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sábado, 18 de julho de 2015

Casa do Reza, Londres
Na lama em Londres

Pausa para cachimbo
Cheguei em Londres ontem de tarde, depois de uma breve mas produtiva visita aos meus colegas na universidade de Reading. Hoje foi o meu último dia completo por aqui antes de voltar para o Rio amanhã. Obviamente, resolvi fazer algo memoravel e tipicamente Londrino. Chafurdar na lama do tio Tâmisa a procura do lixo produzido pela cidade ao longo das eras se encaixa perfeitamente nesta descrição,  então aceitei o convite do Alastair para uma manhã de mudlarking.

Londres foi fundada pelos romanos pouco antes da era cristã, e o Tâmisa foi sempre a sua principal artéria de transporte, fonte de enguias comestíveis e esgoto. Ao longo dos milênios,  romanos, celtas, saxões, normandos, e finalmente ingleses sob dinastias várias, viveram e morreram ao longo de suas margens. E, sempre que precisavam se livrar de algo, o rio estava convenientemente logo ao lado.

Todo ano, os resíduos destas eras passadas se desgarram de aterros ou são arrastados pela correnteza, e depositados nas margens do rio. Moedas, cerâmica,  balas de mosquete,  ossos de animais domésticos (e o ocasional humano), e os indefectíveis cachimbos de barro. E na maré baixa, um grupo de excêntricos de todos os naipes procura e cataloga avidamente tais relíquias,  o descarte inconsequente das eras passadas. Estas pessoas são conhecidas como 'mudlarks'. O meu amigo Alastair, arqueólogo e quinteseencialmente inglês, é um deles.

A partir do extremo sul da ponte de Londres, rapidamente encontramos uma escada lodosa decendo até a margem. A maré baixa havia exposto um aluvião de cascalho e lodo, irregular e coberto de forma exparsa por lixo mais moderno e de, digamos, menor interesse arqueológico  (e.g. rodas de bicicleta, garrafas de cerveja e uma barbie decapitada). Os objetos realmente antigos não são particularmente notáveis neste contexto, mas o Alastair demonstrou habilidade incomum ao se abaixar repetidamente para pegar algo que aparentava ser um cascalho ordinário, mas era na verdade um cachimbo do século XVII ou um caco de porcelana Tudor.
Mudlarking é um passatempo, mas isto não significa que não seja bem organizado. Existem licenças a serem obtidas, para níveis sucessivos de complexidade e experiência. Iniciantes podem simplesmente pagar algumas libras ao Museu de Londres e obter uma carteirinha e o direito de retirar objetos encontrados sobre a superfície. Cavucar, cavar e usar detectores de metal demandam níveis mais elevados de habilidade demonstrada, e carteirinhas específicas.

Continuamos a nossa procura, inicialmente pela margem sul, e em seguida pela margem norte (onde a cidade foi fundada, e onde formalmente ainda existe exclusivamente, a chamada City of London). O resultado é o que mostra a foto abaixo. Cacos de ceramica de épocas várias,  e diversos cachimbos (vendidos após 1600 já cheios de tabaco, e muitas vezes descartados após um único uso); uma bala de mosquete, dentes de cavalo, um prego e um pedaço de tijolo com um buraco para fixacao. Nada que seja particularmente excitante para um mudlark experiente; mas como foi a minha primeira busca, e algumas destas coisas são quase mais antigas do que o meu país, elas vão comigo para o Brasil.

Depois que maré subiu, nos encontramos com a Sarah, uma amiga portuguesa radicada em Londres, e fomos para um pub em Fleet Street chamado ye Olde Cheshire Cheese, quase tão antigo quanto os tais cachimbos, e aparentemente frequentado pelo Samuel Johnson em eras passadas. Após uma boa refeição, fomos de bicicleta (e metrô,  no caso do Alastair) até Greenwich,  admirar o Cutty Sark e o museu naval. Me despedi de meus amigos e voltei para o norte de Londres, onde estou hospedado. Fiz um stir fry vegetariano para meus anfitriões, e sob o sol poente fizemos um tour a pé da região, por matas ancestrais (algumas das mais antigas destas ilhas) e colinas esculpidas por geleiras paleolíticas. Termino o dia agora, um dia estimulante e talvez excessivamente cheio de atividades; e uma analogia perfeita para esta minha estada na Inglaterra que agora termina.

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quarta-feira, 14 de agosto de 2013

Queen Mary, University of London, Londres
Até o fim do mundo


Aqui em Londres, a Escócia é considerada um lugar remoto, setentrional, e um tanto exótico e selvagem. Em Edimburgo dizem o mesmo a respeito das Terras Altas. Em Inverness, a principal cidade da região, os condados de Sutherland e Caithness, no extremo peninsular nordeste do pais, são vistos como ermos e ignoráveis, uma espécie de Acre local. Pois bem; ao nordeste de Caithness, do outro lado de uma nesga do mar do norte, fica Orkney, um arquipélago de ilhas varridas pelo vento cujos 20.000 habitantes mal se consideram escoceses (Escócia é o que se encontra do outro lado do canal, eles dizem). Para eles Edimburgo é uma metrópole sulista remota, Londres é um rumor distante e a Europa continental um mito perdido nas brumas.

 Foi para lá que eu fui.

Orkney também é uma das regiões de habitação continuada mais antigas da Europa. A cinco milênios, o clima era ameno e a terra, fértil. O vento quase constante implicava na ausência de árvores, porém, o que fez com que os habitantes locais, neolíticos e posteriores, usassem o arenito local (que se quebra naturalmente em convenientes lajes) como o principal material de construção. O resultado é um dos maiores e mais bem preservados conjuntos de ruínas neolíticas do mundo. Em um pequeno trecho que corta a ilha através de um istmo entre dois lochs (o Ness of Brodgar), é possível visitar a tumba de Maes Howe, uma colina oca que de dentro parece uma catedral de pedra, os círculos de pedras de Stennes e Brodgar, e encontrar o mar na baia de Skaill, onde a antiga mas bem preservada vila de Skara Brae ainda guarda um pouco do flinstoniano charme rural de 3180 AC.

Foi lendo sobre Skara Brae em um história de ficção científica que primeiro tive vontade de visitar Orkney, duas décadas atrás.
Skara Brae foi abandonada 600 anos depois de sua construção. Não se sabe o que aconteceu com seus habitantes. Posteriormente, os pictos e depois os vikings se estabeleceram nas ilhas. Longe de ser um lugar remoto, durante o período viking Orkney se situava na confluência das rotas de comercio e pirataria nórdicas (a única diferença entre um e outra é se as transações eram voluntárias ou não), entre a noruega e as ilhas birtânicas, e com acesso direto para a Islândia e Groenlândia. Até o século XIII o arquipelago era parte do reino da Noruega. Em Maes Howe ainda se vê o grafite rúnico de visitantes vikings.

Passei 5 dias pedalando em Orkney. Visitei sitios arqueológicos, museus idiossincráticos fundados por habitantes locais e entrei em uma linda capela construída por prisioneiros de guerra italianos durante a IIa Guerra Mundial; conversei com os locais e fiquei amigo de meus hosts de couchsurfing; comi um queijo local que é indistinguível de queijo minas; visitei a quase selvagem ilha de Hoy, e entrei em uma tumba esculpida diretamente em um bloco de pedra e caminhei ao lado de paredões vertiginosos erodidos pelo Mar do Norte.

Este último ponto é importante. Toda esta beleza costeira se deve em grande parte a um arenito local relativamente frágil e um Mar do Norte dado a humores violentos. Ao longo dos séculos, o litoral destas ilhas vem sido rapidamente erodido. Skara Brae foi construída a alguma centenas de metros da costa, mas graças à erosão e a elevação do nível do mar pós-glacial, hoje se encontra quase na praia. É possível que em algumas décadas as ruínas sejam levadas pelo oceano, como provavelmente o foram inúmeros outros sítios semelhantes. A coluna de pedra que surge dramaticamente do oceano, o Old Man of Hoy, já foi um arco, e um dia talvez não muito distante será uma pilha de entulho. Isto talvez tenha criado uma certa urgência subconsciente para a minha ida; eu não sei. O fato é que após ter estado por lá, me sinto mais, e não menos, atraído por este fim de mundo que quero muito visitar novamente.

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domingo, 21 de novembro de 2010

Kelly's & Pam's, Chicago
Orientalismos

O museu do Oriental Institute não é a maior, ou a mais famosa, coleção arqueológica sobre o Oriente Médio. Mas é uma das mais bem cuidadas. São 6 ou 7 salas com temática regional ('Mesopotamia', 'Persia', 'Egito', etc.), além de uma sala extra para exposições temporárias (a história da escrita desta vez; eu perdi o tesouro real de Ur por uma questão de meses). E, seja devido ao foco, o pequeno tamanho, ou a frequente presença dos acadêmicos do instituto (que é um dos grandes centros mundiais de pesquisa na área), a experiência para um nerd de arqueologia como eu é muito mais envolvente.

Eu já havia dado uma volta completa no museu quando notei um senhor com aparência de acadêmico discorrendo animadamente sobre a reciclagem de cobre entre os sumérios para um casal (os sumérios inham pequenas jarras de cerâmica onde colocavam o refugo de cobre, para futura reforja).

Bom, eu obviamente me agreguei ao grupo, e acabei acompanhando uma retrospectiva dos melhores momentos do Oriente Médio, 3000AC-700AC. O guia em questão era muito bem informado, e traçava paralelos interessantes entre o conhecimento arqueológico atual e o conteúdo do velho testamento (que é uma narrativa um tanto enviesada, mas certamente histórica, da antiguidade pré-clássica no Levante). De fato, um dos artefatos mais preciosos da coleção é o chamado prisma hexagonal de Sesnacherib (um poderoso rei Assírio), um bloco de arenito coberto de inscrições detalhando os feitos e obras do dito cujo. De acordo com o nosso guia, uma das passagens do prisma relata, com a falta de modéstia usual dos monarcas da época, como Sesnacherib certa vez ele prendeu um certo 'Hezekiah o Judaita' em sua cidade sagrada. Mas cercos são em geral dispendiosos e demorados, e não eram um expediente a que se recorria quando o propósito era simplesmente assustar os oponentes e limitar temporariamente seus movimentos! De fato, o que o prisma *não* diz é que Sesnacherib conseguiu invadir e saquear a tal cidade. Pois bem; um cerco assírio da cidade de Jerusalem, no reinado de uma tal de Ezequiel, é relatado na Biblia. Segundo a mesma, Deus enviou uma praga contra o exército invasor, que foi assim forçado a levantar o cerco. Embora eu considere condições pouco sanitárias muito mais plausíveis como causa do que a intervenção divina, ainda assim é notável que podemos relacionar historicamente um evento narrado na Biblia. Ao que parece, a narrativa do tal prisma é uma tentativa cara de pau de criar um spin positivo para a história de uma derrota. Algo como a 'Mãe de todas as batalhas' de Saddam Hussein. Pode parecer ridículo, mas na ausência de meios de informação e/ou registros históricos alternativos, e dado a obvia relutância, por uma questão de pura auto-preservaçao, da parte de súditos de apontar a obvia picaratagem para o Sesnacherib (ou para o Saddam), creio que na época o truque pode até ter funcionado.

Falando em alterações do registro histórico, e mantendo o foco no simpático Sesnacherib, veja esta procissão esculpida que figurava na entrada do seu palácio:



A figura na extrema esquerda é o rei (que possivelmente era, na época da escultura, um principe no reinado de seu pai, Sargão II), com sua barba característica, uma joia no pulso que parece um relógio (eram os deuses astronautas!) e faixa na cabeça. Os demais são eunucos, formando algum tipo de guarda de honra. Mas note a segunda figura... Existe uma depressão na pedra, de formato retangular, logo abaixo do seu rosto. Ele claramente era uma figura hirsuta, que foi posteriormente cuidadosamente barbeado. Ele também tinha uma faixa na cabeça, assim como o rei. Além disso, o nome Sesnacherib quer dizer 'Aquele que foi abençoado com irmãos'. Tudo indica que o 'eunuco' era na verdade um jovem príncipe, que foi desaparecido pelo irmão logo antes ou depois de sua acenção ao trono! Algo como os expurgados por Stalin que igualmente desapareciam da fotografias no Pravda...

Hoje eu fiz um jantar para os meus amigos aqui, mas a história vai ter que esperar até o próximo post, que já está tarde. Hoje volto ao Brasil.

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sábado, 17 de setembro de 2005

Casa do Bernardo, Rio de Janeiro

Estou aqui na casa do Bernardo, surrupiando WiFi de alguma pobre alma insuspeita. Eu e a Ceci acabamos de levar uma surra no buraco, então vou afogar minhas magoas descrevendo meu feriado & fim de semana.

Fui para a fazenda do André (no Portal do Inominavel, aka Moeda) para ajudar no levantamento arqueologico que eles estão fazendo. A equipe já foi descrita e parcialmente esquartejada no post com a historinha, a unica correção é que a Gó na verdade é o Gó. Embora julgando pela quantidade de artigos de higiene & beleza que ele leva o erro não foi tão grande assim (desculpe Gó, não pude evitar).

A ideia do levantamento é a seguinte: Por amostragem, definem-se faixas de terreno a serem investigadas, a procura de vestigios arqueologicos do que quer que seja. Nós então nos postamos em linha, e avançamos, sem desviar, passando por quaisquer rios, buracos, ravinas e matagais no caminho, com um facão na mão e o espirito do Howard Carter na cabeça. Além de alguns arranhões e vários carrapatos, sobrevivi incolume. Não achamos nada de espetacular, cidades perdidas ou templos ciclópicos, somente alguns aterros, restos de um casebre e um muro de pedra. No final do dia acampamos no topo da serra. Tive uma noite semi-miseravel, com vento e chão duro, mas tudo bem. No dia seguinte, o grupo iria continuar a busca, e eu tinha que voltar para BH para um pré-natal com a Ceci (tudo ok). Fui então com o Tala de volta para a cabeceira da trilha. O Tala é um cara muito gente fina, responsavel por montar e desmontar o acampamento, mas é um adepto da prática do tratorismo: Ele decide que vai 'por ali', e vai, passando por cima. Foi claudicando atras dele, e cheguei meio morto no ponto de encontro, cheio de carrapatos, e morrendo de fome e sede. Muito legal! Se pudesse voltava na semana seguinte.

Me encontrei com o Fernando e a Mi, almoçamos, e eles me levaram direto para o consultorio. Eu estava um bagaço, com o rosto queimado e descascando, multiplos carrapatos e dores generalizadas; pensei seriamente em levar um cajado que arranjei em Moeda para o consultorio e dizer algo do tipo 'Levarei este menino para ser meu aprendiz em Avalon', mas pensei melhor e deixei o cajado no carro de Fernando para pegar depois. Meu filho está ótimo (Gabriel é atualmente o nome mais cotado), e o médico é craque em desanuviar algumas das paranoias da Ceci. Voltamos no mesmo dia para a fazenda, para uma rotina mais light de cozinhar, jogar boomerangue, pular na cama elástica e nadar.

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quarta-feira, 13 de abril de 2005

Casa, Rio de Janeiro

O André e o Alastair organizaram um grupo para fazer um levantamento arqueológico na serra de Moeda. Veja detalhes neste post no blog do Fernando. O grupo partiu de BH, e nunca mais foi visto. A presente narrativa é uma reconstrução a partir de fontes fragmentarias e entrevistas com os habitantes locais.

Moeda: Portal para o Inominavel
compilado por Bruno Mota

DRAMATIS PERSONAE

André, Arqueólogo. Diretor do projeto.

Alastair, Arqueólog. Co-Diretor do projeto e gringo de plantão.

Fernando, Designer. Acumula as funções de fotógrafo, cinegrafista e designer.

Daniele "Dani", Arquiteta. Responsável pelos Croquis.

Ricardo "Tala", fotógrafo. Abandonou o posto da fotografia, assumido por Fernando, e é o Administrador. Cuida de toda a burocracia, gastos e supervisão geral.

Reginaldo "Regis", Historiador. Responsável pela parte de historiografia.

"", Estudante de Turismo. Faz-tudo, faz o leva e traz, cuida dos equipamentos, suprimentos e alimentação.

CENA I - Land Rover superlotada, dia

FERNANDO> André, vai caber todo esse povo na fazenda?

ANDRE> Não se preocupe, estão todos viajando. A fazenda estará deserta. Sera ótimo.

ALASTAIR> Where are we going again?

REGIS> É melhor começar a trabalhar. Para aí perto daqule casebre para começarmos as entrevistas.

A LR para. Um matuto abre a porta do casebre e olha o grupo com desconfiança. FERNANDO tira inúmeras fotos.

REGIS> Com licença meu senhor, o que você sabe sobre a velha fundição?

MATUTO> grgmbmlemdbagmbuyashubnigurathnyarlatothepcreoignem.... --- Bate a porta.

FERNANDO> Orra meu, vamo embora. Cara grosso. A gente continua isso amanha.

RICARDO> Estou precisando mesmo de uma viagem para relaxar. O lugar é tão agradável, e o dia está lindo...

Começa a chover. Muito.

GÒ> Com esta chuva, não seria melhor voltar outro dia?

ANDRE> Bobagem! Minha LR passa por qualquer lama, o que de ruim poderia acontecer?

ALASTAIR> I thought we were going to the beach...

A chuva piora. A LR derrapa. Um raio cai sobre uma arvore, que cai sobre a estrada momentos depois da LR passar.

GÓ> Eu quero voltar!

ANDRÈ> Não se preocupe, já fiz isso milhares de vezes. Nada de ruim vai acontecer!

ALASTAIR> Can I surf with this rain?

Um relâmpago cai ao longe, iluminando uma figura vagamente humanoide no topo de uma colina


CENA II – Fazenda, à noite, chuva forte. Todas a janelas estão abertas, símbolos estranhos foram talhados no assoalho.

RICARDO> Que decoração... Peculiar.

REGINALDO> Hmmm...

ANDRÉ> A caseira nova ainda não pegou o jeito. Mas são só uns arranhões. Não tem problema nenhum, o que mais pode dar errado?

DANI começa a fazer esboços das inscrições. ALASTAIR encera sua prancha. FERNANDO tira fotos. ANDRE emburra e começa a dar voltas em torno da escada.

FERNANDO> O quarto com o pentagrama é meu. Falei primeiro!

Barulho de cascos do lado de fora.

GÒ> Que barulho estranho. Estou morrendo de medo! Por isso, vou sair sozinha lá fora e investigar.

Passos. Silencio. Grito, interrompido bruscamente. Barulho de mastigação.

ANDRE> Gó, quando você terminar de brincar com os cachorros não se esqueça de limpar os pés. Se não sujarmos a casa vai ficar tudo bem.

FERNANDO> Vou dormir.

DANI continua desenhando como que em transe. ALASTAIR examina demoradamente sua prancha.

CENA III Fazenda, de manha. Neblina pesada


Todos se reúnem na mesa da cozinha, exceto GO e FERNANDO. A nova caseira esta preparando um cozido. Ela possui vasta cabeleira, veste um pesado manto negro, exala leve odor de putrefação e tem a pela acinzentada. Na panela, nacos apetitosos de carne cozinham no molho espesso. Um dos nacos está grudado em um farrapo onde os dizeres ´Turismo 2004´ainda podem ser lidos. Ninguém comenta sobre a aparência inortodoxa da caseira porque ela é nova e não querem constrange-la.

ANDRE> O Fernando não acorda!

DANI> Eu passei no quarto dele e ele não estava mais lá. Acho que já foi. Eu peguei a câmera dele.

ANDRE> Então vamos comer e picar a mula. Vai dar tudo certo hoje!

ALASTAIR> Now can we go to the beach?

Eles comem e picam a mula. Começam a caminhar em direção as ruínas. ALASTAIR leva sua prancha. No caminho, encontram estranhas pegadas de cascos bovinos, grotescamente deformados.

RICARDO> (saca uma foto do bolso de sua camisa vermelha) Esta é minha mulher e meus dois filhos. Quando a guerra terminar vou comprar uma fazenda lá em Iowa.

TODOS> Uhh...Ok.

RICARDO> Dá para ir mais devagar? Estou ficando cansado, essa nevoa púrpura ta me deixando enjoado.

ANDRE> Deixa de frescura. Vamos indo

ALASTAIR> Yeah! Now we are finally getting somewhere! --- Faz uma onda com as mãos.

RICARDO vai ficando para trás. Na tentativa de acompanhar os outros, tropeça. No chão e desorientado, ouve o tropel de cascos artiodactilos. Seus olhos reagem com terror ao que vê, mas o seu grito mal sai da garganta quando é interrompido bruscamente. Ruídos de mastigação.

ANDRE> Rosinha! Tava preocupada sô! Fica aí brincando com o Ricardo enquanto a gente vai trabalhar, fica.

REGINALDO> Gente, tem algo que eu talves devesse ter falado para vocês antes... --- O grupo emerge da mata e vê as ruinas. Reginaldo se cala.

CENA IV – Ruínas. Os modestos restos da antiga fundição são cercados por várias torres de aspecto intimidador, cobertas por gárgulas vagamente bovinoformes em poses torturadas. Está anoitecendo, começa a ventar forte. Do interior da maior das torres emerge um barulho surdo e ritmado. Reginaldo fica cada vez mais agitado. Dani olha as imagens na câmera digital de Fernando. Subitamente o terror se espalha por seu rosto

DANI> Gente!! Vocês deviam ver isso!

ANDRÈ> Não temos tempo para turismo! – Entra na torre mais alta

ALASTAIR> I can already smell the ocean. André, wait!

REGINALDO e DANI contemplam as cenas no display da câmera. Fotos que Fernando distraidamente tirara de si mesmo. Fernando. Fernando e o Pentagrama. Fernando e o Pentagrama fosforescente. Fernando, o Pentagrama fosforescente e a nevoa. Fernando, o Pentagrama fosforescente, a nevoa e uma criatura disforme com aparência de vaca, com garras e dentes afiados. Fernando em pedaços, o Pentagrama fosforescente, a nevoa, a criatura disforme com aparência de vaca, e um portal para o que parece ser o interior da torre. O Pentagrama.

REGINALDO e DANI ouvem um tropel distante. Começam a gritar.

ANDRÈ> Parem de gritar seus malucos. Fiquem quietos e tudo ficará bem.

ALASTAIR> They are already in the water! Wait for me!

Enquanto prestam atenção na comoção, ANDRE e ALASTAIR colidem com os corpos destroçados e pendurados de GO, FERNANDO e RICARDO, que batiam ritmicamente contra a parede. A cada pancada, as inscrições em baixo relevo ficavam mais distintas e brilhantes.

TODOS> AAAHHHH!!!!

REGINALDO e DANI entram correndo na torre. São seguidos por várias criaturas bovinoformes de horrenda aparência. As criaturas emitem mugidos abissais enquanto cercam o grupo em pânico. As inscrições agora brilham fortemente; os corpos pendurados sofrem espasmos enquanto ressecam; uma nevoa fina se espalha como se dotada de vontade própria, envolvendo o grupo no centro da sala e as criaturas antes de sair em direção ao breu externo.

ANDRÉ> Fiquei juntos, vai dar tudo certo.

ALASTAIR> André, you were right about these cariocas. They are really rude.

REGINALDO> É culpa minha. Eu reconheci as inscrições na fazenda. Muitas historias são contadas sobre as estranhas criaturas que rondam estas ruínas. Entre murmúrios semi-coerentes dos matutos locais há referencias a entidades inomináveis que acordariam do seu sono milenar quando as estrelas estivessem alinhadas.

DANI> Você quer dizer... Estas criaturas?!

REGINALDO> Não! Elas são apenas seus arautos. As inscrições na fazenda são uma prece para a sua invocação. Estas inscrições aqui são muito piores, elas invocam a horrível... a mãe... a...

FIGURA ENCARQUILHADA DE PRETO> ---Emerge das sombras --- Shub Niggurath, a mãe de escura prole!!!

ANDRÉ> O Marido da Selma!!

MARIDO DA SELMA (formely known as FIGURA ENCARQUILHADA)> Vocês me expulsaram, vocês riram das minha vacas. Pois riam agora. As minhas filhas foram abençoadas por Shub Niggurath, e vocês serão o primeiro sacrifício sobre o seu altar!

Um barulho grotesco e não natural se faz ouvir fora da torre. Algo se aproxima. Um rumor de flautas sopradas por bocas não-humanas se espalha como um eflúvio.

ALASTAIR> Is this funk music? It sucks!

DANI> Aaaahhhh! Deixa cair seu bloco de anotações, que se abre na pagina onde copiou as inscrições da fazenda.

REGINALDO> As inscrições! Começa a ler em uma língua gutural “Iee Inomine Alae Isvrequië...”

MARIDO DA SELMA> Tolos! Eu já fiz a invocação dos Úberes Tartáricos! As vacas do inferno responderam ao meu chamado, elas obedecem somente a mim! Nada sobre a terra ou debaixo dela se erguerá para salva-los agora!

Barulho de passos se aproximando. Mato se mexendo, galhos se quebrando. O perfil de uma figura alta aparece na entrada da torre.

FIGURA ALTA> O André, eu acordei hoje e tive a impressão que tinha jogo. Vamos jogar Dragonlance ou aquele MERP estranho do Bruno?

ANDRÈ> Vaca? Ricardo Vaca!

VACA> É, eu tive a impressão que alguém estava me chamando e...

Ele para no meio da sentença, e contempla as criaturas bovinoformes. Eles se olham inicialmente com surpresa, depois com espanto, e finalmente com o reconhecimento fraternal de uma família a muito separada.

MARIDO DA SELMA> Não! Não dêem atenção a este impostor, suas criaturas estúpidas. Ataquem estes intrometidos. Rápido, Ela se aproxima!!

VACA> Quem é esse cara? Não fale assim com elas. Elas podem ser feias e sanguinárias, mas são da minha família e eu as amo!

MARIDO DA SELMA> Infeliz! Incauto Oligofrênico! Mentecapto dez vezes amaldiçoado! --- Sua mão ossuda emerge de sob o manto, com terríveis garras recurvadas. Com velocidade incomum ele cruza o recinto e rasga o ventre de VACA.

VACA> Aaargh!!

CRIATURAS> MUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUU!!!!!!!!!!!!!!!

MARIDO DA SELMA> Não!! Eu.. Parem... Arghhh!!!

Ele é despedaçado pelas enfurecidas criaturas. As criaturas ficam cobertas por seu sangue e entranhas. De alguma maneira ele se mantém em consciente agonia.

MARIDO DA SELMA> Voltem aqui! Vocês precisam ficar, Ela exige um sacrifício!

Ele estende as garras na direção do grupo. É atingindo em cheio por uma prancha lançada com destreza por Alastair.

ALASTAIR> This is a violent city indeed. I am glad the SAS training paid off though.

ANDRÈ> Vamos sair daqui enquanto é tempo. Me ajudem a carregar o vaca. Vai dar tudo certo!

O grupo sai correndo pela noite escura. Ouvem atrás de si o barulho de algo muito grande emergir da mata e entrar na torre. Gritos e ruídos inomináveis, e depois o silencio. Ninguém ousa olhar para trás.

Depois de correr por vários minutos, eles notam que não sabem onde estão. O terreno em volta não lembra nada que exista nas vizinhanças de Moeda. Enquanto ponderam este enigma, um velhinho, baixo, careca e vestindo uma túnica vermelha emerge de trás de uma pedra, e sorri enigmaticamente.

FIM (ou o começo...)

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quinta-feira, 28 de outubro de 2004

Casa, Rio de Janeiro

Primeiro post desde a morte do meu avô. Fim de semana passado voltei para BH para a missa de
7o dia. O meu tio Demostenes (que é padre (e que sempre chamamos de tio Demo)) oficializou. Eu, meu irmão e meu pai fomos nomeados voluntários para ler trechos da Bilbia. Segundo o meu primo, eu soava como um locutor do Discovery channel.

No dia da missa, de manhã, tinha ido com o Fernando e a Mariana na escavação arqueologica que o André e o Alastair estão comandando em Sabará. É a segunda vez que vou. Da primeira, fiquei responsavel por uma quadra de 1mx1m que era cortada por um muro (muito capenga) antigo. Desta vez, a Mary & Fernando ficaram com um quadrado, enquanto eu peneirava e subia no pé de jabuticaba.

O processo de escavação é sistemativo. A posição da quadra é demarcada com um teodolito. Raspamos o seu interior com uma pá de pedreiro, até atingir os limites de um contexto (i.e., uma pedaço de um estrato produzido em alguma circunstancia temporal ou espacial comum; muros, pisos, tipos diferentes de terra, etc. separam contextos diferentes). Qualquer coisa de origem antropogênica é guardada em um saco especifico da quadra e do contexto (a terra retirada é peneirada para garantir que nada importante seja descartado). Os achados são então lavados, esfregados e classificados. Os resultados são anotados em planilhas, que são então ponderadas por alguns individuos exóticos. Tais individuos então escrevem artigos/livros/teses explicando o que pedaços de cerâmica e osso, quando inseridos no contexto (semanticamente falando) apropriado, nos dizem sobre quem vivia alí, o que faziam, pensavam e comiam, e quais criaturas monstruosas antidiluvianas esperam no fundo do oceano pelo alinhamento estelar que anuncia o fim do mundo-tal-como-conhecemos(r).

A parte da escavação parece simples, mas é preciso ter cuidado para saber identificar os contextos (e não mistura-los) e não deixar passar nenhum caquinho (e fazer isso da forma mais rapida possivel). A parte das criaturas antidiluvianas subaquaticas demanda um pouco mais de experiencia.

Eu gostei muito de escavar. É dificil descrever a emoção de descobrir em um buraco no chão um caco de ceramica (que em outro contexto (semântico!) seria bastante ordinario), sabendo que o respectivo contexto (físico!) é delimitado pelo piso de um casebre de função ignorada. Claro que um observador desavisado só veria um maluco sorridente coberto de poeira raspando cuidadosamente a terra enquando junta caquinhos amorfos em um saquinho. Falta-lhe o contexto...

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segunda-feira, 5 de julho de 2004

Queen mary college, Londres

Estou em Londres. Cheguei sabado de noite na casa do Reza. hoje (segunda) de manha vim com minhas mochila para o college. Peguei o onibus erradopara variar e fui para em um cafundo no final da zona quatra (estava lendo, uns 40 minuto depois). Andei um bocado ate uma estacaode metro, e passei o resto do dia me instalando. ja tenho conta, chaves e um quarto (excelente, com banheiro, varandinha e vista para um canal aqui do lado). Amanha vou ter meu cubiculo.

So para completar, na ultima vez que postei ainda estava na corsega, na madrugada de 5a para 6a. Na sexta tivemos somente uma sessao de apresentacoes pela manha, e uma dicussao geral no final. Apos o almoco, fui ate Cargese, para ver se conseguia falar com a Ceci. Estava tudo fechado (siesta!), e como eu tinha que voltar ate as 1500 (para a discussao) decidi dubir uma das tais torres de vigia, em uma colina ao lado da cidade. Ao contrario da outra, havia um caminho pelos maquis, e cheguei sem problemas. A torre esta' relativamente bem conservada. E' redonda,com uma secao ligeiramente conica. Tem uns 5 metros de altura, e acho que e' quase macica. Nao ha' portas ou janelas, so' algum buracos retangulares. Escalei a torre (nao e' dificil). O topo e' plano, sem amurada, com mato crescendo. Existe um pequeno buraco quadrado que leva a uma galeria sem janelas. A vista e' ainda melhor que da outra torre.Consegui tirar umas fotos. Acho que o topo plano era usado para acender fogueiras (que podiam ser vistas facilmente das outras torres)
Consegui voltar a tempo para a discussao, que foi interessante (depois tenho que falar da minha apresentacao). No geral, o encontro muito bom academicamente. Haviam muitos picaretas, e a organizacao tb deixou a desejar. Mas fiz alguns contatos interessantes, algumas palestras foram muito boas, e o lugar era fantastico. A experiencia de acampar em uma conferencia foi otima. Ao invez de ir e vir de cargese todos os dias, como quase todo mundo, eu simplesmente saia da minha barraca com vista para o mar e andava 20 metros. Sem enchecao de saco, barulho ou burocracia.
Esta e' a torre

A vista da cidade. A outra torre fica na colina a esquerda. O porto fica a direita. No sec XVII (acho) os genoveses trouxeram varios refugiados gregos para a cidade. Apos alguns conflitos com os catolicos locais, uma igreja ortodoxa foi contruida logo emfrente a catolica. Hoje, um padre ortodoxo com uma licenca especial do vaticano celebra missa nas duas, o que e' unico no mundo.


No dia seguinte saimos as 8 para o aeroporto. Eu e o Venceslau.ru (aka Slaba) compramos umas linguicas de asno, e fizemos uma lanche com o que sobrou do meu queijo (que ficou mais saboroso apos maturar por uma semana; usei a tradicinal tecnica corsa de pendurar o dito cujo emum saco plastico embaixo de uma arvore). Cheguei em Paris, e peguei o metro para trocar de aeroporto. Conheci um sujeito que mora na Nova Caledonia. O cara e' engenheiro, mudou-se para la a 20 anos e nao pensa em voltar. Se alguma vez eu for para aquelas bandas, ja tenho onde ficar, segundo ele. Peguei meu voo para Londres. Apos uma semana na Franca, foi um alivio poder entender o que as pessoas diziam na rua. Cheguei na casa do Reza, deixei minhas coisas e fui dar uma andada.

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domingo, 27 de junho de 2004

Cafe Game, Ajaccio

Hoje acordei bem cedo (6 hora local). Tinha que desocupar o quarto ate as 1030, mas o cara do hotel disse que guarda minha mochila.

Fui andando meio sem rumo (meu plano orginal era ir direto para Cargese). A cidade e' simpatica; bem mediterrania com as ruas estreitas, casinhas de estuque e velhinhos desdentados. Sao obcecados com o Napoleao aqui, tudo e' Bonaparte isso ou Napoleao aquilo, estacao Austerlitz, sei la o que imperial, etc. Apesar da fama, os corsos tem se mostrado *muito* simpaticos (velhinhos desdentados em particular). Eles tem alta paciencia com meu frances macarronico (o pouco fetuccine que eu tenho se deve ao Bernardo, btw). Depois de conversar com a Charlotte e o Paul estava esperando levar pedrada na rua (exagerando um pouquinho).

Anyway, primeiro trombei com uma feira de 'antiguidades' (i.e., a tralha que estava atulhando os armarios locais). Comprei um postal com selo para a ceci de uma ilhas chamadas Iles Sanguinaires (vou descobrir o prq e posto aqui), e mulher me disse que poderia andar ate la. Eu fui.

O caminho e' interessante, vc passa por umas criptas familiares que dao para a rua, igualziho uma casa. Tipo um condominio zumbi ou algo assim. Depois, uma igrejinha grega simpatica (Ajaccio e' um nome grego, do Ajax (heroi, nao desinfetante, depois conto a historia do cara)). O mediterraneo e' cristalino, com uma cor meio esverdeada, da para ver o fundo por uns bons 20 metros; o ceu nao tinha nuvem...

Uns 2 km depois existem uns menires, em uma estrutura circular com um dolmen apoiado em 3 pedras no centro. Acho que deve ser autentico, pq alguem faria algo assim nos dias de hoje? (mas tambem, pq alguem faria isso no Neolitico?). A bussola do meu relogio e' uma porcaria, mas deu para ver que o dolmen central e' alinhado com um vale entre as duas maiores colinas na serra atras de Ajaccio (que eu nao mencionei; mas pretendo visitar agora). Meu chute e' que la e' onde nasce o sol no solsticio de inverno, algo como um renacimento do deus sol a partir da deusa terra (o chute! Andre' me perdoe). Sei la. Fiz um desenho do sitio (eu esqueci a @&%&*# da camera e de qqr maneira um desenho e' melhor para explicar)



Na volta (nao consegui chegar as ilhas; tinha que voltar ao hotel ate' as 1030), passei por um feira. Acertei tudo no hotel e voltei. Os feirantes foram muito simpaticos, provei tudo que e' tipo de queijo e carne. Acabei almocando na escadaria do mausoleu dos bonaparte (o maior dos condominios zumbi). O menu:

Baguete
Queijo de cabra*
Linguica de figado
Linguica de burro (isso mesmo! E' uma expecialidade local)
Framboesas
Coca Cola

Uma excelente refeicao em todos os aspectos. Acho que estava parecendo o arquetipo do corso, comendo linguica de burro na escadaria da tumba dos bonaparte com um canivete. Um casal parou e tirou uma foto...

Bom, e' isso.

* No Asterix os corsos sao famosos pelos queijos malcheirosos, e isso na opiniao dos franceses! Peguei um queijo relativamente fresco, mas haviam la' umas coisas pretas retorcidas.

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