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quarta-feira, 22 de abril de 2009

Casa, Rio de Janeiro
That's no moon. It's a space station

Mimas (uma lua que foi destruida por colisões e reformadas várias vezes), vista pela sonda Cassini em órbita de Saturno. Mais aqui.

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sexta-feira, 18 de julho de 2008

Observatorie de Paris, Paris
Laplace esteve aqui

Talvez a parte mais interessante de congressos internacionais como este seja a interação com pessoas de todo o mundo. Hoje almocei com uma espanhola, uma alemão e um georgiano (i.e, da Georgia, república ex-soviética). Chegamos a conclusão que o mundo pode ser dividido entre paises que são organizados demais (i.e., Alemanha, Suiça, União Soviética) e países que são desorganizados demais (i.e., Brasil, Itália, Georgia). A preferência por um tipo ou outro é uma questão puramente subjetiva.

A primeira linha de meridiano do mundo (antes de Greenwich se impor) foi definida aqui no Observatório de Paris. O prédio onde ocorre o colóquio ("Batiment Perrault¨, em homenagem ao arquiteto que o projetou) se alinha perfeitamente ao eixo norte-sul, e é dividido ao meio pelo meridiano, que é indicado (acima, na foto) no espetacular salão Cassini (onde ocorre o igualmente espetacular coffee break).

O Observatorio de Paris foi fundado em 1671, e provavelmente é a mais antiga instituição do tipo em atividade no mundo. Seu primeiro diretor foi Giovanni Cassini, o maior astrônomo da sua époa, que entre outras coisas mapeou a lua e observou e classificou pela primeira vez as divisões dos aneis de Saturno. Após sua morte, a diretoria passou em sucessão dinástica sucessivamente para o filho, neto e bisneto. A linha foi interrompida pela revolução francesa. Entre os diretores não-cassinianos subsequentes, vários se destacaram como astrônomos ou matemáticos, mas o mais famoso certamente foi Laplace, cujas descobertas são tão profundas e variadas que nem tenho ânimo de resumir.

Acima, uma foto do Salle du Conseil, onde ocorrem as palestras. E' uma sala circular, com janelas que se alternam com retratos de alguns dos antigos diretores. A pintura maior é uma representação um tanto afrescalhada do Rei Sol (Luis sei-la-das-contas), que fundou a instituição.


Ao lado, detalhe do teto da Salle du Conseil, onde uma alegórica Venus transita* em frente a um Sol igualmente alegórico, sob a observação atenta de um bem equipado grupo semi-alegórico composto por querubins e um mané com uma toga esvoaçante.

Note os não-alegóricos telescópio e demais instrumentos de astronomia e cartografia. Obviamente, se o querubim observasse o evento desta maneira, queimaria a retina.

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* Trânsito é a passagem de um planeta na frente do disco solar. Ao cronometrar precisamente quando isto ocorre (notando que cronômetros precisos são o sina qua non para determinar longitude), e' possível medir por paralaxe a distancia absoluta do planeta ate' a Terra. As leis de Kepler so' permitem calcular as distancia relativas entre os planetas.


A torre da igreja Saint Jacques de la Boucherie, ponto de partida tradicional para a peregrinação até São Tiago de Compostela. O resto da igreja foi demolido durante a revolução. A torre remanescente foi restaurada diversas vezes (uma estátua do Blaise Pascal foi construida na base no século XIX).

Eu adoro vitrais. É preciso escolher as condições certas para aprecia-los da melhor forma possível. Idealmente, o sol deve estar a meio caminho entre o horizonte e o zênite; e a cobertura de núvens deve ser esparsa o suficiente para que haja bastante luz, mas fechada o suficiente para que esta última seja espalhada e suavizada. O dia hoje as 10:30 da manhã estava quase perfeito em todos os aspectos. O celular não faz justiça a este vitral (na Notre Dame), mas já dá para ter uma ideia do que estou dizendo. Amanhã quero visitar a Saint Chapelle, que tem os vitrais mais impressionantes que já ví.

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terça-feira, 24 de junho de 2008

Vastitas Borealis, Marte
Taz em Marte

O diabo da Tasmânia e família em Marte (redemoinhos de poeira!)

Embora em Marte o clima seja mais frio e a atmosfera seja mais rarefeita que na Terra, também há por lá coisas como calotas polares e gelo congelado sob o solo, nuvens (em todos os casos anteriores, tanto de agua quanto CO2) e tempestades de areia que obscurecem o sol. No passado as coisas aparentemente foram ainda mais interessantes: O complexo vulcânico de Tharsis parece uma espinha gigante na face do planeta, e inclui o maior vulcão do sistema solar, o Monte Olimpo local, com 20km de altura e muito semelhante ao havaiano Mauna Kea*. Ao lado de Tharsis, um complexo de canyons gigantesco (umas 100 vezes maior que o grande canyon) chamado Vale Marineris, foi formado por algum tipo de atividade proto-tectônica. Marte certamente esteve muito mais 'vivo' no passado. Mas ainda não sabemos se a afirmativa anterior é exata ou apenas licença poética.

Atualmente existem 5 sondas em atividade em Marte (um recorde!): Duas em órbita e três no solo (duas móveis e um laboratório remoto). Denre a enorme quantidade de imagens produzidas por esta constelação, o excelente blog de fotografia Bigpicture selecionou diversas fotos dentre as mais impressionantes, das quais posto algumas abaixo.

Por do sol em Marte, visto pelo Spirit


Uma tempestade de poeira (da consistência de talco) cobre boa parte do planeta.
À direita na imagem, o complexo de Tharsis. Ao centro, o Vale Mariner


A Phoenix no momento da abertura do para-quedas. Ao fundo, a cratera Heimdall (que guardava a ponte do arco-iris em Asgaard, para quem se lembra da mitologia nórdica e/ou quadrinhos da Marvel

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* Onde esteve o Pará!

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domingo, 25 de maio de 2008

Vastitas Borealis, Marte
O pouso da Phoenix

A sonda e seu paraquedas, vistas de órbita

20:50 GMT -0300

Estou acompanhando o pouso (amartizagem?) da sonda Phoenix em Marte. Estou acompanhando pela CNN e pela NASA TV; a última notícia é que a manobra de frenagem atmosférica foi bem sucedida, e o sinal do orbitador foi recebido.

A proposta da Phoenix é ser uma sonda relativamente barata e arriscada. A parte mais complicada de qualquer viagem para Marte é o pouso. Diversas combinações de retrofoguetes, air bags e paraquedas foram tentados ao longo dos anos; e a maior parte fracassou. Em termos de astronomia planetária, Marte provavelmente é o planeta mais azarado.

Os paraquedas da Phoenix devem se abrir em menos de 3 minutos... Se tudo correr bem, 3 minutos depois os retrofoguetes serão ativados e ela pousará de forma razoavelmente suave, e comecará a transmitir (veja painel ao lado).

Ainda esperando o sinal da sonda. Até o pouso...

21:01 GMT -0300
Recebida confirmação que escudo de calor se separou como planejado


21:03 GMT -0300
Pousou!!

26/5 15:52 GMT - 0300
A sonda está mandando fotos da região polar boreal de Marte.

Mais fotos aqui.

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quarta-feira, 20 de fevereiro de 2008

Planetário da Gávea, Rio de Janeiro Eclipse do eclipse


Hoje a noite vai rolar um eclipse total lunar. Estou a caminho do Planetário munido de câmera, binóculo e laptop.

(22:12) Vim de bicicleta para o planetário, com a câmera digital da Ceci, meu binóculo e laptop (todas as posses materiais de que realmente preciso). Havia combinado de me encontrar com um grupo razoávelmente grande e heterogêneo, mas um a um, a lá Três Mosqueteiros, eles foram ficando pelo caminho. A S1mone tinha um compromisso inadiável; o Sandro precisava terminar de debugar alguma coisa; a Mariana estava se descabelando com um seminário; e o Catão, Breno e demais mineiros acabaram barrados na porta, por falta de senha. Assim, estou eu, sozinho (exceto por 259 estranhos também contemplados com senha), para observar o eclipse.

As perspectivas, porém, não são boas. O tempo está nublado, e a lua aparece só intermintentemente. Pelo menos ninguem me perguntou se faço mapa astral ainda.

(22:25) Uhu! WiFi!

(23:10) Uma maconheira do meu lado fica me perguntando se eu já li 'O Segredo'. Que saco! Da próxima vez digo que sou encanador ou algo assim

(00:00) Saco, a lua já deve estar na umbra e continua nublado

(00:01) Começou a chuviscar. Se Deus estivesse aqui, eu perguntaria para Ele: 'Cê tá de sacanagem, né?'

(01:07) [em casa] Acho que com essa já somei mais 5000 pontos no meu cartão Funai Platinum. Aproveitei para aprender a tirar fotos noturnas sem flash (um dia posto aqui, mas nada particularmente instigante). Além da chuva, os holofotes que as três equipes de gravação ficavam ligando sem a menor cerimônia durante a noite encheram um pouco o saco. Alias, o que esse povo aprende na escola? Um reporter não sabia se o eclipse de hoje ocorria porque a Lua passava entre a Terra e o Sol ou o contrário.

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