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terça-feira, 20 de setembro de 2011

Casa, Rio de Janeiro
Cérebros novos e usados



Fui convidado para dar uma palestra sobre o Cérebro. Nenhum problema com o tema; sou físico, não biólogo, mas acho que tenho coisas relevantes para dizer sobre o assunto. Mas como falar sobre o cérebro para uma turma de crianças de 5 a 6 anos? Em menos de meia hora, devo acrecentar, pois este é o tempo máximo que plausivelmente eu conseguiria manter a atenção deles.

Foi o que fui descobrir hoje de manhã, na escola do Gabriel. No final das contas, eu não precisava me preocupar tanto; foi uma audiencia mais interessada e participativa que a de muitas plateias nominalmente adultas. Uma aluna queria saber porque as sensações tem que todas passar pela medula, outro sabia os nomes dos ossinhos do ouvido interno, e um terceiro queria que eu mostrasse no modelo de plástico que levei onde ficava a substância cinzenta... O Gabriel não parava quieto, e era um dos que mais perguntava e comentava, com uma misturo de orgulho filial e ansiedade para se comunicar que lhe é bem característica.


Hoje a noite cheguei em casa e me deparei com um cartão de agradecimento e um maço de papeis onde as crianças desenharam o que haviam entendido da palestra (a professora anota, embaixo, a descrição nas palavras dos autores). Nem menciono o chocolate que ganhei deles mais cedo. Uma palestra muito bem remunerada, eu diria.

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quinta-feira, 7 de setembro de 2006

Casa, BH
De volta

Estou de volta a BH. Vim com a Ceci e o Gabriel de avião, e vamos ficar até 2a de manhã. O Gabriel se comportou quase direitinho a bordo, chorando só um pouquinho e dormindo na metade final.

Geralmente, ele fica de mal humor quando está com sono e não consegue dormir (igual ao pai), mas dá para nina-lo andando pelo corredor da casa cantarolando algo que combine com o estado de espírito dele (i.e., se ele está agitado, canto algo mais animado, se ele está acalmando, ritmo de marchinha, e se ele está quase dormindo o ideal é uma musica calma que vaaaaai e vooooolta.) Meu repertório inclui musicas do Monty Python, hinos nacionais (França e URSS no topo das paradas), valsas, minuetos e algumas árias de opera, a Marcha Imperial, musicas do Chico Buarque, e o clássico de Vincente Celestino; "O ébrio". É um seleção eclética, mas eu canto o que funciona.

É desnescessário dizer que eu canto todas músicas acima, mas não canto bem nenhuma delas. Quando o Gabriel desenvolver algum tipo de discernimento musical, vai ser difícil colocar ele para dormir...

De volta ao avião, andar pelos corredores estava fora de cogitação. Cantar mal então, nem se fala. Por outro lado, bebês se esguelando, ainda mais quando acompanhados de pais intinerantes melodicamente deficientes, são tão bem vindos a bordo quanto membros da Al Qaeda. A solução então é ficar entretendo o Gabriel sentado na poltrona mesmo, com uma sucessão de brincadeiras, caretas e nonsense genérico. Em média cada truque atrai a atenção dele por uns 20 - 40 segundos, então precisamos nos tornar uns animadores bem criativos para mante-lo calmo. Que a paternidade é um aprendinzado eu já sabia, mas que tal aprendizado incluia tornar-me um circo de um homem só é algo que só descobri recentemente.

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segunda-feira, 28 de agosto de 2006

Casa, Rio de Janeiro
Keep walking II

Eu tinha a intenção hoje de escrever um post explicando o que diabos é a conjctura de Poincaré (e o que em breve será o Teorema de Perelman), e tentar dar uma ideia de como o Grigory Perelman conseguiu prova-la. Mas acabei passando o dia ou cuidando do Gabriel (que aparentemente se tornou adepto de power naps de 30 minutos, intercaladas com momentos de mal-humor), ou passeando com o Bilbo, ou fazendo compras, ou cozinhando. Acabo de ninar o Gabriel pela 4 vez essa noite; agora vou ler o jornal, tomar banho e dormir. O Perelman que espere.

PS: No Líbano a notícia é a entrevista do Nasrallah. Para alívio do Fernando não tenho saco agora para uma análise mais detalhada*.

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* Mas como diria o Magueijo, High Bullshit Content



A aviação israelense destruiu boa parte das pontes no Líbano, para impedir que o HA transportasse foguetes para dentro do país e reféns para fora. Claro que a maior parte dos milhões de libaneses que usavam as tais pontes nunca chegaram perto nem de uma coisa nem de outra. HT: Beirut Spring

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terça-feira, 15 de agosto de 2006

Casa, Rio de Janeiro
(ufff)

É impressionante como somos adaptaveis quando a nescessidade é forte e imediata. Há um ano atrás, se me dissessem que eu teria que cuidar de um bebê, aos berros na maior parte do tempo, até ele dormir duas horas depois, eu provavelmente acharia que era piada. E se me dissessem ainda que eu teria que dar banho, remédio e mamadeira, trocar fraldas, brincar e andar pela casa até ele cair no sono; que eu seria o único adulto na casa; e que não, não se tratava de uma brincadeira, eu provavelmente estamparia uma marca em formato de Bruno na parede, no meu pânico de sair correndo.

O fato é que hoje o Gabriel estava irritadiço, e precisei fazer tudo isso para acalma-lo. Hoje acho esta tarefa algo perfeitamente normal, embora cansativa. Foi só quando me sentei de volta no computador que me dei conta de quão extraordinário é dar conta disto tudo, quando no passado muito recente eu não sabia nem segurar um bebê direito.

PS: Estou dando uma recauchutada no ml42. Em geral na base no ctrl-c/ctrl-z, uma maneira meio Frankenstein de criar uma página nova com pedaços de html semi-digeridos de diversas páginas pré-existentes. Mas dá para aprender alguma coisa.

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segunda-feira, 14 de agosto de 2006

Primeiro dia dos pais


Hoje foi meu primeiro dia dos pais recebendo, e não só dando, os parabéns. Ainda sofro de um pouco de dissonância cognitiva com a situação, mas é uma d.c. muito boa de sentir. Hoje fomos com o Gabriel no forte de Copacabana, comer na Colombo e passear na praia. Nada de elaborado, um dia simples e perfeito.

Eu ia escrever mais, mas depois do que escreveram a Ceci e a Mari não sei nem mais o que dizer.

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sábado, 8 de julho de 2006

Casa (nova!), Rio de Janeiro

A melhor coisa do mundo é quando seu filho olha para você e sorri.

Estou de volta ao Rio a quase dois meses. Mas as vezes é mais fácil contar o tempo em termos do desenvolvimento do Gabriel. Nós viemos para cá na época em que ele começava a seguir as coisas com os olhos. Estavamos em pânico depois que a locação quase fechada de um ap na Gávea não aconteceu; tinhamos que começar o processo de alugar outro apartamento, ao mesmo tempo em que cuidavamos do Gabriel; e durante todo o tempo a histérica representante da dona do apartamento antigo ficou enchendo o saco para irmos embora.

Se a seleção tivesse sido tão eficiente quanto nossa procura/proposta/negociação a Italia já teria desistido de jogar e o Brasil seria campeão por default. Claro que já tinhamos a experiencia de mudar de casa uma vez, de achar um apartamento para alugar 5 vezes (2 nesse ano, longa historia), e de efetivamente alugar 2. Mas mesmo assim, na epoca em que o Gabriel começou a firmar o tronco, fizemos a mudança para um apartamento muito agradável no prédio ao lado do antigo.

Mudar nunca é simples, mas rapidamente desfizemos todas as caixas, eu preguei todas as estantes, quadros e demais penduricalhos na parede, instalei as tomadas nescessarias, a Ceci organizou os armarios, e contratou uma babá e uma empregada (agora temos staff!). A casa estava essencialmente habitavel na epoca em que o Gabriel descobriu o próprio pé. No nosso apartamento anterior demoramos mais de 6 meses para desfazer a última caixa...

A Dona Doida (apelido da histérica supracitada) ainda deu algum trabalho. Ela é responsavel por cuidar do nosso apartamento antigo (a dona é a correspondente do Globo em Nova York). É uma terefa que ela desempenha de forma atroz. Obviamente ela não entende nada de imóveis ou da lei do inquilinato, o que seria ruim porém contornável. Mas o problema sério é o seu temperamento histriônico, que exala antipatia e a torna quase impermeavel a lógica ou ao bom senso. Depois do nosso primeiro encontro, em que a locaçao foi quase desfeita (e a Ceci quase saiu no tapa), a responsabilidade de lidar com ela passou a ser inteiramente minha, como a metade mais calma e paciente do casal. E minha calma e paciência realmente foram testadas a ferro e fogo. A Dona Doida agia (e age) como se suas obrigações legais fossem um gasto inadimissível do seu tempo precioso, exceto no que se referia a extrair dinheiro dos inquilinos, que era feito com zelo messianico. O processo de vistoria e devolução das chaves, que não precisava durar mais do que dois dias, se arrastou por semanas, durante as quais ela nos acusou de roubar uma porta, tentou nos empurrar a responsabilidade do conserto da encanação enferrujada e cobrou cada centavo de todas as picuinhas, reais ou imaginarias, que ela conseguiu inventar (e.g., aluguel pelos dias que ela demorou para fazer a vistoria depois de efetuados os consertos, um periodo em que ela tinha as chaves e pleno usufruto do ap). Conseguimos nos livrar de algumas das cobranças mais ridículas, mas para reaver o deposito-caução perdemos algumas centenas de reais em cobranças indevidas (um preço pequeno a pagar para ficar livre daquela imbecil). Sinceramente, ainda tenho dúvidas se ela agiu motivada por má fé ou simples estupidez, mas é uma pena que um apartamento tão legal vá apodrecendo sobre os cuidados da Dona Doida. De qualquer maneira, o Gabriel começava a comer papinhas de fruta quando esta novela finalmente acabou.

Desde então fiquei por conta da *&^#%^ da minha tese (finalmente!). Geralmente trabalho de madrugada, já que o Gabriel acorda quase todo dia (a Ceci fica com as manhãs). O Gabriel já consegue pegar seus brinquedos, adora passear pela casa, e sente coçegas debaixo do braço. E a vida vai indo, assim, em família.

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quinta-feira, 16 de fevereiro de 2006

1 semana com o Gabriel


Vista de dentro, a sala de parto era um lugar bastante mundano. Os médicos discutiam banalidades enquanto casualmente abriam as seis camadas entre a pele e o útero da Ceci. Acho que de fora qualquer procedimento cirurgico adquire uma aura meio mística, com sacerdotes aparamentados de mascaras e luvas fazendo macumbas várias ao lidar com vidas humanas. Mas lá dentro a coisa é muito mais casual. De perto, cirurgia (assim como culinária, ou pintura) parece quase fácil. Você abre, faz o que tem que fazer, e fecha. O que tem de complicado nisso?

Demorou um pouco, enquanto eu assistia fascinado pensando tudo isto, para entender que a insistente pergunta que me faziam; "Você está se sentindo bem?" não era mera curiosidade profissional, mas sim medo de que eu desmaiasse. Parece que tontura é uma reação mais comum do que curiosidade entre os que assistem sua primeira cirurgia.

Abertas as seis camadas, e drenado o fluido amniotico, dois dos médicos praticamente se jogaram sobre a barriga da Ceci (que, notem, estava acordada, com anestesia local), enquanto o obstetra colocava as mãos dentro do útero e puxava com força.

A cabeça espirrou para fora, seguida do tronco e membros. O Gabriel chegou em silencio, tossiu, e começou a chorar. Chorar alto. Não vou nem tentar descrever o que passou pela minha cabeça naquela hora. Ninguem está preparado emocionalmente para ver um micro-ser humano que é metade você sair de uma barriga. É um momento em que você sente toda a sua vida mudando de rumo em um instante. O meu filho era cinza, coberto de muco, cabeludo e com unhas do Zé do Caixão. E era lindo! Tudo na vida é, ou potencialmente pode ser, provisório. Casamento, trabalho, amigos, tudo pode acabar ou mudar. Mas o Gabriel vai ser o meu filho para sempre, para cuidar e fazer crescer. Ele é uma promessa em forma de gente.

A enfermeira levou o Gabriel para ser limpo, pesado (4,85 kg!) e medido (50,5 cm). Sem ser chamado, eu fui atras. É nesses momentos você decide que tipo de pai quer ser. Enquanto ela me oferecia o pacotinho com meu filho enrolado no meio, eu poderia ser sensato e, como nunca antes tinha carregado um bebê, muito menos um recém nascido, deixar a enfermeira leva-lo para a mãe. Ignorei o conselho do meu cérebro, e fiz o que me diziam meus genes pleistocênicos. Peguei o Gabriel da maneira que meu instinto mandou e fui com ele até a Ceci.

Ficamos três dias no hospital. A Ceci não podia sair da cama devido à cesariana, então eu me tornei o mordomo dela (pega agua/telefone/ajusta minha cama/, etc). Para ser sincero, não fui tão atencioso quanto deveria. Mas não era dela que eu queria estar cuidando naquela hora. Troquei minha primeira fralda (enquanto o Gabriel fazia xixi descontroladamente), coloquei ele para arrotar e para dormir. Nunca imaginei que ia gostar tanto de fazer esse tipo de tarefa.

Estamos agora na casa dos pais da Ceci. Temos uma babá, que torna as coisas muito mais fáceis, mas mesmo com este desconto o Gabriel é um bebê muito tranquilo. Ele dorme tranquilo, é fácil de acalmar e (apesar de alguns problemas iniciais) mama direito. Eu fico com ele o máximo que consigo (sofrendo a concorrencia desleal da mãe e dos avós), e descobri que sou até um pouco jeitoso (fato surpreendente, dada a minha estabanação usual). Por algum motivo ele prefere meu dedo à chupeta, o que é uma excelente desculpa para ficar com ele mais tempo.

Bom é isso. O episodio piloto acabou, vamos ver o resto da série.

Para quem quer ver as fotos, sigam os links abaixo
http://www.flickr.com/photos/cecilab/
http://www.flickr.com/photos/cintiasaldanha/
http://www.flickr.com/photos/f_mafra/
http://www.flickr.com/photos/cortielha

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quarta-feira, 11 de janeiro de 2006

Casa da Sogra, Belo Horizonte

Estou em BH desde o último post. O Gabriel continua ótimo, e só ocasionalmente manifesta contrariedade chutando a bexiga da Ceci. Eu que estou de fora sem uma melancia na barriga acho tudo lindo...

Nas ultimas duas semanas saimos muito com o Fernando e a Mi (futuros padrinho e padrinha do Gabriel). Fizemos uma ceia deliciosa de Reveillon (bife role com molho de mel e mostarda, risoto de brie e parma com molho de damasco, salada de nozes e gorgonzola, e as sobremesas fantásticas da minha mãe). Mas realmente nos superamos no RPG (Cthulhu!) que teve aqui na sexta passada. O Fernando mestrou, e jogamos eu, o Zecão, a Ceci(!) e a Mi(!), e a Mari (que fez uma gangster psicopata). Mas antes, fizemos uma paleta (ombro, sp?) de carneiro (veja abaixo) e o mesmo risoto do Revillon. E pensar que a cinco anos mestre e jogadores provavelmente ficariam satisfeitos com uma pizza da mangabeiras...

Falando em Pizza, está rolando uma propaganda na TV da ´Promoção do Mensalão: Compre uma pizza e leve outra inteiramente gratis´. Bizarro...

Depois posta a receita, vou ver um filme com a Mari agora, depois devemos nos encontrar com a Mi.

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sexta-feira, 23 de dezembro de 2005

Casa, Rio de Janeiro

Estou postando literalmente da minha janela, que é o unico lugar que pega bem o WiFi da 'claudinha' (o meu vizinho de baixo ainda não ligou o WiFi dele, tô quase batendo na porta para reclamar).

Estamos indo hoje para BH, onde ficaremos até o nascimento do Gabriel e além. Depois posto mais que a Ceci já esta chamando para ir embora.

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quarta-feira, 30 de novembro de 2005

Casa, Rio de Janeiro - Lobo Solitario


lwc_cart
Originally uploaded by wronski.
Um comentario rápido: Eu e a Ceci estamos procurando um carrinho para o Gabriel. Depois de muito pensar, decidi que é este que eu quero.

Em vista da temática niponica, eu me pergunto: Porque não podemos todos usar kimonos? A algumas semanas estive em BH para o casamento do Alastair. Foi muito legal encontrar todos os meus amigos deste ramo da minha vida sob o mesmo teto. A única tristeza foi que pela primeira (e espero última) vez na minha vida tive que usar um terno.

A Ceci já postou as fotos no flog dela, depois eu posto aqui com comentários adicionais.

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quinta-feira, 13 de outubro de 2005

Casa do Fernando, São Paulo

Vim aqui para Sampa para conhecer o filho do Alexandre (irmão da Ceci), que acabou de nascer. Cheguei aqui ontem e tirei o Fernando da cama as 7 da matina. Fomos para FNAC olhar uns laptops, e depois fui para o hospital. Que fica no Morumbi, do outro lado da cidade... E era feriado...

Eu poderia pegar um onibus, mas não sabia qual, e se eu me perdesse seria dificil retornar a civilização. A melhor opção era ir de metrô. Simples, é só:

Pegar o metro em Triannon-Masp até Paraiso - baldear -
metrô Paraiso - Sé - baldear -
metrô Sé - Barra funda - baldear para o trem urbano-
trem Barra funda - Pres. Altino - baldear
trem Pres. Altino - Morumbi

Trivial.

Nunca tinha andado de trem aqui em SP, foi interessante extravasar o meu Paul Theroux suburbano. Passei pelas favelas mais fudidas que já vi na vida, uns barracos de papelão, compensado e lona que iriam abaixo com um chute ou um vento mais forte. Como estamos no Brasil, os barracos acabam de um lado da linha de trem, e o próspero e agradavel bairro do Morumbi começa do outro.

Talvez devido ao dia das crianças, várias delas faziam bagunça em graus variados nos vagões. Mas eram os vendedores ambulantes que corriam e gritavam pelos corredores

...Halls branco legitimo pastilha de gengibre para gripe e gominhas de cabelo para sua jujuba 5 por um real abre automaticamente o guarda chuva com blip blip bonequinhos musicais cuide de sua higiene com a escova de dente mata barata mata formiga...
A opereta do comercio ambulante só durou 2 ou 3 estações, depois voltei a ler meu livro e olhar a paisagem.

Cheguei no hospital, apesar de tudo, e fui visitar meu sobrinho, aka João. Ele é muito pequeno, muito vermelho, e não vem com manual de instruções. Não sei o que ele achou de 12 manés babando (figurativamente falando) em volta. Nada, suponho, já que ele ainda não consegue focar os olhos e tem como hobbies mamar e dormir. Mas nós gostamos dele. É difícil explicar porque BBs são tão interessantes, talvez porque esta seja uma fase onde praticamente dá para ver ele crescendo e se desenvolvendo. Em um dia ele aprende a pedir leite, com uma semana ele consegue focalizar os olhos, em dois meses ele dobra de peso. Eu imagino as sinapses se formando, as primeiras memorias quase instintivas sendo registradas. Cada pequena experiencia hoje vai ajudar a determinar quem ele vai ser para o resto da vida. E pensar que eu vou ter o meu logo...

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sábado, 17 de setembro de 2005

Casa do Bernardo, Rio de Janeiro

Estou aqui na casa do Bernardo, surrupiando WiFi de alguma pobre alma insuspeita. Eu e a Ceci acabamos de levar uma surra no buraco, então vou afogar minhas magoas descrevendo meu feriado & fim de semana.

Fui para a fazenda do André (no Portal do Inominavel, aka Moeda) para ajudar no levantamento arqueologico que eles estão fazendo. A equipe já foi descrita e parcialmente esquartejada no post com a historinha, a unica correção é que a Gó na verdade é o Gó. Embora julgando pela quantidade de artigos de higiene & beleza que ele leva o erro não foi tão grande assim (desculpe Gó, não pude evitar).

A ideia do levantamento é a seguinte: Por amostragem, definem-se faixas de terreno a serem investigadas, a procura de vestigios arqueologicos do que quer que seja. Nós então nos postamos em linha, e avançamos, sem desviar, passando por quaisquer rios, buracos, ravinas e matagais no caminho, com um facão na mão e o espirito do Howard Carter na cabeça. Além de alguns arranhões e vários carrapatos, sobrevivi incolume. Não achamos nada de espetacular, cidades perdidas ou templos ciclópicos, somente alguns aterros, restos de um casebre e um muro de pedra. No final do dia acampamos no topo da serra. Tive uma noite semi-miseravel, com vento e chão duro, mas tudo bem. No dia seguinte, o grupo iria continuar a busca, e eu tinha que voltar para BH para um pré-natal com a Ceci (tudo ok). Fui então com o Tala de volta para a cabeceira da trilha. O Tala é um cara muito gente fina, responsavel por montar e desmontar o acampamento, mas é um adepto da prática do tratorismo: Ele decide que vai 'por ali', e vai, passando por cima. Foi claudicando atras dele, e cheguei meio morto no ponto de encontro, cheio de carrapatos, e morrendo de fome e sede. Muito legal! Se pudesse voltava na semana seguinte.

Me encontrei com o Fernando e a Mi, almoçamos, e eles me levaram direto para o consultorio. Eu estava um bagaço, com o rosto queimado e descascando, multiplos carrapatos e dores generalizadas; pensei seriamente em levar um cajado que arranjei em Moeda para o consultorio e dizer algo do tipo 'Levarei este menino para ser meu aprendiz em Avalon', mas pensei melhor e deixei o cajado no carro de Fernando para pegar depois. Meu filho está ótimo (Gabriel é atualmente o nome mais cotado), e o médico é craque em desanuviar algumas das paranoias da Ceci. Voltamos no mesmo dia para a fazenda, para uma rotina mais light de cozinhar, jogar boomerangue, pular na cama elástica e nadar.

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domingo, 28 de agosto de 2005

É menino!

Fizemos um ultrasom hoje. É (1, e não mais que 1) menino! Tudo aparentemente no lugar, deitado de lado, com o coração a 154 bpm.

Vamos começar a pensar em nomes. Epaminondas Palpatine ou Mithrandir Atreides? De qualquer maneira temos que avisar as Bene Gesserit

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quarta-feira, 29 de junho de 2005

Casa, Rio de Janeiro

Estou grávido... Estritamente falando, a Cecilia está. Quando fiquei sabendo, e por alguns dias depois, fiquei muito em pânico, e muito feliz, e muito em pânico, e muito feliz, alternadamente até que os dois sentimentos se fundiram em algo muito estranho. Viver dentro da minha cabeça é uma experiencia inusitada em situações normais, atualmente esta sendo algo positivamente surreal.


Hoje estou mais calmo, em grande parte devido as mensagens dos meus amigos. É muito bom quando as pessoas ficam genuinamente felizes por sua causa. E é muito bom ter amigos assim.


O melhor (ou pelo menos o mais conciso) conselho é o do André: Don't Panic.

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