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quarta-feira, 3 de junho de 2009

Fundão, Rio de Janeiro
Kinetic Theory of Gases - a Limerick

Bernoulli devised a theory kinetic
well-adapted to gases eclectic
small marbles collide
will by Newton abide

adiabatically compressed, they become frenetic


BM

Enquanto espero o resultado do concurso, escrevo poesia

UPDATE: Não passei. Que melda...

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quarta-feira, 19 de março de 2008

LNAC, Rio de Janeiro
The truth, as always, will be far stranger

O brave new world,

That has such people in't!

Quando eu era pequeno, com uns 10 ou 11 anos, só existiam (na minha presunçosa mente infantil) dois autores que valiam a pena serem lidos: Isaac Asimov e Arthur C. Clarke (Tolkien viria alguns anos depois). De fato, eu era tão conhecido na minha escola por passar meu tempo livre com a cara enfiada em livros de um ou de outro, que quando o Asimov morreu, vários dos meus colegas me ligaram para me dar os pêsames.

Ninguem me ligou até agora para prestar condolências pela morte, ontem, de Arthur C. Clarke. Mas a sensação esquisita, de perder um velho amigo com quem nunca perdi realmente o contato, é a mesma.

Clarke, assim como Asimov, não era um autor dado a criar personagens psicologicamente densos, e sua prosa era direta e funcional. O que o tornava único era sua capacidade de recriar de forma extremamente plausível lugares e situações alienígenas (na acepção mais geral do termo), ao mesmo tempo em que sugeria que tudo aquilo seria apenas uma pequena amostra dos novos e maravilhosos mundos a serem explorados, situados logo além do horizonte. Não sabemos realmente o que são e para que servem Rama, ou os monolitos negros de 2001. Mas acreditamos piamente que eles foram criados para algum propósito, sobre o qual podemos conjecturar, mas não somos ainda capazes de determinar.

Neste sentido, talvez o seu livro mais característico, embora não o mais famoso ou necessariamente o melhor, seja 'Encontro com Rama'. A premissa é simples e direta: Sem explicações, uma estrutura cilíndrica entra no Sistema Solar, em trajetória hiperbólica. A tripulação de uma nave enviada para investiga-la descobre que a estrutura, batizada de Rama, é oca, e passam a explorar o seu peculiar interior.

É um livro em que todos os fundamentos tradicionalmente considerados essenciais para um romance respeitável estão ausentes. Os personagens são bidimensionais, não muito dados à introspecção, com relações interpessoais esquemáticas, e não sofrem qualquer tipo de evolução psicológica notável ao longo do livro. O seu propósito na trama se resume a servir como os olhos e ouvidos dos leitores enquanto exploram Rama, e como sua caixa de ressonância emocional quando se deparam com seus mistérios. A trama de fato nada mais é que uma série de situações nas quais os personagens (e, por extensão, os leitores) se defrontam com o inusitado, e tentam (e falham) em entende-lo. No final, Rama e a humanidade seguem seus caminhos divergentes, e nenhum dos dois parece ter sido muito afetado pelo encontro. Muito é sugerido, mas nada é explicado.

É brilhante!

Imagine-se um leitor por volta de 1800, lendo um livro sobre um naturalista que viaja pelo mundo em um navio a vela, e um dia aporta em um peculiar arquipélago onde vivem várias especies únicas e fascinantes de animais. Após diversas aventuras, nosso herói começa a entender que existe um padrão para a diversidade dos animais, e que estes parecem particularmente adaptados ao seu meio, mas ao mesmo tempo evidenciam traços de uma descendência em comum. Mas, antes que possa formular um teoria completa, o naturalista embarca novamente, e parte de volta para casa.

Clarke é bastante evocativo na sua descrição de Rama, que nos parece um lugar tão real e tão misterioso, quanto as Ilhas Galápagos. E como Darwin observando tartarugas (ou Pasteur debruçado sobre um microscópio, ou ainda Hubble revelando chapas fotográficas no Monte Palomar), os céleres exploradores humanos em 'Encontro com Rama' parecem sempre no limiar de entender o que diabos está acontecendo.

Mas Clarke é esperto demais para atravessar o limiar*. Habilmente, ele nos leva até lá, e sugere que logo adiante, se dermos mais um passo, se juntarmos todas as peças do quebra-cabeça, existe algo novo, fascinante como só a verdadeira descoberta consegue ser, um entendimento mais profundo com o qual tudo passará a fazer sentido. David Bowman deu o passo seguinte, mas nós, por enquanto, não podemos segui-lo.

Em seus outros livros este processo de descoberta nem sempre é tão central, ou é apresentado de forma tão clara. Mas a essência da literatura de Arthur C. Clarke é, creio, como descrevi acima. Em última instância, o seu tema fundamental é a transcendência. Não através da fé cega ou de um epifania espiritual; mas a sim pela exploração do mundo natural, levando à descoberta do novo. Seguindo um pouco no tema de meu post anterior, quem quiser entender porque ciência é mais viciante do que qualquer droga, faria bem em começar, como eu comecei, com os escritos do velhinho acima na cadeira de rodas.

Para terminar, os livros que na minha opinião melhor resumem Arthur C. Clarke



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* Na verdade, muitos anos depois, ele tentou fazer exatamente isto em duas continuações pavorosas de 'Rama', e falhou miseravelmente

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quinta-feira, 26 de outubro de 2006

Casa, Rio de Janeiro
Uma historia em 6 curtas palavras

A Wired pediu a vários autores de ficção científica, projetistas de jogos, autores de quadrinhos e outros nerds em geral, que escrevessem historias de seis palavras. A lista completa pode ser encontrada aqui, mas transcrevo algumas das melhores abaixo:

Machine. Unexpectedly, I’d invented a time <== A minha favorita!
- Alan Moore

Computer, did we bring batteries? Computer?
- Eileen Gunn

Gown removed carelessly. Head, less so.
- Joss Whedon

Internet “wakes up?” Ridicu -
no carrier.
- Charles Stross

It’s behind you! Hurry before it
- Rockne S. O’Bannon

I’m dead. I’ve missed you. Kiss … ?
- Neil Gaiman

The baby’s blood type? Human, mostly.
- Orson Scott Card

Kirby had never eaten toes before.
- Kevin Smith
Help! Trapped in a text adventure!
- Marc Laidlaw

Por outro lado,

O Hitchhiker's Guide to the Galaxy, de Douglas Adams, é um dos livros mais divertidos que eu já lí. É também um dos programas de rádio mais divertidos que já ouvi. E agora, é um dos jogos de adventure de texto mais engraçados que já joguei.

A Infocom, famosa por seus adventures de texto ('>>pick up book' >>'go east'), colaborou com Adams para criar em 1984 o que muitos consideram um dos melhores e mais dificies jogos deste tipo já criados, alguns anos antes do gênero desaparecer frente aos adventures gráficos da Sierra e da Lucasarts. O jogo também era bastante inovador, com uma versão consultável do guia homônimo, com várias sacadas interessantes. Ele usava a interface de texto para de certa maneira trancender as limitações do formato.

Pois bem, descobri hoje que o HHG2tG também pode jogado no site da BBC, com uma interface ligeiramente gráfica. É difícil, e frustrante. Não só os puzzles são complicados e muitas vezes illógicos (estamos falando de Douglas Adams! O que esperavam, teoremas?!), mas também você morre o tempo todo, e as vezes tem que voltar vários savegames porque esqueceu de pegar algum objeto em uma cena anterior. Lembrem-se que o jogo for feito quando 640K era muito e os dinossauros dominavam a Terra. Interfaces gráficas eram para os fracos, e Monkey Island era ficção científica. Mas vale a pena, nem que seja pelo texto do Adams.

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terça-feira, 16 de novembro de 2004

CBPF, Rio de Janeiro - Ruido branco

Não vou mais falar da eleição americana (pode abrir os olhos, Fernando). Este não é um blog político, afinal de contas. Mas não prometo não falar sobre a morte do Arafat, o segundo turno na Ucrania ou o genocidio em Darfour... ;-) Minha personalidade 'News Junkie' está tentando voltar a tona, mas no momento é a 'Cadê a comida?' que está no comando.

Vou jantar agora. Comecei o post prometendo não falar sobre alguma coisa, e terminei falando sobre coisa alguma. Em homenagem as **AA, termino com uma citação do Robert Heinlein

There has grown up in the minds of certain groups in this country the notion that because a man or corporation has made a profit out of the public for a number of years, the government and the courts are charged with the duty of guaranteeing such profit in the future, even in the face of changing circumstances and contrary public interest. This strange doctrine is not supported by statute nor common law. Neither individuals nor corporations have any right to come into court and ask that the clock of history be stopped or turned back, for their private benefit.

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