; o nome já diz tudo
Humor na ciência
It's equal, but it's different, um excelente blog científico (razoavelmente) sério escrito por um físico brasileiro
Cosmic Variance
Imaginary Potential

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quarta-feira, 12 de março de 2008

Casa, Rio de Janeiro
Como enlouquecer uma mulher na cama

Algumas técnicas para quem quer deixar a patroa doidona no leito conjugal:

1 - I see dead people

Quando ela acordar, ignore totalmente a sua presença. Carregue consigo uma foto dela, e fique choramingando em volta da cama: 'Alice*, porque você morreu? Eu não consigo aceitar que você se foi, meu amor, é quase como se você ainda estivesse aqui comigo no quarto. Brrr, que frio!'

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* Supomos aqui para fins ilustrativos que ela se chama Alice e você, Bob

2 - Deu tilt em Gmn=-8piG/c^4Tmn

Com superbonder, cole todos os moveis do quarto no teto. Quando ela acordar, diga que um pseudo-vácuo meta-estável decaiu, e que a gravidade agora é uma força repulsiva.

3 - O médico falou para não contrariar

Sem que ela acorde, leve-a até a cama de um vizinho/cúmplice. Quando ela acordar, e perguntar onde está, o vizinho deve sorrir amigavelmente como se já tivesse ouvido a mesma pergunta várias vezes, e dizer que não conheçe nenhum Bob, e que o nome dela não é Alice, mas sim Eva; e que o Dr. Schor virá mais a tarde para mudar sua medicação.
BONUS: Ache um comparsa estrangeiro, que fale com ela em sua lingua nativa, mas que ela seja capaz de entender ('Nein! Sind Sie frau Eva')

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sábado, 1 de setembro de 2007

Gerador de escudo, Lua florestal de Endor
Star Wars Simpsons

Fantástico! Agradecimentos ao Luiz Pimenta


(Rich Cando)

UPDATE: Segundo o youtube, This video is no longer available due to a copyright claim by Twentieth Century Fox. Que coisa estúpida! Em primeiro lugar, isto não é verdade (paródias são explicitamente permitidas pela doutrina de fair use; ninguem pensa em proibir o Spaceballs, e os Simpsons certamente usam e abusam do gênero). Além disso, um video destes é um comercial pro-bono de alta qualidade para dois franchises da Fox! Não é a toa que a industria de 'entretenimento' está enfrentando problemas, pois ela é claramente liderada por imbecis.

UPDATE2: Achei um link que ainda funciona. Vamos ver quanto tempo dura.

UPDATE3: O plantão do ml42 informa: O Pavarotti morreu. Não fui eu, tenho um álibi!

UPDATE4: Minesweeper the Movie
Brilhante!

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domingo, 5 de agosto de 2007

quinta-feira, 26 de outubro de 2006

Casa, Rio de Janeiro
Uma historia em 6 curtas palavras

A Wired pediu a vários autores de ficção científica, projetistas de jogos, autores de quadrinhos e outros nerds em geral, que escrevessem historias de seis palavras. A lista completa pode ser encontrada aqui, mas transcrevo algumas das melhores abaixo:

Machine. Unexpectedly, I’d invented a time <== A minha favorita!
- Alan Moore

Computer, did we bring batteries? Computer?
- Eileen Gunn

Gown removed carelessly. Head, less so.
- Joss Whedon

Internet “wakes up?” Ridicu -
no carrier.
- Charles Stross

It’s behind you! Hurry before it
- Rockne S. O’Bannon

I’m dead. I’ve missed you. Kiss … ?
- Neil Gaiman

The baby’s blood type? Human, mostly.
- Orson Scott Card

Kirby had never eaten toes before.
- Kevin Smith
Help! Trapped in a text adventure!
- Marc Laidlaw

Por outro lado,

O Hitchhiker's Guide to the Galaxy, de Douglas Adams, é um dos livros mais divertidos que eu já lí. É também um dos programas de rádio mais divertidos que já ouvi. E agora, é um dos jogos de adventure de texto mais engraçados que já joguei.

A Infocom, famosa por seus adventures de texto ('>>pick up book' >>'go east'), colaborou com Adams para criar em 1984 o que muitos consideram um dos melhores e mais dificies jogos deste tipo já criados, alguns anos antes do gênero desaparecer frente aos adventures gráficos da Sierra e da Lucasarts. O jogo também era bastante inovador, com uma versão consultável do guia homônimo, com várias sacadas interessantes. Ele usava a interface de texto para de certa maneira trancender as limitações do formato.

Pois bem, descobri hoje que o HHG2tG também pode jogado no site da BBC, com uma interface ligeiramente gráfica. É difícil, e frustrante. Não só os puzzles são complicados e muitas vezes illógicos (estamos falando de Douglas Adams! O que esperavam, teoremas?!), mas também você morre o tempo todo, e as vezes tem que voltar vários savegames porque esqueceu de pegar algum objeto em uma cena anterior. Lembrem-se que o jogo for feito quando 640K era muito e os dinossauros dominavam a Terra. Interfaces gráficas eram para os fracos, e Monkey Island era ficção científica. Mas vale a pena, nem que seja pelo texto do Adams.

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quinta-feira, 28 de setembro de 2006

Casa, Terra dos Papagaios
Resumo da Ópera


Lula: ...

Heloisa Helena: Eu tenho soluções simples para problemas complicados. Eu vou tirar o dinheiro dos &^*^#& dos banqueiros, e gastar. E então gastar mais um pouco. Isto resolverá todos os problemas. Que são culpa do FMI, naturalmente.

Geraldo Alckmin: Eu. Tenho. Soluções. Complicadas. Para. Problemas. Simples. Eu. Vou. Dar. Um. Choque. De. Gestão....<placas tectonicas se movem>... Não. Farei. Nada. De. Particularmente. Diferente; mas. Farei. Melhor. Com. O. Meu. "Plano nacional de elaboração de planos para resolver todos os problemas".

Cristovam Buarque: Eu tenho metáforas poéticas para problemas de qualquer grau de complexidade. A alma é como um girassol seguindo o Sol da educação, que tinge rubras as nuvens da militância engajada. *Gollum* *Gollum*

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segunda-feira, 28 de agosto de 2006

Casa, Rio de Janeiro
Keep walking II

Eu tinha a intenção hoje de escrever um post explicando o que diabos é a conjctura de Poincaré (e o que em breve será o Teorema de Perelman), e tentar dar uma ideia de como o Grigory Perelman conseguiu prova-la. Mas acabei passando o dia ou cuidando do Gabriel (que aparentemente se tornou adepto de power naps de 30 minutos, intercaladas com momentos de mal-humor), ou passeando com o Bilbo, ou fazendo compras, ou cozinhando. Acabo de ninar o Gabriel pela 4 vez essa noite; agora vou ler o jornal, tomar banho e dormir. O Perelman que espere.

PS: No Líbano a notícia é a entrevista do Nasrallah. Para alívio do Fernando não tenho saco agora para uma análise mais detalhada*.

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* Mas como diria o Magueijo, High Bullshit Content



A aviação israelense destruiu boa parte das pontes no Líbano, para impedir que o HA transportasse foguetes para dentro do país e reféns para fora. Claro que a maior parte dos milhões de libaneses que usavam as tais pontes nunca chegaram perto nem de uma coisa nem de outra. HT: Beirut Spring

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quarta-feira, 23 de agosto de 2006

Casa, Rio de Janeiro
Procura-se

Não, este não é um post sério sobre o física quântica, ou sobre o tal gato de Schrödinger. Mas continuando no tema de cartazes de 'Procurado':



HT: halfbakery

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terça-feira, 22 de agosto de 2006

Casa, Rio de Janeiro
Instituto oferece milhão para quem achar Perelman



Brincadeira...

Para quem não sabe quem é Grigory Perelman, veja o meu post anterior

Como muitos esperavam, ele ganhou a medalha Fields, o mais alto prêmio da matemática mundial, por sua brilhante demonstração da conjectura de Poincaré. Como muitos temiam, ele não só não apareceu na cerimonia, como recusou a medalha, e o prêmio concomitante de U$ 1.000.000. Ele também deve ter direito a um outro prêmio, também de 10^6, oferecido pelo Clay Institute.

No fim, o jornal britânico Daily Telegraph finalmente achou o dr. Perelman. Não, como havia sido especulado, na Sibéria em combate mortal com ursos polares ou na Academia de Ciências de Vulcano, mas na casa da mãe*. Eles entrevistaram o cara, que parece ser efetivamente gente boa, mas com problemas sérios de auto-estima. Ele ainda não se decidiu sobre aceitar ou não o premio do Clay, apesar de viver desempregado com a mãe em São Petersburgo após se desentender com o seu antigo instituto de pesquisa. Grigory aind precisa aceitar a ideia de que o que ele fez É importante e que ele MERECE o prêmio...


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* Manchete: World's top maths genius jobless and living with mother

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quinta-feira, 10 de agosto de 2006

And now for something completely different

O governo israelense aprovou planos para um invasão em grande escala do Líbano até o rio Litani. As articulações diplomaticas para um cessar fogo colapsaram, com recriminações mútuas entre EUA e França.

E Amahdinejad espera a volta iminente do Imam oculto...

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quarta-feira, 13 de abril de 2005

Casa, Rio de Janeiro

O André e o Alastair organizaram um grupo para fazer um levantamento arqueológico na serra de Moeda. Veja detalhes neste post no blog do Fernando. O grupo partiu de BH, e nunca mais foi visto. A presente narrativa é uma reconstrução a partir de fontes fragmentarias e entrevistas com os habitantes locais.

Moeda: Portal para o Inominavel
compilado por Bruno Mota

DRAMATIS PERSONAE

André, Arqueólogo. Diretor do projeto.

Alastair, Arqueólog. Co-Diretor do projeto e gringo de plantão.

Fernando, Designer. Acumula as funções de fotógrafo, cinegrafista e designer.

Daniele "Dani", Arquiteta. Responsável pelos Croquis.

Ricardo "Tala", fotógrafo. Abandonou o posto da fotografia, assumido por Fernando, e é o Administrador. Cuida de toda a burocracia, gastos e supervisão geral.

Reginaldo "Regis", Historiador. Responsável pela parte de historiografia.

"", Estudante de Turismo. Faz-tudo, faz o leva e traz, cuida dos equipamentos, suprimentos e alimentação.

CENA I - Land Rover superlotada, dia

FERNANDO> André, vai caber todo esse povo na fazenda?

ANDRE> Não se preocupe, estão todos viajando. A fazenda estará deserta. Sera ótimo.

ALASTAIR> Where are we going again?

REGIS> É melhor começar a trabalhar. Para aí perto daqule casebre para começarmos as entrevistas.

A LR para. Um matuto abre a porta do casebre e olha o grupo com desconfiança. FERNANDO tira inúmeras fotos.

REGIS> Com licença meu senhor, o que você sabe sobre a velha fundição?

MATUTO> grgmbmlemdbagmbuyashubnigurathnyarlatothepcreoignem.... --- Bate a porta.

FERNANDO> Orra meu, vamo embora. Cara grosso. A gente continua isso amanha.

RICARDO> Estou precisando mesmo de uma viagem para relaxar. O lugar é tão agradável, e o dia está lindo...

Começa a chover. Muito.

GÒ> Com esta chuva, não seria melhor voltar outro dia?

ANDRE> Bobagem! Minha LR passa por qualquer lama, o que de ruim poderia acontecer?

ALASTAIR> I thought we were going to the beach...

A chuva piora. A LR derrapa. Um raio cai sobre uma arvore, que cai sobre a estrada momentos depois da LR passar.

GÓ> Eu quero voltar!

ANDRÈ> Não se preocupe, já fiz isso milhares de vezes. Nada de ruim vai acontecer!

ALASTAIR> Can I surf with this rain?

Um relâmpago cai ao longe, iluminando uma figura vagamente humanoide no topo de uma colina


CENA II – Fazenda, à noite, chuva forte. Todas a janelas estão abertas, símbolos estranhos foram talhados no assoalho.

RICARDO> Que decoração... Peculiar.

REGINALDO> Hmmm...

ANDRÉ> A caseira nova ainda não pegou o jeito. Mas são só uns arranhões. Não tem problema nenhum, o que mais pode dar errado?

DANI começa a fazer esboços das inscrições. ALASTAIR encera sua prancha. FERNANDO tira fotos. ANDRE emburra e começa a dar voltas em torno da escada.

FERNANDO> O quarto com o pentagrama é meu. Falei primeiro!

Barulho de cascos do lado de fora.

GÒ> Que barulho estranho. Estou morrendo de medo! Por isso, vou sair sozinha lá fora e investigar.

Passos. Silencio. Grito, interrompido bruscamente. Barulho de mastigação.

ANDRE> Gó, quando você terminar de brincar com os cachorros não se esqueça de limpar os pés. Se não sujarmos a casa vai ficar tudo bem.

FERNANDO> Vou dormir.

DANI continua desenhando como que em transe. ALASTAIR examina demoradamente sua prancha.

CENA III Fazenda, de manha. Neblina pesada


Todos se reúnem na mesa da cozinha, exceto GO e FERNANDO. A nova caseira esta preparando um cozido. Ela possui vasta cabeleira, veste um pesado manto negro, exala leve odor de putrefação e tem a pela acinzentada. Na panela, nacos apetitosos de carne cozinham no molho espesso. Um dos nacos está grudado em um farrapo onde os dizeres ´Turismo 2004´ainda podem ser lidos. Ninguém comenta sobre a aparência inortodoxa da caseira porque ela é nova e não querem constrange-la.

ANDRE> O Fernando não acorda!

DANI> Eu passei no quarto dele e ele não estava mais lá. Acho que já foi. Eu peguei a câmera dele.

ANDRE> Então vamos comer e picar a mula. Vai dar tudo certo hoje!

ALASTAIR> Now can we go to the beach?

Eles comem e picam a mula. Começam a caminhar em direção as ruínas. ALASTAIR leva sua prancha. No caminho, encontram estranhas pegadas de cascos bovinos, grotescamente deformados.

RICARDO> (saca uma foto do bolso de sua camisa vermelha) Esta é minha mulher e meus dois filhos. Quando a guerra terminar vou comprar uma fazenda lá em Iowa.

TODOS> Uhh...Ok.

RICARDO> Dá para ir mais devagar? Estou ficando cansado, essa nevoa púrpura ta me deixando enjoado.

ANDRE> Deixa de frescura. Vamos indo

ALASTAIR> Yeah! Now we are finally getting somewhere! --- Faz uma onda com as mãos.

RICARDO vai ficando para trás. Na tentativa de acompanhar os outros, tropeça. No chão e desorientado, ouve o tropel de cascos artiodactilos. Seus olhos reagem com terror ao que vê, mas o seu grito mal sai da garganta quando é interrompido bruscamente. Ruídos de mastigação.

ANDRE> Rosinha! Tava preocupada sô! Fica aí brincando com o Ricardo enquanto a gente vai trabalhar, fica.

REGINALDO> Gente, tem algo que eu talves devesse ter falado para vocês antes... --- O grupo emerge da mata e vê as ruinas. Reginaldo se cala.

CENA IV – Ruínas. Os modestos restos da antiga fundição são cercados por várias torres de aspecto intimidador, cobertas por gárgulas vagamente bovinoformes em poses torturadas. Está anoitecendo, começa a ventar forte. Do interior da maior das torres emerge um barulho surdo e ritmado. Reginaldo fica cada vez mais agitado. Dani olha as imagens na câmera digital de Fernando. Subitamente o terror se espalha por seu rosto

DANI> Gente!! Vocês deviam ver isso!

ANDRÈ> Não temos tempo para turismo! – Entra na torre mais alta

ALASTAIR> I can already smell the ocean. André, wait!

REGINALDO e DANI contemplam as cenas no display da câmera. Fotos que Fernando distraidamente tirara de si mesmo. Fernando. Fernando e o Pentagrama. Fernando e o Pentagrama fosforescente. Fernando, o Pentagrama fosforescente e a nevoa. Fernando, o Pentagrama fosforescente, a nevoa e uma criatura disforme com aparência de vaca, com garras e dentes afiados. Fernando em pedaços, o Pentagrama fosforescente, a nevoa, a criatura disforme com aparência de vaca, e um portal para o que parece ser o interior da torre. O Pentagrama.

REGINALDO e DANI ouvem um tropel distante. Começam a gritar.

ANDRÈ> Parem de gritar seus malucos. Fiquem quietos e tudo ficará bem.

ALASTAIR> They are already in the water! Wait for me!

Enquanto prestam atenção na comoção, ANDRE e ALASTAIR colidem com os corpos destroçados e pendurados de GO, FERNANDO e RICARDO, que batiam ritmicamente contra a parede. A cada pancada, as inscrições em baixo relevo ficavam mais distintas e brilhantes.

TODOS> AAAHHHH!!!!

REGINALDO e DANI entram correndo na torre. São seguidos por várias criaturas bovinoformes de horrenda aparência. As criaturas emitem mugidos abissais enquanto cercam o grupo em pânico. As inscrições agora brilham fortemente; os corpos pendurados sofrem espasmos enquanto ressecam; uma nevoa fina se espalha como se dotada de vontade própria, envolvendo o grupo no centro da sala e as criaturas antes de sair em direção ao breu externo.

ANDRÉ> Fiquei juntos, vai dar tudo certo.

ALASTAIR> André, you were right about these cariocas. They are really rude.

REGINALDO> É culpa minha. Eu reconheci as inscrições na fazenda. Muitas historias são contadas sobre as estranhas criaturas que rondam estas ruínas. Entre murmúrios semi-coerentes dos matutos locais há referencias a entidades inomináveis que acordariam do seu sono milenar quando as estrelas estivessem alinhadas.

DANI> Você quer dizer... Estas criaturas?!

REGINALDO> Não! Elas são apenas seus arautos. As inscrições na fazenda são uma prece para a sua invocação. Estas inscrições aqui são muito piores, elas invocam a horrível... a mãe... a...

FIGURA ENCARQUILHADA DE PRETO> ---Emerge das sombras --- Shub Niggurath, a mãe de escura prole!!!

ANDRÉ> O Marido da Selma!!

MARIDO DA SELMA (formely known as FIGURA ENCARQUILHADA)> Vocês me expulsaram, vocês riram das minha vacas. Pois riam agora. As minhas filhas foram abençoadas por Shub Niggurath, e vocês serão o primeiro sacrifício sobre o seu altar!

Um barulho grotesco e não natural se faz ouvir fora da torre. Algo se aproxima. Um rumor de flautas sopradas por bocas não-humanas se espalha como um eflúvio.

ALASTAIR> Is this funk music? It sucks!

DANI> Aaaahhhh! Deixa cair seu bloco de anotações, que se abre na pagina onde copiou as inscrições da fazenda.

REGINALDO> As inscrições! Começa a ler em uma língua gutural “Iee Inomine Alae Isvrequië...”

MARIDO DA SELMA> Tolos! Eu já fiz a invocação dos Úberes Tartáricos! As vacas do inferno responderam ao meu chamado, elas obedecem somente a mim! Nada sobre a terra ou debaixo dela se erguerá para salva-los agora!

Barulho de passos se aproximando. Mato se mexendo, galhos se quebrando. O perfil de uma figura alta aparece na entrada da torre.

FIGURA ALTA> O André, eu acordei hoje e tive a impressão que tinha jogo. Vamos jogar Dragonlance ou aquele MERP estranho do Bruno?

ANDRÈ> Vaca? Ricardo Vaca!

VACA> É, eu tive a impressão que alguém estava me chamando e...

Ele para no meio da sentença, e contempla as criaturas bovinoformes. Eles se olham inicialmente com surpresa, depois com espanto, e finalmente com o reconhecimento fraternal de uma família a muito separada.

MARIDO DA SELMA> Não! Não dêem atenção a este impostor, suas criaturas estúpidas. Ataquem estes intrometidos. Rápido, Ela se aproxima!!

VACA> Quem é esse cara? Não fale assim com elas. Elas podem ser feias e sanguinárias, mas são da minha família e eu as amo!

MARIDO DA SELMA> Infeliz! Incauto Oligofrênico! Mentecapto dez vezes amaldiçoado! --- Sua mão ossuda emerge de sob o manto, com terríveis garras recurvadas. Com velocidade incomum ele cruza o recinto e rasga o ventre de VACA.

VACA> Aaargh!!

CRIATURAS> MUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUU!!!!!!!!!!!!!!!

MARIDO DA SELMA> Não!! Eu.. Parem... Arghhh!!!

Ele é despedaçado pelas enfurecidas criaturas. As criaturas ficam cobertas por seu sangue e entranhas. De alguma maneira ele se mantém em consciente agonia.

MARIDO DA SELMA> Voltem aqui! Vocês precisam ficar, Ela exige um sacrifício!

Ele estende as garras na direção do grupo. É atingindo em cheio por uma prancha lançada com destreza por Alastair.

ALASTAIR> This is a violent city indeed. I am glad the SAS training paid off though.

ANDRÈ> Vamos sair daqui enquanto é tempo. Me ajudem a carregar o vaca. Vai dar tudo certo!

O grupo sai correndo pela noite escura. Ouvem atrás de si o barulho de algo muito grande emergir da mata e entrar na torre. Gritos e ruídos inomináveis, e depois o silencio. Ninguém ousa olhar para trás.

Depois de correr por vários minutos, eles notam que não sabem onde estão. O terreno em volta não lembra nada que exista nas vizinhanças de Moeda. Enquanto ponderam este enigma, um velhinho, baixo, careca e vestindo uma túnica vermelha emerge de trás de uma pedra, e sorri enigmaticamente.

FIM (ou o começo...)

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sexta-feira, 16 de julho de 2004

QM, Londres

Hoje sai depois do almoco do QM. Fui no Imperial War Museum. A exposicao sobre o Dia-D foi meio decepcionante, mas eu gosto do IWM (nao e' um museu muito reflexivo, mas o acervo e' muito interessante). De noite, fui assistir a primeira parte de Henry IV* no anfiteatro do Regent's park. Estudante paga £10 (o menor preco), e fica com o melhor assento disponivel no dia. Se a peca lota, vc vai em pe'. Mas hoje fiquei na melhor secao, logo de frente para o palco.

Eu gosto da peca (e' a unica que e' efetivamente engracada, embora seja uma tragedia**), e gostei da montagem (e' a primeira vez que vejo esta peca em particular). Eles conseguiram fazer com que a maior parte dos dialogos soasse natural (mas e' meio complicado manter uma torrente de sentencas complicadas durante uma luta de espadas). O Falstaff e' duca, com um timing comico que eu nunca vi numa peca do balancador de lancas de Stratford.

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* Shakespeare e' igual aos filmes do Rambo. No primeiro (Henry IV, Rambo I) o principe Hal (futuro Henry V)/Rambo e' um personagem dividido, que rejeita sua vocacao marcial, e so' a contragosto sai na porrada (no final). No segundo (Henry V, Rambo II) ele ja' superou estas duvidas e o pau come solte para seus desafetos (franceses/vietnamitas). Profundo...
** Hamlet no McDonalds:
' Coisa admiravel o Big Mac, tao cheio de hamburgers & alface, dotado de excelso queijo e refinado molho especial, e mesmo assim repleto da malicia infinita do colesterol. Escolheria-o eu, senao pelo aviso do fantasma de meu pai, e entao pelo Cheddar me inclino. O' nobre feicao do queijo derretido, a duvida me corroi as entranhas, ha' mais opcoes entre o ceu e a terra que caberiam em meu vao estomago. Cheddar ou big mac, eis a questao. E depois de comer, dormir, sonhar talvez? '

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