quarta-feira, 12 de novembro de 2008

Voo 8078, 30.000 pés sobre o Atlântico Norte
NY bound


"Entõn, me fálee de súa thesis" - me disse a americana com cara de professora de literatura na entrevista de visto. Tem gente que não tem senso de perigo... Falei, obviamente. A copiosa documentação que havia trazido, justificando minha ida, provando a minha volta e explicando a minha estada, permaneceu inconsulta (exceto para prover um exemplo de como o cilindro, ao contrário do plano, possui caminhos fechados que não podem ser contraidos suavemente em um ponto). Não que eu esteja reclamando da confiança que aparentemente inspiro em agentes de imigração, mas é certamente um pouco anticlimático gastar mais tempo justificando minha entrada no CBPF do que minha viagem aos EUA.


Continuei falando, enquanto me animava com as explicações, e a agente consular me fitava, boquiaberta, com olhar meio antropológico. - "...então a existência de classes não-triviais de caminhos fechados implica, para buscas suficientemente profundas, na existência de um padrão detectável de imagens múltiplas de objetos cósmicos!"



Estou chegando em Nova York, de onde começo hoje uma turnê-relâmpago na costa leste americana do meu trabalho de estudar suco de cérebro. Em particular, vou ao congresso anual da Society for Neuroscience em Washington, e vou dar um seminário sobre nosso trabalho na NYU (e possivelmente outro na Filadelfia). Ao contrário da topologia, a neurociência é mais fácil de explicar (já que cérebros são mais presentes no cotidiano típico que energia escura); por outro lado, não há quem não pergunte o que diabos um cosmólogo está fazendo nesta área. Foi o que tal agente fez, interrompendo uma digressão sobre a radiação cósmica de fundo. Após uma breve explicação, ela então me disse algo genuinamente simpático: "Seja bem vindo! Porrquê demorrow tanto para voltarr?*". O visto ficaria pronto em uma semana.


No computo global, obter um visto nos EUA foi uma experiência tipicamente americana: algo a princípio simples é complicado desnecessariamente, muito além do razoável, e é então encaminhado da forma mais fanaticamente eficiente possível. Passei por seis filas (para entrar no consulado, no raio X, esperando chamarem o meu nome, para tirar as digitais, esperando a entrevista, pagando a taxa de visto B1 e no courier service) e paguei 5 taxas diferentes. E fiz tudo isso em menos de uma hora. Como canetas para astronautas.

PS: Escrevi no avião, mas postei no aeroporto. A TAM ainda não tem WiFi, infelizmente.

UPDATE: Estou na casa do Alex, em Nova York! Já dei meu seminário, e agora vou começar a tirar o atraso das ultimas 36 horas quase sem dormir.


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* Minha última, e até agora única, visita, foi aos 11 anos para ir à Disneyworld)

5 comentários:

Te amo do umbigo! disse...

Fiquei até imaginando a cara da moça ouvindo sobre sua tese...
hihihi
=)
saudades!
APROVEITA!
Bjs

Bernardo Esteves disse...

Excelente história! Acabo de tuitá-la (faltou só linkar com o seu perfil...) Se divirta-se em Nueba Chork!

Alexandre Carvalho disse...

E aí, meu? Bem vindo à Obamaland. Filadélfia??? Meu, minha casa fica a 1 hora da Filadélfia!!! Me fala quando você vem que a gente, no mínimo, janta juntos! E, claro, se você precisar de pouso por aqui (pra continuar a tirar o atraso do sono...), a nababesca mansão dos Carvalho está a sua disposição.

Abraço!

|3run0 disse...

Putz Alexandre, vamos sim! Eu vou estar em Philly no dia 20, podemos jantar ou algo assim. Volto para NY (e de lá para o Brazil) no dia 21.

[]s Bruno

rafa disse...

Bueno... Tenta tirar um visto para os Estados Unidos morando na França.... Pois e', e' pior ainda: os papeis se multiplicam por 15 ja' que voce tem que provar que voce nao esta' ilegalmente na França (coisa que voce e' dispensado no Brasil) e que voce nao quer imigrar ilegalmente para os Estados Unidos....