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sábado, 27 de julho de 2013

Aeroporto de Heathrow, Londres
Plane food, plain tickets

Cheguei em Londres sem grandes problemas. O terminal (5) é uma espécie de galpão/hangar com paredes de vidro e estrutura de cilindros de aço articulados. Arquitetonicamente agradável, mas o interior é uma versão bem-cuidada de um terminal genérico: Lojas de eletrônicos, perfumes e congêneres; fileiras de assentos e raras tomadas disputadas a tapas. Porém, indo de encontro ao estereótipo, as opções de comida são bastante respeitáveis. Comi um pescoço de carneiro assada na panela* excelente, em um restaurante do indefectível Gordon Ramsay chamado 'Plane Food'. (ha!) Acreditem, a comida é melhor que o trocadilho.

A parte ciclística da viagem começa efetivamente amanhã a tarde, em Fort William. Estou portanto acompanhando ansiosamente os gráficos animados das nuvens de chuva na previsão de tempo pela BBC, como um general supervisionando exércitos em batalha. Estou preparado para a chuva e, sendo a Escócia a Escócia, alguma pluviosidade será inevitável; mesmo assim, no auge do verão local acho que não é demais pedir por um pouco de sol.


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* 'Braised', não sei se existe uma tradução exata, mas é uma combinação de cocção seca e molhada

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segunda-feira, 15 de outubro de 2012

Hotel Villa Convento, New Orleans
Ciência e pé na jaca na Big Easy

Todos os fatores referentes à minha estada aqui em New Orleans até agora contribuíram para que eu poste com menos frequência neste blog. Eu apresentei dois trabalhos diferentes em dois encontros distintos, que têm sido tão interessantes quanto cansativos; esta é uma cidade fascinante, e o único lugar nos EUA onde eu consistentemente comi bem o tempo todo, e sai todas as noites com grupos vários e multinacionais. Entre a dicotomia de participar de congressos e enfiar o pé na jaca, tive pouco tempo e energia para postar no blog ou fazer qualquer outra coisa.

O charme da cidade não vem de alguma atração específica ou vista espetacular, mas da combinação dos charmes culinário, musical e arquitetônicos, sintetizados no (mas não circumscritos ao) French Quarter. Mesmo evitando a já um tanto batida Bourbon Street, aqui é possível ir percolando pela ruas locais, guiado somente pela arquitetura local, durante o dia, ou pela música emanando dos vários bares e congêneres, durante a noite. Como consequência, vamos então  experimentando uma variedade de ambientes, estilos musicais e bebidas alcólicas diferentes, e nos encontrando com pessoas randômicas, entre locais e turistas  (que, em geral, se mostram ser neurocientístas; como somos 30.000 em uma cidade de 300.000, tivemos um impacto demográfico localmente significativo).

Eu cheguei transnoitado no aeroporto, peguei um ônibus até o centro da cidade, e fui andando até a casa do meu anfitrião (couchsurfing!). Tomei um banho, troquei de roupa e tentei explicar para ele brevemente o que eu fazia, nesta ordem. Mas tive que deixar o meu mais novo (e bastante confuso) amigo para trás e ir direto, a pé por me faltar ainda uma bicicleta,  para o hotel onde ocorria a primeira das 3 conferências das quais vim participar*. Hotel alias famoso, o Orleans, onde os senhores das plantações locais iam a procura  de senhoritas mestiças (com exatamente 1/4 de descendência negra, não mais, não menos, e postadas nas extensas varandas rapunzelicamente) com quem formar o que era eufemisticamente conhecido como 'alianças'. A rua homônima termina nos fundos da catedral local (onde a sombra projetada pelos braços levantados de uma estátua de Jesus  deu origem ao apelido 'Touchdown Jesus')
 

A culinaria local é particularmente rica, com três grandes vertentes. A cozinha creole é tradicionalmente urbana, com grande influencia francesa, mas adaptando técnicas e ingrediantes. O mirepoix (cebola, aipo e cenoura refogados) se torna a  holy trinity (com pimentões substituindo as cenouras), os rouxes (farinha frita na manteiga, base de molhos vários) se tornam mais escuros (i.e., aquecidos por mais tempo, ficando mais saborosos mas menos espessos). Aparentada, a culinaria cajun é rural, mais rústica, e e com a fama de transformar em cozido ou churrasco qualquer vertebrado desafortunado o suficiente para se encontrar sob a mira de uma espingarda, preso a um anzol ou debaixo de uma roda de caminhonete. Finalmente, a soul food é a tradicional comida das comunidades negras locais (com influencias indígenas), usando  ingredientes locais e originados do oeste da África (e.g. o quiabo ou o feijão que chamamos fradinho), e que em alguns aspectos lembra bastante a culinária mineira/brasileira (feijão com arroz!). Como New Orleans é, de forma quase única nos EUA, um lugar onde elementos significativos da cultura africana foram preservados, é também um dos centros de difusão da Soul Food. Obviamente, as fronteiras entre os vários estilos são permeáveis. Todos fazem uso extenso dos frutos do mar e usam a baba do quiabo como espessante de molhos, por exemplo, e falam pelo menos a mesma linguagem gastronômica, embora em dialetos bastante distintos.

Este papo está me deixando com fome. Vou fazer um lanche na vizinhança, e depois preciso dormir. Posto mais nos dias seguintes.

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* As duas primeiras ocorreram no mesmo local em dois dias seguidos e foram organizadas pelo JB Johnston Club; me apresentei oralmente na segunda. A terceira é a enorme reunião anual da Society for Neuroscience, onde apresento um poster

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quarta-feira, 9 de novembro de 2011

Aeroporto Intercontinental (!) George W. Bush, Houston
I love the smell of high fructose corn syrup in the morning

Não sou o primeiro a observar isto, mas o aparato de segurança aérea nos EUA parece considerar o bom senso elementar como uma ameaça mais grave que a Al Qaeda. Entre apalpadelas e raios-x, comentários jocosos e piadas são recebidos não exatamente como hostilidade, mas com a incompreensão impaciente de quem não parece estar familizarizado com o conceito de 'humor'. Alias, o alto-falante repete a cada 2 minutos que piadas sobre a segurança podem levar a prisão do piadista. Suponho que representem uma ameaça clara e imediata à auto-estima dos funcionários. De qualquer forma, talvez seja prudente eu ficar calado.

Fora da área de segurança, a convivencia é mais natural. De fato, impressiona a disposição de americanos randômicos de entabular conversas amigáveis com completos estranhos. É algo que eles têm em comum com nos brasileiros, e que nos distingue ambos da maior parte dos europeus.

PS: Eu poderia saber que estou nos EUA só pelo gosto da Coca Cola. É o tal HFCS usado aqui como substituto (piorado) de açucar de verdade. Uma consequencia dos subsidios agricolas locais, capaz de induzir em mim arroubos agudos de neoliberalismo anti-protecionista.

UPDATE: No avião agora. A Continental me deu um upgrade, então tenho que escolher entre um omelete de cogumelos e cereal. Não tenho certeza, mas talvez esta seja a primeira refeição decente em um avião que terei nos EUA.

UPDATE2: Ué, até que foi bom este café da manhã aéreo. Comi o tal omelete de cogumelo, alguma coisa feita de batata e creme de espinafre bastante respeitável, presunto grelhado, mini-hamburguer, salada de fruta, iogurte e um bagel. Café e suco de laranja de verdade servidos em copos de verdade. Por mais que meus instintos demóticos protestem, não tenho muita vontade de regressar a hói poloi da classe econômica...

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quinta-feira, 25 de novembro de 2010

US 0800, algum lugar sobre o Caribe
Texturas e sabores



Crazy cat woman
Cada cidade tem uma textura particular de tradições locais, lendas urbanas e detalhes arquitetonicos, que só vai se tornando aparente para quem vive nela por algum tempo. Algumas pessoas que chegam de outro lugar conseguem se tornar parte desta textura, sem perder a capacidade de notar o inusitado, aquelas coisas que um nativo considera 'normais' sem pensar muito. Eu não tenho esta conexão com a cidade onde moro. Gosto do Rio e de meus amigos por aqui, mas sou, quero ser e vou sempre ser um mineiro expatriado. Mas a Pam tem. Ela nasceu em Detroit, mas se mudou para Chicago a alguns anos atrás, e é daquelas pessoas que parece conhecer uma infinidade de lugares interessantes mas insuspeitamente não-óbvios. Desta forma, assim como em Amsterdam, com o Graham, e em Paris, com a Jacqueline, passei boa parte do meu tempo em Chicago em visitas guiadas pela cidade. Vi o Sharkula, quase visitei uma exposição de bonecas decapitadas, comecei a enteder o significado do grafite local, comprei livros usados, passei em frente a uma boca de crack e almoçei sopa de tripa em um restaurante mexicano enquanto via uma novela idem (errr...). No meu último dia, visitei a inesquecível Shit Fountain, e a escada celestial da foto acima.

De fato, eu voltei para Chicago tanto pelas pessoas que pelos lugares que queria ver ou rever. A minha estadia anterior aqui, sempre de couch surfing, foi uma novela barroca de mudanças de endereço e guerra civil intramural. O resultado (bom) foi que eu acabei conhecendo muito gente legal. Mas por que, pensei, ao invés de me encontrar com cada um deles separadamente (que tal 4 cafés da manhã em um dia?), eu não convidava todos para um jantar? É meio cara de pau convidar amigos díspares para jantar na casa dos outros, mas a coisa toda correu bem. Felizmente amizades tendem a ser comutativas e associativas, então a algebra acabou dando certo.

Eis o menu:

  • Endívias recheadas de tomate-cereja assados com açucar mascavo, sal e azeite, cobertos com redução de vinagre balsâmico e melado
  • M'skhana! Versão palestina. - Camadas sucessivas de pão árabe embebido em caldo de galinha e cebola roxa refogada com sumac e pinoles, e coberta de frango desfiado
  • Iscas de tilápia embrulhado em papel alumínio (folhas de bananeira não são muito comuns em Chicago), com leite de coco, dendê, coentro e gengibre
  • Crepe de nutela com calda (e raspa) de laranja e especiarias

PS: Comecei este post no avião, mas só terminei aqui no Rio.Mas 'US 0800, algum lugar sobre o Caribe' soa muito mais dramático!






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sexta-feira, 7 de maio de 2010

Casa, Rio de Janeiro
Miscelania no VE day

Continuo sem postar regularmente quando não estou viajando... Em Junho/Julho devo ir para Washington e de lá para Amsterdam, então quem sabe a blogagem não pega no tranco?

No mes passado fiquei sabendo meio que por acidente que iria acontecer uma seleção para professor substituto no instituto de física da UFRJ. Fiquei sabendo em uma quinta, entreguei os documentos na data-limite, na sexta, fiz a prova na quarta e fui aprovado na quinta. Tudo rápido demais para pensar muito sobre o assunto.

A questão era: Eu poderia acumular minha bolsa de posdoc e o salario de prof. substituto? Mandei emails e telefonemas vários para a faperj, sem resposta. Mas como a necessidade de professores era para ontem, e eu já estava no clima de pular primeiro e olhar se a piscina estava cheia depois, começei quase imediatamente a dar aulas de 'Introdução à Física A/B'. Duas turmas, 4 horas semanais cada. O curso já estava bem estruturado, e se destina a, ao mesmo tempo, nivelar os alunos (do primeiro semestre) com deficiencias na formação, e motivar o interesse daqueles que já sabiam mais um pouco em tópicos mais avançados.

No final das contas, mesmo no límbo empregatício, acabei me divertindo dando as aulas. Os alunos são simpáticos, e aparentam interesse. A minha estrategia tem sido, em geral, em abordar a fisica de forma bem leve e construtiva (e, necessariamente, sem cálculo), mas ao mesmo tempo mostrar que os conceitos que discutimos na aula está relacionado a ideias bastante profundas e (espero) interessantes.

Assim, ao mesmo tempo em que revia as leis de Kepler, eu indicava que a 2a lei (areas iguais em tempos iguais) era uma consequencia bastante geral da simetria por rotações em torno do Sol do modelo Kepleriano. De fato, isto implica, pelo teorema de Noether, que existe uma quantidade conservada, o momento angular, que é exatamente proporcional à derivada temporal da area percorrida. Em termos de simetrias, a gravitação de Newton extende o modelo de Kepler ao incluir o movimento do Sol (que deixa de existir por fiat em um ponto previlegiado do espaço, no foco de todas aquelas elipses, e se torna um corpo massivo como qualquer outro, sujeito a forças reciprocas gravitacionais); a física do sistema todo se torna então invariante por translações, o que implica que o momento linear também é conservado. Eu mencionei tudo isto, em diferentes níveis de detalhe, de uma forma que espero não tenha sido muito assustadora. A ideia era não só indicar o progresso conceitual entre um modelo e outro, e a ideia transformadora de uma força realmente universal, mas também mostrar para os alunos que o conceito de simetria é particularmente poderoso na ciência.

Outro exemplo: Ao falar de ótica geométrica, o curso é estruturado de forma que os alunos deduzam as leis da ótica geométrica a partir de uma série de experimentos. Eu aproveitei a deixa par mostrar como estas leis podem ser obtidas a partir de um principio de mínimo (no caso, de minimo tempo de propagação); usei para isso o exemplo do salva vidas, que precisa salvar um afogado, e precisa escolher o caminho mais rápido até o pobre coitado levando em conta as diferentes velocidades com que corre na areia e nada no mar; ou o bombeiro, que precisa correr até o mar, encher um balde e apagar um incendio. As trajetórias mas rápidas de ambos correspondem exatamente aos casos de refração e reflexão de raios luminosos.

De qualquer forma, estou gostando da experiencia. E semana passada, a Faperj finalmente deu sinal de vida (após eu ter achado o email de um dos vice-presidentes), dizendo que não havia problemas em acumular as duas atividades. O que significa que eu vou até ser pago por isso...

Fora isso, algums comentários randômicos:

Estou virando um entusiasta do iogurte artesanal. Que é um nome bastante pomposo para algo que faço em 40 segundos e deixo na agua morna durante a noite. Normalmente, é preciso ferver o leite e a recipiente, esperar que voltem à temperatura ambiente, para então adicionar os lactobacilos (obtidos convenientemente no iogurte da vespera, ou (no primeiro dia), de um copinho de iogurte natural). Mas raciocinei que tanto a pasteurização do leite quanto a esterilização do recipiente já ocorrem nas caixas de leite longa vida. Então, simplesmente abro um litro, bebo meio copo, adiciono uma colher do iogurte da véspera, fecho, chacoalho, e mergulho em uma panela com agua morna. Sério, fazer um copo de nescau dá mais trabalho.

É possivel ainda engrossar o iogurte resultante com um filtro de café. Depois de umas 12 horas sobre o filtro, obtenho um iogurte pastoso, que pode ser comido com azeite, pão, azeitonas, e Za'atar (uma mistura libanesa de sumac, tomilho e sementes de gergelim torrado).

Ultima observação: Estive em BH mês passado. Desde que comecei a cozinhar macarrão a sério, perdi o entusiasmo por restaurantes de massa. Em geral, a minha impressão é que eu poderia fazer melhor em casa pagando menos. Mas desta vez fui com os meus pais em um tal de Via Destra, e a experiência foi outra. Voltando do banheiro, por acaso dei uma espichada de pescoço em direção à cozinha. O chef, notando meu interesse e demonstrando uma certa sintonia com a Força, imediatamente me convidou para entrar. "Você gosta de cozinhar?" - me perguntou, assim que ajustei uma touca, convenientemente disponível, na minha cabeça. Acabei acompanhando todo o processo de elaboração dos nossos pratos. É algo bastante não trivial sequenciar todos os procedimentos para que todos os pratos de uma mesa fiquem prontos ao mesmo tempo; e há um balanço entre as preparações que precisam ser feitas antes do restaurante abrir e a elaboração de cada prato após o pedido. Algo ab initio em excesso demoraria muito, mas antecipar demais a preparação transforma a comida em uma mediocridade pré-fabricada.

Fui uma experiência instrutiva, em particular porque a comida estava excelente, como há muito eu não comia em um restaurante italiano.

Bem, vou dormir, porque dou aula daqui a 5 horas e meia (argh...). De qualquer forma, ontem (quando comecei a escreve o post) foi o aniversário do final da IIa guerra na Europa. Feliz Dia VE, e feliz dia das mães, para todos os não-nazistas do mundo no primeiro caso, e para todas as mães (idealmente, não-nazistas também) no segundo.

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segunda-feira, 28 de dezembro de 2009

Casa, Belo Horizonte
Não só de cérebros picados vive o ser humano

Esta é a época dos trenós voadores, shoppings apocalípticos e comilança desvairada. Me mantendo fiel a esta última tradição, na semana passada fizemos um almoço de Natal/Chanuka/Solstício de Verão/Muharam na casa da Suzana. Fiquei responsável pela parte salgada. Eis as receitas. Reduzi as proporções para umas 6 porções bem nutridas por prato, mas como faço muita coisa no olhômetro, não garanto muita precisão.

Foram duas entradas e três pratos principais. Infelizmente não tenho fotos, mas se alguem tiver alguma e me mandar eu posto aqui.


Tomates recheados com cogumelos e alho poró


Ingredientes:
6 tomates grandes, ainda firmes mas não verdes
150 g de cogumelos de Paris frescos, sem os talos e cortado em fatias finas
150 g de Chitaque fresco, sem os talos, etc.
1 talo (uns 30 cm) de alho poró, cortado em rodelas finas
50 g de bacon picado em cubinhos
Molho de soja
Azeite balsâmico
1 colher de chá de Açucar mascavo
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Despele os tomates. Eu faço isso mergulhando-os em uma panela de agua fervente rapidamente, e depois transferido-os para uma vasilha com agua fria. A pele sai facilmente.

Faça um corte em forma de cone no topo dos tomates. Corte a base da tampa. Remova o interior do tomate (sementes e a maior parte da polpa) com uma colher.

Em um wok ou frigideira grande sobre fogo alto, coloque 1 colher de manteiga e um filete de azeite. Deixe derreter, e adicione o bacon. Frite por 2 minutos, e adicione o cogumelo. Mexa vigorosamente até os cogumelos ficarem macios (uns 2 minutos) adicione o alho-poró e continue agitando maniacamente por mais 1 min. Desligue o fogo e adicione mais uma colher de manteiga para ficar cremoso. Misture, e recheie os tomates com o resultado. Salpique com cebolinha e pimenta fresca picados. Leve os tomates ao forno pré aquecido, por uns 10-15 minutos.

Enquanto isso, misture o azeite balsâmico, shoyo, açucar e cebolinhas bem picadas em fogo baixo, e deixe reduzir até adquirir a consistencia de calda rala. Retire os tomates do forno e, com uma colher, passe alguns filetes da calda ainda quente sobre os tomates.

M´sakhana (um prato iraquiano com grafia incerta)

Ingredientes:
1 Peito de frango com osso
300 g de cebola roxa
5 dentes de alho
Pão sírio (quanto maior e mais fino melhor)
Sumac (a gosto, mas em doses generosas)
Pimenta do reino
Tomilho
Azeite
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Cozinhe o peito de frango com duas colheradas de sumac, alguns ramos de tomilho, sal e pimenta do reino, em um saco/ziplock imerso em agua fervente por uns 40 minutos(se tiver tempo, faça isso em agua não-fervente (uns 80 graus) por 2 horas. Retire do saco, reserve os sucos emanados da carne, e desfie o frango

Pique metade das cebolas em cubinhos, e a outra metade em rodelas finas. Refogue a fração cubada, com alho e um raminho de tomilho. Adicione o frango desfiado e mais azeite, deixe ganhar uma cor, e adicione as cebolas em rodelas, sumac, sal e pimenta a gosto. Cozinhe até a cebola começar a amolecer.

Enrole o resultado no pão, regue generosamente com azeite, adicione pimenta e coloque uns ramos de tomilho em cima de tudo. Asse em um forno bem quente (uns 240 graus) até o pão começar a tostar.

Costela de boi cozida no vinho

Ingredientes:
650 g de costela com osso
500 ml de vinho tinto
1 lata de tomates italianos despelados
Suco de um limão ou lima
Talos de cogumelo, aipo e cenoura cortados grosseiramente
Tomilho, alecrim e louro
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Esta receita reaproveita os restos eventuais de outras em um cozido, e ainda produz ossos de costela para fazer um caldo de carne (reserve as aparas da carne e alguns vegetais para o caldo, se for o caso).

Refogue a carne e os vegetais em um pouco de azeite. Adicione o vinho, um pouco de agua, sal, ervas e e pimenta. Cozinhe na panela de pressão até a carne começar a desmanchar. Destampe a panela, adicione os tomates, e cozinhe mais um pouco até o molho ficar bastante reduzido e espesso.

Se tiver tempo, refrigere o molho e retire a gordura que vai se solidificar no topo do recipiente. O mesmo vale para o caldo.

Exprema o limão/lima logo antes de servir, e cozinhe por uns 3-4 minutos.

Cuscus marroquino com legumes e cogumelo

Ingredientes:
400 g de cuscus
400 ml de caldo de carne (vide receita anterior)
1 cebola pequena
Vegetais bem picados
70 g de manteiga

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Refogue bem a cebola. Refogue os demais vegetais até começarem a amolecer (respeite o tempo de cozimento de cada um; cenouras demoram mais que aipos que demoram mais que cogumelos). Adicione o cuscus em fogo médio, deixe ele absorver os sucos dos vegetais (1 ou 2 minutos), e adicione o caldo quente. Deixe o cuscus absorver o caldo, abaixe o fogo e adicione a manteiga, mexendo suavemente com uma colher de fundo chato. Separe os grão com um garfo e sirva.

Medalhões de filé com crosta de alho, salsinha e farinha de rosca (´Persillade´)

Ingredientes:
6 medalhões de filé, com um pouco de sal
18 dentes de alho, picados
1 maço de salsinha muito bem picada
100 g farinha de rosca
1 clara de ovo
Manteiga
Mostarda de Dijon

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Refogue o alho na manteiga até começara a dourar, adicione a farinha e a salsinha, e misture até a farinha absorver toda a manteiga e mudar de cor. Bata a clara em neve e incorpore à farofa. Passe rapidamente os filés em uma chapa ou frigideira, e cubra um dos lados com uma camada fina de mostarda, e uma camada grossa da farofa. Asse em um forno com o dourador no máximo, ou em um forno normal a 240 graus, por uns 5-10 minutos, ou até a crosta ficar crocante. Sirva com um molho feito adicionando vinho à frigideira usada para passar os medalhões, reduzindo o caldo resultante com pimenta sal e ervas, e incorporando um pedaço de manteiga (fria) já na molheira.

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terça-feira, 9 de dezembro de 2008

Hotel Tunquelen, Bariloche
Carne afinal!!!



Os organizadores do encontro, provavelmente com medo do meu olhar carnívoro cada vez menos discriminante, organizaram um churrasco este sábado. Curiosamente, descobri (ao tentar pedir carne sangrando em portunhol) que o churrasqueiro é escocês! Não sei bem como um cozinheiro da terra dos Haggis veio parar na argentina (embora aparentemente existe mulher na história), mas o cara sabia o que fazia. Na foto, estou degustando uma singela perna de cordeiro, como hors d'ouvre antes do bife de chorizo. Hmmmm.....

Domingo foi nosso dia livre; resolvemos subir o Cerro Catedral até um lago Glacial, a 1800 m de altura (depois subo umas fotos). Foram 10km subindo, 10km decendo. Passei o dia com com bolhas no pés e o andar hesitante de uma velha. E não poderia estar mais feliz.

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terça-feira, 18 de novembro de 2008

Washington Convention Center, Washington
Jabuticaba e Angu

Bambu no café, bambu no almoço, bambu no jantar

Comi Jabuticaba aqui em Washington. Jabuticaba e angu. Aaa, e fui no zoológico também.

O zoológico daqui é muito bem bolado. As jaulas ficam bem integradas no ambiente; e tanto em tamanho como em aparência, não têm aquele ar de Lyubyanka para animais (a lá George Orwell), típico de muitos zoológicos brasileiros. Foi interessante ver as elefantas sendo exercitadas, os pandas na sua coceba comedora de bambu habitual, e os polvos sendo alimentados. Alias, a ala de invertebrados provavelmente é a mais interessante; tive conversas bastante interessantes com os tratadores destes últimos.

Exercício


Fearful simmetry


O Polvo, unido

Perto da saida, existe uma exposição sobre a 'rainforest', com um tanque com pirarucús, pacus e bagres, e uma estufa com uma micro-floresta tropical (que, devo dizer, me parece mais a floresta da tijuca que a amazônia), com aves, macacos, e... uma Jabuticabeira! Com um pouco de incentivo, uma delas acidentalmente caiu da árvore; tive que come-la para não desperdiçar. Não sei como conseguiram fazer uma jabuticabeira crescer por aqui, mas tive que passar pelo keepers responsáveis para dar os parabéns. Parece que a dita cuja tem alguns anos de idade, e este é o primeiro ano que ela deu frutos.

Pirarucús...

... e jabuticabas.

Voltei andando margeando um riacho chamado Rock Creek, onde antes existia um ceminterio usado pelos negros da cidade. Até o começo do seculo XX a área em volta era um tanto erma, até que foi construida uma ponte caríssima, na época chamada de 'million dollar bridge', sobre o rio. Subi até a ponte, peguei o metrô, e voltei para o congresso.

Million-dollar bridge sobre Rock Creek

As apresentações hoje foram mais interessantes do que ontem, e incluiram uma alemã falando de ratos mutantes com comportamento sexual invertido (i.e., machos e femeas com papeis trocados). Mas ainda sofro com a sopa de letrinhas, principalmente quando o assunto toca a bioquímica. Após um 'social' meio choco, fui me encontrar com o meu novo host, um americano que fala portugues fluente. Fomos jantar em um restaurante meio indefínível, com um serviço bastante simpático. Comi o que dizem ser um prato tradicional de Washington, a tal Crab Cake. Ela veio acompanhada de um angú de milho branco (do tipo que usamos para fazer canjica). Muito bom... Apesar de ter comido várias refeições mediocres aqui nos EUA, mais que ocasionalmente a culinária e produtos locais têm me surpreendido positivamente.

Para terminar, e falando em Lyubyanka, a visita noturna ao Spy Museum foi interessante; mas o museu é pop demais para o meu gosto, embora algumas das exposições interativas sejam bastante interessantes. Infelizmente, fotografias não são permitidas; no lobby de entrada existe, pendurada em um guincho, uma estátua do Felix Dzerzhinsky, o fundador da KGB (então chamada de Cheka). A original ficava na frente da sede da KGB, na tal praça Lyubyanka. Depois que a União Sovietica foi para o saco, foi a primeira estátua a ser derrubada em Moscou.

Hang in there Felix

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quarta-feira, 16 de julho de 2008

Chateux Sylvain, Paris

Consegui pegar o aviao sem grandes sobressaltos (o que e' quase inédito). Pousamos no Charlie de Gaulle no horario, sem enfrentar nada mais perigoso que uma lazanha com a consistencia de pudim, e uma leve turbulencia sobre o Atlantico sul. A alfandega francesa foi um decepcionante, porém.

Eu havia sido avisado para ir munido de seguro de viagem, provas de que teria onde me hospedar, e um convite formal do observatorio. Me preparei mentalmente para justificar minha presença na França, e projetar uma aura inabalavel de intençoes pacificas, nao terroristas e nao imigrantes. Ensaiei as tiradas ironicas que assegurariam a todos que a minha talibanica foto de passaporte era um mero acidente estético. Finalmente, me armei retoricamente para responder a contento qualquer pergunta que podesse por em questao as minhas boas intençoes para com toda a Galia e seus gauleses habitantes.

E o mané no guiche mal olhou para meu passaporte, e me mandou passar. Bem vindo a França!

Minha frustraçao durou pouco, porem. Peguei o RER até a Gare du Nord (o meu tosquissimo frances esta se mostrando surpreendentemente versatil). Me encontrei com o Sylvain (o namorado da Mari, na casa de quem estou hospedado), e apos comprar passes para o velib, fomos fazer compras. Eles moram em um bairro ridiculamente multietnico, onde açougues halal dividem paredes com mercados vietnamitas e vendas portuguesas; onde maes nascidas na Costa do Marfim, Turquia, China ou até mesmo Paris conversam amigavelmente enquanto suas multicoloridas crianças brincam em um parque. O cliche cinematografico de umq comunidade multietnica nao faz justiça à profusao de roupas, temperos e linguas que se misturam por aqui. E os mercados... A variedade é quase intimidante.

A Mari esta' chegando do trabalho. O Sylvain preparou o jantar, e todo este papo de temperos e culinarias me deixou com fome. Amanha vou de bicicleta para o observatorio, e posto mais.

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segunda-feira, 24 de março de 2008

Casa, BH
Estandofe Mexicano



Estou aqui em BH, na casa dos meus pais, para o feriado. Na sexta, eu e a Gabriela decidimos cozinhar um jantar Mexicano. Claro, disse para minha mãe que fariamos o jantar, mas esqueci de avisar que seriamos 15...

Fizemos as compras no mercado central durante a tarde, e viemos para cá cozinhar durante a noite. A Gabi sabe fazer um guacamole excelente; eu adicionei uma receita minha de pimentão recheado, e fomos adivinhando o resto. Talvez surpreendentemente, ficou tudo muito gostoso. Na foto acima, da esquerda para a direita, temos o Guacamole, molho de pimenta, tacos, nachos (err, doritos...) com feijão batido, tortillas, cheddar ralado, pimentões assados (recheados com carne moida, arroz, castanha de caju e especiarias), frango com coentro e páprica, e pica de galo.

O Fernando (de forma absolutamente típica) tirou inúmeras fotos, que estão no Flickr da criatura, e algumas das quais incluo aqui. Eu gostei da ideia de um jantar temático; podemos fazer um tailandês da próxima vez, que pode ser até aqui na casa dos meus pais, se prometermos não deixar novamente a cozinha parecendo Dresden depois de uma visita da RAF. Mas por mais gostosa que estivesse a comida, o melhor da noite foi encontrar este povo todo. E o Gabriel e a Ceci, que eu não via a quase uma semana.

A cozinha é o melhor lugar da casa


Picando pimentas


Garotas fazendo guacamole


Garotas sendo garotas


PF


Como gafanhotos...

Em nossa defesa, na última foto, devo dizer que já passava das 11 da noite e canibalismo já era discutido abertamente. Mas sobrevivemos todos.

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sexta-feira, 5 de outubro de 2007

Hotel Hardman, João Pessoa
Vida de Hobbit


Estou a três dias aqui em João Pessoa, onde ocorre o 3o IWARA, em um hotel com o improvável nome de 'Hardman'. Em todos os aspectos, esta está sendo um congresso melhor que o Partículas e Campos. Academicamente, um encontro menor permite uma maior interação com os demais participantes, a comida é melhor e mais diferente, e, finalmente, ao contrário da pasmaceira de Aguas de Lindoia, estou aqui a poucos passos da praia, e a alguns quarteirões de barraquinhas de camarão e outros petiscos. Finalmente, apesar de comer muito (em volume e frequência), não tive até agora nenhum problema, afora o ocasional campo escalar gastrointestinal. A pizza em AdL é por enquanto somente uma triste e distante memória.

Os seminários foram em geral muito bons, com alguns excelentes. Porém, assim como no IWARA anterior, certos tópicos são apresentados de forma excessivamente remota ou insular, e alguns seminaristas são preguiçosos demais para valerem a pena. Nesta última categoria, incluo alguns com um inglês macarrônico demais ('nau ui uíu prêsenti aur rêsultis uitchi xôu the iuniverse iz noti ax-selerátim in the Ruble diagram'), ou cuja apresentação só pode ser entendida por quem lê mentes ('No problema do confinamento de quarks/energia escura/relatório do mensalão usamos o formalismo TKGU para derivar a equação de Tchulambisky segundo o método de Crapoviski & Chuchubilinski. Introduzindo uma parametrização HFM, ajustamos os 15 parâmetros livres aos 4 pontos experimentais, para mostrar que a equação de estado/curva de luz/careca do Marcos Valério é crescente/decrescente/continua a mesma').

Fora a parte científica, estamos vivendo uma vida de Hobbit. No dia em que chegamos (dia livre!), após a praia, fomos andar um pouco. João Pessoa é uma cidade pequena, mas bem cuidada. O primeiro jantar da noite consistiu de camarão frito, carangueijo (aberto a marteladas), e uma sopa de ovas de peixe com leite de coco. O segundo jantar foi no hotel, e um tanto decepcionante. Saimos novamente para andar, e terminamos a noite com um leve terceiro jantar de feijões verdes e carne seca. Na noite seguinte, fomos na versão local do Xapuri, um self service com dezenas de pratos de comida local. No caso, incluindo diversas permutações de feijão verde, carne de sol/seca/charque, bode, macaxeira, queijo coalho e manteiga, abóbora, etc.

Passamos assim (eu, a Mariana e o Sandro, e as vezes o Marcelo) um bom tempo com o Glenn Starkman, que se revelou não só ótima companhia como também um rematado pé de valsa. Além dele, também conheci várias outras pessoas divertidas e interessantes; acho que o ambiente aqui favorece a interação, em grande parte devido à praia. Não há nada comparável a sair de um seminário direto para a o mar, ou ler um paper (ou livro, ou jornal, ou embalagem de oleo vegetal) deitado em uma canga embaixo de um coqueiro.

Hoje é o meu último dia, e pego um vôo na madrugada de volta para o Rio. Fizemos um passeio pela parte histórica da cidade (a praia é aparentemente ahistórica ou anti-histórica). O mosteiro de São Francisco é surpreendente, com uma arquitetura barroca que talvez não apresente grandes novidades para quem já foi várias vezes à Ouro Preto, mas também com uma vista espetacular do rio, e uma coleção de arte popular genuinamente interessante. O meu único arrependimento é não ter visitado a praia fluvial de Jacaré (da foto (puramente ilustrativa), que não é minha), onde o rio e o mar se encontram. Dizem que um saxofonista toca o bolero de Ravel todo dia ao por do sol...

Agora estou esperando o povo ligar para irmos comer o primeiro jantar (no hotel), em preparação para o segundo (em uma barraca de frutos do mar a beira idem). Vida dura...

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"Bayeux é cidade de corno. Dizem que se você jogar umas argolas para cima lá, não cai uma no chão"

João Carlos, autor da frase acima e motorista do taxi que nos levou para o passeio no centro da cidade, também me trouxe no aeroporto, que fica na pequena cidade de Bayeux (homônima de uma cidadezinha na Normandia, palco do Dia D, e onde foi tecida a famosa tapeçaria de Bayeux). Ele mora a 30 anos em JP, e conhece bem a cidade e sua história. Em particular, ele adora falar sobre a morte de João Pessoa, presidente da Parayba (equivalente a governador hoje), assassinado por razões politico-amorosas por seu rival, João Dantas. A inevitável 'mulher no meio' era (segundo ele) amante de JP, mas se debandou para o lado de JD, cortando o cabelo como homem para passar desapercebida (e dando origem aos versos 'paraiba masculina mulher macho sim senhor'). Em retaliação, JP fez publicar na imprensa alguns podres de JD. Este último, ofendidíssimo, jurou matar JP na primeira oportunidade. Tempos depois, em Recife, JP saia pela porta dos fundos de um café (possivelmente para evitar assassinos entocaiados), quando coincidentalmente JD entrava, também pelos fundos (dando origem a algumas dissertações de mestrado historico-freudianas, suponho). Este sacou mais rápido, e aquele caiu morto. Pelo menos é o que o motorista de taxi me disse. Não sei o quanto disso é verdade, mas é uma historia interessante.

PS: Publiquei também um post que havia escrito em Águas de Lindoia, na rodoviária onde não havia internet, e fiz um update no post escrito na rodoviária de São Paulo. Estou me sentindo a versão rodoviária do Paul Theroux
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No caminho para o restaurante de peixe ('Olho de Lula'), parei para comer um acarajé, e acabei conversando com um simpático senhor que fazia o mesmo. Ele tem um site devotado ao estudo e discussão sobre o estado da Paraiba, que pode ser encontrado aqui.

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sexta-feira, 24 de agosto de 2007

Casa, BH
Gone, but not forgotten

Eu já estudei ou visitei alguns departamentos acadêmicos excelentes. Encontrei pesquisa de qualidade, bons professores, equipamentos de ponta, localizações paradisíacas. Mas em termos de pura classe, nenhum supera a física da UFMG. Sexta passada fui ver um seminário (pré-defesa) da Mariana Malard. E foi com grata surpresa que me deparei não só com uma palestra sobre os modelos de Heisenberg e sigma não-linear, mas também com um verdadeiro convescote ocorrendo em paralelo dentro da sala de seminários. Entre um gole e outro de cerveja, os presentes faziam comentários pertinentes, enquanto circulavam biscoitos e salgadinhos.

Qualidade acadêmica pode ser atingida com alguns esforço. Mas classe é algo inato.

Depois do seminário, fomos para a casa da Mari, e eu e o Pará fizemos um jantar discente decente (porque não só de Elma Chips vive o ser humano). Quando as receber postarei as fotos.

UPDATE: Graças ao Pará (nos comentários), clique abaixo para as fotos

Depois da comida, uma pausa para a digestão
Mortos e feridos II
O famoso monte Mauna Homer. No momento da foto, já se ouviam os ruídos do fluxo piroclástico
Não tiramos fotos da comida, mas a cozinha parecia Nova Orleans pós-Katrina
Enquanto meditávamos na sala, a Mari deu um jeito na cozinha

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terça-feira, 14 de agosto de 2007

Casa, Rio de Janeiro
Mais comida


Hoje resolvi fazer um jantar para comemorar o fim iminente da tese. Meu plano original era chamar a comunidade mineira expatriada (CME), mais a Naira (de SP, que se mudou para cá após ser contratada pela Petrobrás), e Vital & Vanilson, que estão hospedados por aqui. A CME, porém, está quase toda viajando (expatriados em segunda ordem?), e só o Thiago pode comparecer.

De qualquer maneira, acabei fazendo mais pratos que o de costume, e a comida saiu tarde (+-11:20), mas acho que ficou bom. O filé com molho e gnocchi de abóbora, em particular, é uma combinação que pretendo repetir. Finalmente, tanto no risoto quanto no gnocchi, troquei o queijo parmesão por pecorino (de ovelha).


O Menu:

- Tomate recheado com alho poró e shitake

- Gnocchi de abóbora (peguei a receita aqui)

A receita é ótima, mas a minha execução quase acabou em disastre. Acho que não escorri a agua da abóbora direito, e a massa ficou com pouca liga. Consegui com alguma dificuldade separar em pedaços discretos cobertos de farinha para jogar na agua fervente. Mas depois de cozidos os gnnochis (ceribroformes!) preservaram sua indivualidade, e ficaram uma delicia (ainda mais quando regados com o molho da carne).

- Filé marinado, assado, etc.

Mais fácil descrever do que nomear. Deixei um filé marinando em vinho branco + limão + alho moido + pimenta rosa + pimenta do reino + alecrim + tomilho + sal grosso. Coloquei para assar de mansinho (170 graus), regando o filé o tempo todo com o caldo. Após uns 30-40 minutos passei o filé em em uma panela grande com um pouco de azeite e ramos de alecrim. O restante do caldo (já então enriquecido com o caldo da carne), usei para fazer o molho*. Retornei o filé ao forno alto por mais 5 minutos, juntando rodelas de batatas e cenouras cozidas no vapor e temperadas com cominho e um pouco de manteiga.

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* O molho: Frite um pouco de alho, junte vinho tinto e uma concha do caldo do risoto (ou agua), e cozinhe até sumir o cheiro de alcool. Adicione o caldo da carne (obtido tanto da forma em que ela foi assada quanto da panela em que foi passada no azeite). Adicione salsa bem picada, folhas de tomilho e alguns ramos de alecrim. Finalize com um colher de manteiga batida com um pouco de farinha de trigo (para engrossar).


- Risoto de cogumelos portobello e aipo.

Não tem muito segredo para fazer o risoto, só seguir este template e mudar os ingredientes. Este eu fiz pela primeira vez mês passado em Itaipava, na casa do Pedro (colega da Ceci). Mas sempre vale a pena fazer um caldo mais gostoso que um cubo maggi dissolvido, reaproveitando os restos dos demais pratos. No caso, peguei uns pedaços de frango que encontrei abandonados na geladeira, cenoura e aipo picados, e os talos dos cogumelos, e fritei em fogo muito baixo no azeite, até caramelizar (que é muito perto de, mas muito melhor que, queimar). Limpei o fundo da panela com vinho, e coloquei a sopa resultante para ferver com agua e um cubo maggi (não há nada de errado com eles, são só caldo de frango).

No final das contas, tudo acabou dando certo (no caso da carne e do molho, muito certo; o filé ficou naquela situação ideal em que o exterior é bem passado, e o interior mal passado e suculento). O Vital tirou fotos, que colocarei aqui assim que possível.

O 3o post sobre a tese vai ter que aguardar a minha digestão ;^).

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sexta-feira, 22 de junho de 2007

Casa, Rio de Janeiro
Crimes contra a humanidade

Inspirado por este comentário, me lembrei da abominação abaixo. Eu gosto muito de Star Trek, mas coisas deste gênero provavelmente são proibidas pela convenção de Genebra.




Neste outro clip, por outro lado, a auto-paródia é voluntária.

Finalmente, uma receita que alegrou minha madrugada:

Abra uma lata de ervilhas e outra de milho verde, que vc achou no fundo do armário da dispensa. Despeje metades iguais na única vazilha não suja disponível. Adicione os seguintes codimentos, convenientemente localizados na bancada da cozinha: Sal, pimenta do reino, oregano, cominho e tomilho. Regue com azeite. Deixe descansando, enquanto coloca uma cabeça de alho em forno baixo. Assista um episódio de Law & Order: Special Victims Unit. Assim que o policial durão-mas-de-coração-mole alcançar a redençao ao resgatar o bebê do laboratório de extasy, retire o alho do forno, e esprema sobre a entidade culinária descrita acima. Coma de frente para a TV, a tempo de ver a avó chorosa receber o neto das mãos do policial que fora incapaz de salvar sua filha. Enxugue uma lágrima, se for o caso, e volte para o computador para postar no blo^R^R^R trabalhar na tese.

Obviamente, comentaristas gastronômicos poderiam comentar "hmm, um pouco de rúcula cairia bem", ou "croutons dariam uma textura adicional interessante". Ao que eu responderia: EU NÃO TENHO RÜCULA, CROUTONS OU UM REDUÇÃO DEMI_GLACÊ AQUI EM CASA, E AS DUAS DA MANHÃ NÃO TENHO SACO DE FAZER ALGO QUE PRECISE DE MAIS DE 2 MINUTOS OU 5 NEURÔNIOS!. De qualquer maneira, ficou bom.

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sábado, 31 de março de 2007

Casa, Rio
Elemento suspeito portando uma folha de bananeira

. foto Arbyreed

O ar húmido e quente cobre a cidade como uma manta gasta. Uma noite tropical carioca como tantas outras, na qual os desavisados costumam confundir placidez com segurança. Seus habitantes vem e vão, furtivos, rápido demais para deixar mais do que um leve e acre cheiro de medo no ar. Se são bons ou ruins, feios ou bonitos, não importa. A única distinção relevante é entre aqueles que aprendem rápido, e aqueles que contraem uma dor de cabeça de 9 mm e não acordam mais. O nome é Bruno. Bruno Mota, físico e cozinheiro.

O plano era simples. Eles sempre são. Fazer um jantar tailandês para alguns amigos. Arroz aromático, um curry de carne (mais indiano do que propriamente tailandês), e um peixe com leite de coco e erva cidreira, embrulhado em folha de bananeira. O único problema era arranjar uma folha de bananeira.

Já era noite quando saí para comprar os ingredientes, e como sempre estava atrasado. Eu pensava inicialmente em achar alguma bananeira nas margens do canal, mas não só não vi nenhuma como o cheiro da água era um desestimulo sério a qualquer aventura culinária com a flora ciliar local. Sem mais tempo ou ideias, perguntei aos guardas de um condomínio semi-fechado ao lado se eles conheciam alguma bananeira por perto. Depois de verificarem que eu não estava usando um eufemismo obscuro para algum tipo de atentado ao pudor, eles foram até bastante solícitos. A possibilidade de uma poda freelance de uma das várias bananeiras que adornam os jardins das mansões próximas foi rapidamente aventada, e ainda mais rapidamente descartada. Um deles então se lembrou de uma bananeira solitária, em um matinho intersticial próximo a entrada para o tunel Zuzu Angel. Agradecido, subi na minha bicicleta e pus-me a caminho.

O local era de fato um tanto ermo e mal iluminado, ao lado de uma escada de acesso a uma escola municipal, obviamente fechada durante a noite. Era um pequeno triângulo irregular com algumas arvores desmilinguidas. No centro, qual um Ent adormecido, havia um glorioso bananal! Podei duas das folhas menos rasgadas, e comecei a alegremente cortar fora a parte carnuda com meu canivete. Só notei o carro da polícia parando na calçada em frente quando soou o 'WAAAAM' da sirene.

Um policial que vê um indivíduo cortando com uma faca alguma coisa não identificada em um mato ermo tem direito a nutrir alguma desconfiança. Os dois presentes na viatura não pretendiam correr riscos. Sairam do carro com os olhos fixos em mim e mãos firmes nos coldres. Um deles, careca e barrigudo, levava uma lanterna na mão esquerda, mas por algum motivo preferiu não usa-la. Mas foi o seu companheiro mais jovem, com o porte de um lenhador, que falou primeiro:

"O QUE VOCÊ ESTÁ FAZENDO AÍ?"

Eles provavelmente não se surpreenderiam, e saberiam o que fazer, se eu dissesse 'retalhando a minha esposa', ou 'separando a maconha'. Mas quando eu disse "Cortando uma folha de bananeira", ao mesmo tempo em que deixava o canivete no chão e levantava uma folha, a minha versão tropical do ramo de oliveira, houve uma pequena pausa enquanto eles lidavam com a dissonância cognitiva. O lenhador chegou mais perto e perguntou, ainda agressivo mas com um traço de curiosidade na voz.

"Para quê você quer uma folha de bananeira?"

"Para cozinhar. Vou fazer um jantar hoje"

"Você come a folha?!" -- perguntou o careca, horrorizado, a única coisa que disse durante todo o encontro.

"Não! Eu uso para embrulhar o peixe... E o vapor bla bla bla leite de coco bla bla bla culinária tailandesa, que é bastante distinta da indiana, e bla bla bla" -- fui ficando entusiasmado enquanto descrevia o prato, e o resto do menu, e por pouco não emendo uma análise da situação política na Birmânia e um comentário sobre observação de cometas. Em algum momento do meu monólogo, o careca decidiu que eu era maluco e entediante, mas inofensivo. O lenhador por outro lado foi ficando mais interessado.

"Que comida diferente! E você come com arroz?"

"É! Se você conseguir achar, fica melhor com arroz de jasmim"

"Hmmm... Acho que vou pedir para minha mulher cozinhar isso um dia"

"Excelente ideia! Aqui, leve a receita para ela, que em casa eu imprimo outra"

Ele hesitou por alguns instantes, como se indeciso entre pedir a receita do curry ou me convidar para o jantar; mas talvez lembrando-se das circunstâncias do nosso diálogo, simplesmente se despediu amigavelmente. Ele voltou então para o carro, para o alívio do seu colega, que provavelmente agradecia aos céus por minha idoneidade aparente, que o desobrigava de ir até a delegacia mais próxima ouvido a respeito dos méritos das especiarias ou sobre as várias maneiras de se cozinhar um peixe. Eles desapareceram na noite, tocando a sirene para avançar no transito ainda arrastado.

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segunda-feira, 20 de novembro de 2006

Casa, Rio de Janeiro
Crepes!

Acatando (acho) um pedido meu, há algumas semanas atrás o Rafa postou no seu blog a famosa receita de panquecas a lá Cury. Pois bem, hoje eu decidi experimentar.

A receita da massa é muito bem explicada por lá, não preciso repeti-la. Só digo isto: deu certo! Foi preciso algum muque, mas no final do processo eu tinha uma massa homogênea, com a consistencia e a cor corretas.

Eu resolvi fazer recheios mais elaborados, que provevelmente desagradarão aos puristas. Para os crepes (ou Galletes) salgados fiz um molho de tomate com linguiça calabresa, pimenta rosa e tomilho; e frango desfiado, refogado com alho poró e cebola, e cozinhado em um molho bechamel (com vinho branco e noz moscada). A este último você pode acrecentar no próprio crepe catupiry ou mostarda de Dijon. De sobremesa, crepes simples de nutela, com uma calda de laranja, cravos e vinho, salpicados de raspas de laranja.

Todas as receitas acima provavelmente contradizem os preceitos do Forme de Cury:

'Thou shalt not grille ye cheese of bri, nor shalt thee cooke the accursed boursin of the miscreants, for it is verily not a True Cheese. Hark, he who filles ye crepes wyth creamye sawces has forsaken the path of righteousnesse'
Mas, com todo respeito aos sábios medievais, os crepes ficaram ótimos.

A parte 'mecânica' de fazer crepes consiste em colocar a massa na frigideira (previamente untada de oleo), virar o crepe e embrulhar o recheio. Até que consegui fazer tudo isso direito, sem acidentes sérios. Algumas observações de crepeiro de primeira viagem:

- O primeiro crepe sempre sai meio bizarro
- É importante enxugar bem o excesso de óleo, senão a massa fica dançando sobre a pelicula que se forma, e ao invez de um crepe você produz uma mostruosidade sebosa fractal.
- O recheio tem que ser pelo menos consistente o suficente para ser comido com um garfo.
- É melhor embrulhar os crepes salgados como um envelope, e o de nutela em forma de leque
- É preciso repetir a aplicação de oleo periodicamente. Como a minha frigidiera está detonada com uma superfície quase lunar na escala milimétrica, foi preciso lavar e untar a cada 3 ou 4 crepes. Uma frigideira decente deve dar conta de dez ou mais crepes antes de precisar de mais oleo, e não precisa ser lavada.
- Para fazer crepes redondos, derrame uma concha de massa no centro da frigideira, e rapidamente incline-a para um lado, para em seguida precessá-la para que a massa escorra por toda a superfície.

Agora, as receitas:

Calabresa no molho de tomate com pimentas e tomilho

Pique um linguiça calabresa (uns 150g) em quartos-de-rodela grossos. Frite por alguns minutos, escorra o excesso de gordura, e adicione meio copo de vinho branco. Quando o vinho secar, adicione uma cebola média e dois dentes de alho, picados. Refogue por 5 min, e adicione 8-10 tomates italianos moidos (na mão mesmo. vc quer pedaços identificáveis de tomate, não um pure). Regule o sal e adicione pimenta do reino, pimenta dedo de moça fresca picada, e pimenta rosa (cada pimenta arde de uma forma diferente. A PdR arde no começo, na ponta da lingua, a dedo de moça arde no final, na base da língua, e a pimenta rosa tem uma fragrância própria). Deixe o molho engrossar em fogo baixo, tomando cuidado para não grudar. Quando estiver quase pronto, adicione salsa e cebolinha muito bem picadas, e folhas de tomilho frescas.


Frango desfiado com alho poró no molho bechamel

Refogue 400gr de frango desfiado, junto com uma cebola pequena picada e um talo pequeno de alho poró em rodelas finas. Reserve. Misture bem 60g de manteiga e 60g de farinha de trigo, até formar uma pasta homogênea. Derreta a pasta em fogo baixo, mexendo sempre. Ela vai escurecer aos poucos. Quando estiver marron claro, adicione leite integral (250ml) frio aos poucos, misturando vigorosamente. Quando tiver um creme homogeneo, adicione pimenta do reino e noz moscada e vinho branco (dá para notar que eu gosto de cozinhar com vinho...), e o frango. Deixe engrossar até a consistencia de um mingau.

Quando for colocar este recheio no crepe, adicione catupiry (para o tradicional recheio francês de poulet avec catupiry) ou mostarda de Dijon (para o tal creme normando).


Calda de laranja com cravos e vinho tinto

Cozinhe o equivalente a dois copos de suco de laranja, com a polpa, 6 cravos, 3 colheres de sopa de açucar e um copo de vinho tinto. Deixe reduzir a 1/5 do volume inicial (deve estar com a consistencia de calda), e adicione duas colheres de chá de raspas da casca das laranjas.

Espalhe uma colher cheia de nutela em metade de cada crepe e dobre a outra metade por cima. Dobre novamente para obter a forma de leque. Deixe tostar dos dois lados. Sirva em um prato por cima da calda, e termine salpicando mais raspas em cima.

Uma variaçao (que não tentei) é substituir a nutela por calda de chocolate meio amargo (manteiga+chocolate ralado+um pouco de leite), e a laranja por limão siciliano.


A Ceci tirou algumas fotos, que ireis postar aqui quando forem passadas para o flickr

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sábado, 28 de outubro de 2006

Casa, Rio de Janeiro
O boletim ML informa:

  • Eu estou indo para BH hoje a noite, para votar e para entregar o presente do meu afilhado (que ainda preciso comprar, incidentalmente). A Ceci tá trabalhando igual doida no Tim Festival, então a visita será ainda mais relâmpago do que o usual. Chego domingo de manhã e saio segunda de manhã.

  • O Gabriel vai ser alpinista quando crescer. Está escalando sofás, cadeiras, tudo que vê pela frente. Analisando de forma puramente objetiva, é impressionante, mas quando você vê seu filho se equilibrando precariamente no topo da cadeira enquanto tenta agarrar a luminária, orgulho paterno é a última coisa que me vem à mente.

  • O Jan Pronk vai voltar ao Sudão, onde deve permanecer até o final do ano

  • O Rafa postou a receita para seus famosos crepes (e Galetes, aparentemente). Pretendo fazer um test drive assim que possível; se eu aguentar talvez até amanhã. Estou pensando em todo tipo de recheio...

  • O governo atual da Coreia do Sul é meio bundão. Não só em relação a Coreia do Norte, que eles evitam a todo custo contrariar, mas também em relação aos americanos e aos chineses, e a próprio oposição doméstica. O Sunshine Roh tenta agradar todo mundo, e acaba não sendo levado a sério por ninguem. Todos os outros paises envolvidos, os EUA, a Coreia do Norte, a China e o Japão, bem ou mal sabem onde querem ir e tem um plano para chegar lá. O governo da CdS parece ter dificuldades para explicar para si mesmo o que está acontecendo, quanto mais formular uma política coerente. Metade dos ministros envolvidos com a politica 'Sunshine' de reaproximação com Pyonyang já renunciou, o presidente Roh tem taxa de aprovação abaixo vinte por cento, e aparentemente espiões norte-coreanos se infiltraram em várias organizações sul-coreana influentes, e chegaram perto de determinar o resultado da eleição para prefeito de Seoul.

  • A Planetary Society, uma ONG (!) tenta levar adiante um projeto de lançar uma vela solar (que usa pressão dos fotons solares e prescinde de combustível).


  • Velas solares tem um enorme potencial para a exploração do sistema solar além da órbita terrestre baixa, mas embora o seu funcionamento em princípio seja muito bem entendido, na prática produzir e desenrolar uma pelicula ultrafina no espaço são extremamente não triviais. Pessoalmente, acho que o grande entrave nas pesquisas espaciais hoje é acesso. Chegar na órbita terrestre baixa já é mais da metade do caminho andado, mas atualmente isto é caro e arriscado, com foguetes químicos que não avançaram muito desde os anos 60. Novas tecnologias, ou mesmo novos paradigmas de lançadores, existem na prancheta, mas só lá. Essencialmente, a ideia é usar o oxigênio da atmosfera (obstando a nescessidade de carrega-lo em tanques) [2], e reduzir o peso dos componentes o suficiente para permitir um veículo que chegue em órbita em um único estágio, e seja reutilizavel. Estas ideias, isoladamente ou em combinação, tem o potencial de reduzir o preço do acesso ao espaço por um fator de 10 ou mais.

    Para além da orbita baixa, existem inúmeras tecnologias promissoras. Além das velas solares, existem motores ionicos (outra tecnologia bem entendido na teoria mas difícil de implementar na prática), e o VASIMIR (que parece nome de figurante do Guerra e Paz, mas que é provavelmente a tecnolgia mais promissora).

    O fato porém é que a NASA e congêneres preferem aplicar seu dinheiro em projetos grandes, complexos e seguros, e não em experimentos pequenos, inovadores mas com grandes chances de dar em nada. Enquanto esta mentalidade permanecer, o espaço vai continuar sendo exclusividade dos Marcos Pontes da vida.

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    domingo, 15 de outubro de 2006

    Casa, Rio de Janeiro
    Mesa posta


    Na foto acima estão os pratos do jantar ao qual me referi no post anterior. Embaixo estão os tomates recheados e a esquerda o salmão com crosta de queijo de cabra (ambos descritos neste post; não usei boursin dessa vez, para alívio do Rafa), em cima o coelho cozido a lá Cury (veja abaixo), e a direita o arroz de alho da Tia Miriam.

    Quando postei a receita do salmão, o Rafael protestou, indignado com o uso do queijo boursin. Ele também mandou a receita do coelho, que reproduzo abaixo. Segui-a com algumas modificações. A mais importante foi o uso de um vinho tinto, e a adição de aipo e cenouras em cubinhos. Também usei urucum, porque o arroz já levava açafrão.


    Coelho com molho acido a moda Cury

    1 coelho
    Bem, tudo comeca em ter que comprar um coelho decente.
    A carne tem que ser macia mas nem tanto. Tem gente que
    prefere nesta receita utilizar galinha mas o sabor do
    coelho (e os ossos e tal) e' completamente diferente.
    Nao sei onde e' que voce pode comprar coelho mas
    acredito que numa metropole como o Rio de Janeiro deve
    haver um lugar que te venda um coelho descente.
    Desnecessario dizer que o animal deve estar morto,
    limpo, despelado, destripado, descabecado e de
    preferencia, ja' cortado em pedacos grandes (patas,
    tronco, peito, etc.)
    Assim que chegar em casa, lavar bem os pedacos,
    colocar num recipiente, introduzir 300 cl de vinho
    branco seco e dois cravos da india - deixar repousando
    umas 4 horas no refrigerador). Se a carne estiver
    dura, pique com um garfo para que o vinho penetre bem
    na carne. Atencao, o vinho nao precisa ser fantastico
    e carissimo mas tambem se for para colocar porcaria,
    melhor entao nao marinar a carne e utiliza-la tal
    qual.

    4 cebolas

    Aprendi aqui na França que existem diversas variedades
    de cebola, segundo o prato que a gente quer fazer. A
    cebola BRANCA, ela e' grande (do tamanho de uma manga
    pequena) e excelente para salada, pois nao e' acida e
    e' bem crocante. A cebola amarela pode ser grande
    (excelente para cozidos, sopas e afins) ou pequena
    (excelente para assados).
    A cebola roxa so' serve para molhos frios de peixe
    (nao encontrei outra utilidade ja' que o sabor e'
    muito pronunciado).... PAra a receita, a cebola
    amarela e' a melhor, mas tem gente que prefere
    utilizar echalottes. Alias, nem sei se tem echalottes
    no Brasil.

    4 dentes de alho (nao esqueca de tirar o germe que e'
    indigesto e deixa um sabor muito desagradavel na
    comida)

    1 limao (e' molho acido, uai). E' claro, aqui eu
    utilizo o limao amarelo mas eu tenho certeza que o
    limao verde ordinario vai ser fantastico na receita. o
    lance e' poder adaptar, nao e' mesmo...

    50 g de algum tipo de gordura (Se voce quer fazer uma
    receita mais mediterranea, o lance e' utilizar azeite
    de oliva 1.5 de acidez/ se o lance e' dar um toque
    mais asiatico, voce pode utilizar o fabuloso azeite de
    amendoim/ se a coisa esta' mais para prato do tipo
    frances, voce pode utilizar manteiga clarificada para
    nao queimar).

    Sal (Normalmente, o melhor e' o sal marinho moido no
    momento. Senao, um sal de ervas ou entao o tal sal
    roseo do himalaia e' fantastico)

    1/2 colher de cafe' de gengibre fresco ralado ou entao
    a mesma medida do gengibre em po'. O fresco ralado e'
    menos forte do que o em po', que e' mais concentrado.
    Vai de gosto. Quanto mais gengibre, mais asiatico o
    prato fica...

    1/2 colher de cafe' de cominho seco

    1 canela em pau (se nao tiver, nao ponha canela
    ralada, que nao da' o mesmo efeito)

    2g de açafrao (bem, na verdade isso aqui e' para dar
    cor mesmo ja' que o verdadeiro acafrao e' muito caro.
    Ou seja, umas 2 gs de colorau tambem vao fazer a
    festa.)
    1 maço pequeno de salsinha

    1 maço pequeno de cebolinha

    1 maço pequeno de coentro

    2 folhas de louro

    Caldo de galinha o suficiente para regar (2 cubos p/ 1
    litro - de preferencia, um caldo de galinha sem
    frescuras)

    O modo de preparo:

    Picar a cebola em cubinhos, esmagar o alho e macerar
    num gral com pistilo a cebolinha, a salsinha e o
    coentro. Colocar numa panela grande a substancia
    gordurosa e assim que esta estiver quente, colocar o
    coelho em pedacos escorrido. Va' virando os pedacos
    ate' que estes estejam dourados. Quando estiverem
    dourados, colocar a cebola em cubinhos, seguida do
    gengibre, do cominho, da canela, do alho esmagado e de
    300 ml de caldo de galinha. Voce pode utilizar o vinho
    da marinada para dissolver o caldo de galinha tambem.
    Corrija o sal e de repente, se for do gosto, a
    pimenta. Esse e' normalmente o momento de tirar tudo e
    colocar na tal da tajine. Mas o lance funciona tambem
    num WOK sem problemas. Deixe cozinhando uns 30
    minutos, com o WOK semi-aberto. Adcione se necessario
    o caldo de galinha para o molho nao secar.
    No final do cozimento (a carne tem que estar bem macia
    mas nao despregando do osso), coloque entao o
    coentro/cebolinha/salsinha e o suco de meio limao. E'
    importante coloca-los no final para que as ervas nao
    percam o sabor e nao fiquem horas cozinhando e que o
    limao tambem nao cozinhe muito, senao fica muito
    acido.

    Normalmente se come com cuscus mas voce pode fazer com
    um arroz branco que fica muito bom tambem.

    Dica: essa e' para aqueles que gostam de miudos: os
    coelhos aqui sao vendidos com o figado. Ha' quem goste
    de colocar o figado cozinhando no molho, para dar
    sabor. Eu acho um nojo mas isso vai de gosto. Pode ser
    que fique bom.

    Todas as variantes sao bem aceitas: voce pode colocar
    pimentoes em cubo, tomates em cubo tambem ou entao ao
    inves de marinar o coelho, pincela-lo com massa de
    tomate.

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    sexta-feira, 13 de outubro de 2006

    Casa, BH
    Sob fogo cerrado


    Acabo de descobrir. Pinhões explodem.

    Querendo poupar o tempo de ferver agua para cozinha-los, coloquei no microondas os pinhões sobreviventes do jantar que fiz para o Bruno Gottlieb, a Tamara, a Nê e o Kazam. Estava pegando a coca na geladeira quando começei a ouvir um assovio estranho vindo do microondas, seguido de um verdadeiro tiroteio.

    Fiquei olhando fascinado, vendo as grossas cascas inflando até se arredondarem, para então explodir com um estrondo. Somente várias detonações depois me lembrei que o objetivo inicial dos pinhões era alimentar, e não entreter. Desliguei o microondas, e fui ver o resultado. Em metade deles as cascas tinham se partido com uma concha, e o cerne tinha literalmente virado uma pipoca. Bizarro, mas surprendentemente edificante...

    Passei a respeitar mais os pinhões. Eles podem ser comprados a um real o quilo na beira da estrada, ao contrario dos seus esnobes primos italianos, os pinoles; mas são obviamente cheios de surpresas.

    Deus nos ajude se Kim Jong Il por as mão em alguns desses...

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    quinta-feira, 14 de setembro de 2006

    Casa, Rio de Janeiro
    Jantar de despedida

    Um casal de amigos nossos (O Bernardo e a Carla, muito amigos mesmo) está indo morar em Londres, e hoje eu fiz um jantar de despedida (com ajuda do Bernardo). Fiz três pratos, uma entrada e duas principais. Eu me lembro que quando começei a cozinhar demorava horas para fazer um, estou ficando mais eficiente...

    O Gabriel acordou, ele está meio gripado, acho que a noite vai ser longa. Amanha eu termino este post com as receitas.

    Bom, como prometido, eis as receitas:

    Primeiro, a manteiga com ervas, que é usada em dois dos pratos. Amasse uns 90g de manteiga com 30g de farinha de trigo e ervas muito bem picadas (usei salsinha, manjericão e um pouco de manjerona) até formar uma pasta homogênea.

    Entrada:
    Tomates recheados com Cogumelos e alho poró

    Ingredientes:
    6 tomates grandes, ainda firmes mas não verdes
    150 g de cogumelos de Paris frescos, sem os talos e cortado em fatias finas
    150 g de Chitaque fresco, sem os talos, etc.
    1 talo (uns 30 cm) de alho poró, cortado em rodelas finas
    50 g de bacon picado em cubinhos
    Molho de soja
    Vinho tinto
    _______________________

    Despele os tomates. Eu faço isso mergulhando-os em uma panela de agua fervente rapidamente, e depois transferido-os para uma vasilha com agua fria. A pele sai facil,mente.

    Faça um corte em forma de cone no topo dos tomates. Corte a base da tampa. Remova o interior do tomate (sementes e a maior parte da polpa) com uma colher. Separe a polpa.

    Em um wok ou frigideira grande sobre fogo alto, coloque 4 colheres da manteiga e um filete de azeite. Deixe derreter, e adicione o bacon. Frite por 2 minutos, e adicione o cogumelo. Mexa vigorosamente até os cogumelos ficarem macios (uns 2 minutos) adicione o alho-poró e continue agitando maniacamente por mais 1 min. Adicione a polpa amassada retirada anteriormente dos tomates, shoyu (a gosto, é o que dá sal) e 1/4 xicara de vinho. Dê uma flambada, porque vc quer acabar com alcool do vinho o mais rápido possivel (ou o alho poró e os cogumelos perdem textura), desligue o fogo e adicione mais uma colher de manteiga para ficar cremoso. Misture, e recheie os tomates.

    Leve os tomates ao forno pré aquecido, por uns 5 minutos.

    Arroz de sete grãos com carneiro, castanha e cebola caramelizada

    Ingredientes:
    4 cebolas grandes
    1/2 colher de chá de açucar
    3 dentes de alho
    1 cubo de caldo de galinha
    200 g de Arroz de 7 grão

    200 g de carne de carneiro, picada em tirinhas (usei costela)
    70 g de castanha de caju (um pacotinho)
    Vinho tinto
    Sal e Pimenta
    Maço pequeno de salsa
    _______________________

    Misture o cordeiro com sal e pimenta, e deixe entranhar.

    Corte 2 das cebolas em rodelas. Jogue na panela quente com um pouco de azeite. Deixe a cebola começar a queimar, e vá adicionando vinho (da primeira vez) e água (nas vezes subsequentes) aos pouquinhos para limpar a borra que se forma na panela. A cebola vai adquirir um cor marrom-caramelo. Adicione 1/4 do caldo de galinha. Quando a cebola estiver começando a ficar mole, adicione a última dose de agua e o acúcar. Deixe secar. O açucar vai formar um caramelo em volta da cebola. Separe, e reserve.

    Corte o resto da cebola em cubinhos, refogue na (mesma) panela até começar a desmanchar (use mais azeite e um fogo mais baixo). Adicione o arroz. Quando ele começar a ficar transparente, junte 1/2 xicara de vinho. Quando o cheiro de alcool passar e o vinho secar, adicione a água (quente!), o resto do caldo de galinha e o carneiro. Quando estiver quase pronto (idealmente, quando a água estiver quase secando), adicione a castanha. Não mexa, deixa a panela semi-tampada. Isso não é um risoto, não deixe o arroz passar do ponto.

    Sirva com as cebolas caramelizadas por cima, cobertas de salsinha picada.


    Filé de salmão com crosta de bousin e sal grosso

    Ingredientes:
    Um filé de salmão, +-500g
    1 queijo boursin (+-150g)
    Sal grosso
    Maço de manjerona, picada grossa
    A indefectivel manteiga de ervas
    Pimenta do reino

    Azeite
    Aspargos, cogumelos,
    etc. Algum vegetal com sabor suave (mas não insonso), para equilibrar o salgado do boursin e do sal grosso.
    _________________
    Mergulhe os aspargos (ou VcSS a sua escolha) rapidamente em agua fervendo, e transfira para o recipiente de cozinhar no vapor (eu tenho certeza que isso tem um nome técnico, mas não faço ideal qual). Deixe lá por uns 5-10 min.

    Unte um pirex com azeite, coloque o salmão com a pele para baixo.

    Cubra o salmão com camadas sucessivas, nessa ordem:
    - Manjerona, picada grossa
    - Metade do sal grosso
    - Queijo boursin (uma camada de 1 cm)
    - O resto do sal, pimenta moida
    - Manteiga de ervas.

    Coloque os aspargos, cogumelos e eventuais VcSS em volta do salmão no pirex

    Asse no forno pré-aquecido (uns 200 graus) por 5-10 min. Acenda a chama de gratinar, e deixe por mais uns 10 minutos, ou até o boursin dourar.
    _______________

    Bom, é isso. Arroz de carneiro e salmão não é uma combinação muito ortodoxa, mas desta vez funcionou.

    Melhor servido com um Chateau Cocá de garrafa de vidro, safra 2005, vindo do característico torroir da RJR. Na falta, um vinho quebra o galho.

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