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quarta-feira, 29 de junho de 2011

Lareira, Hotel Orotour, Campos do Jordão
Idílio Paleolítico

Estou em Campos do Jordão, para mais um 'Nova Física do Espaço' (o décimo ao todo, e quarto de que participo). Está fazendo um frio glacial, o que torna particularmente agradável a lareira sobre cujo ombreira estão os meus pés. Agora a pouco um grupo de chorinho (quase) exclusivamente feminino, o 'Choro de Saia' estava tocando; uma delas é casada com um pesquisador do Inpe (o Alex, que arranjou algumas das músicas).

Antes da música, eu estava tendo um dia bastante paleolitico. Depois de apresentar o meu trabalho pela manhã (o que transcorreu muito bem), eu e o Reza (o meu colaborador britânico de origem iraniana) passamos as três horas seguintes subindo morros e percorrendo trilhas. De volta ao hotel, depois de trabalhar um pouco, comi quantidades industriais de carne mal passada em um churrasco organizado pelo evento. Reavivei então a lareira com pilhas de lenha e uma afanação vigorosa com programa do Nova Física. Realmente, é um estilo de vida bem neandertal este que consiste em perambular por matos e morros, comer carne quase crua e acender fogos crepitantes*. Eu estava a ponto de tacapear alguma transeunte randômica mais apresentável, quando o chorinho começou. Este teve um profundo efeito civilizatório em mim, e me lembrei o suficiente de 20000 anos de evolução cultural para escrever neste blog.

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* As duas últimas atividades são o que permitiram nossos antepassados (a partir do Homo Erectus, que primeiro fez uso do fogo) terem cérebros grandes e metabolicamente caros; se tivessemos que subsistir da alimentação dos gorilas (sem cozimento, sem carne), precisariamos de passar mais de 12 horas por dia comendo só para não morrer de fome.

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sábado, 14 de fevereiro de 2009

Rodoviária, São Paulo Vida de Hobbit III

O Nova Física terminou hoje de tarde (de manhã, tivemos uma sessão com o inesquecivel nome de ´O setor escuro da gravitação´), e vim para São Paulo para uma femtovisita. Cheguei de tarde, fui na livraria Cultura, jantei kebab com o Fernando e sushi com o André e o Kosta. O jogo de Cthulhu ontem teve desfecho trágico: A Stella ficou insana e se juntou aos cultistas, e o Sandro e a Mariana tiveram que fugir da cidade, após tacarem fogo em um museu local cheio de preciosas antiguidades.

Saio de São Paulo sem ter incendiado qualquer museu ou item do patrimônio histórico digno de nota. Algo para se orgulhar!

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quarta-feira, 11 de fevereiro de 2009

Hotel Leão da Montanha, Campos do Jordão
A demanda pelos campos do Jordão

Estou em Campos do Jordão, SP, para outro encontro 'Nova Física do Espaço' (é o 8o, dentre os quais estive em 4). Por alguma razão, as minhas viagens até aqui costumam ser um tanto tribuladas. Desta vez, não tive que imprimir um novo poster em Taubaté ou recuperar minhas chaves em uma suposta boca de fumo/sauna gay. Mas por pouco, muito pouco, não acabei indo para Aguas de Lindóia por engano. É fácil de confundir as duas cidades: ambas ficam em São Paulo e sediam eventos científicos que costumo frequentar (no caso de AdL, o Encontro Brasileiro de Física de Partículas e Campos). De qualquer maneira, passei uns 10 minutos me informando, na rodoviária do Rio, sobre onde comprar uma passagem para AdL, e só depois de ser informado dos horários me dei conta que devia ir para outro lugar.

Pensando bem, os meus problemas em viagens para Campos do Jordão sempre porque esqueço alguma coisa: Meu poster, minhas chaves, ou o nome da cidade para onde estou indo.

Um fenômeno bastante comum em encontros científicos é a profusão de palestrantes terminando suas apresentações durante o próprio encontro, as vezes até poucos minutos antes da palestra. Eu certamente faço isso com frequencia. Mas desta vez decidi inovar, e terminei o *trabalho* que ia apresentar nos onibus (Rio->SP e SP->CdJ). Uma hora antes de chegar em CdJ, finalmente provei uma conjectura geométrica que precisava para calcular o último número que fecha o trabalho (é um trabalho bastante simples, felizmente). Então fui dormir um pouco. Cheguei no hotel as 9, terminei a apresentação rapidamente, e fiz minha apresentação ao meio dia. E fui dormir um pouco em um sofá, porque o *&^*#& do meu colega de quarto desaparecera com a chave. De resto, foi um dia agradável, com algumas palestras interessantes. Fomos mais tarde ao Baden Baden, onde o Nelson [professor do CBPF], um tanto chocado, descobriu que dois de seus alunos de doutorado (e dois ex-alunos do seu curso de cosmologia) jogavam RPG*.

Por último, fiquei sabendo recentemente que não são os únicos estudiosos do Universo a se reunir nesta cidade. Por exemplo:

Nos dias 25 a 27 de maio, o Centro Integrado Yoga Sandri vai promover o Darshan II – Jornada Além do Ego, em Campos do Jordão (SP). Com o tema “Yoga Milenar e a Física Quântica. Sua vida e a consciência quântica [...]”
Parece picaretagem? Nããão....
Dentre os destaques, o Darshan terá neste ano Harbans Arora, físico nuclear, especializado em física quântica, professor de yoga e terapeuta quântico, [...]
Pois é. Com um 'especialista em física quântica' no evento, a coisa é obviamente da mais alta seriedade.


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* Um fato notável deste congresso é a presença de metade do meu grupo de RPG no Rio; Sandro; Mariana e Stella estão aqui apresentando trabalhos vários. Devemos jogar Crhulhu hoje a noite.

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sexta-feira, 15 de fevereiro de 2008

Hotel Leão da Montanha, Campos do Jordão
Baden Baden

Campos do Jordão é uma cidade agradável. De fato, em todos os aspectos, o Nova Física provavelmente é o meu congresso anual favorito. É um encontro focado em juntar físicos e astrônomos, e a interação entre os participantes, em quantidade e qualidade, é muito superior ao (e.g.) encontro de partículas e campos. Parece até piegas, mas é um evento onde um real sentimento de comunidade existe. É algo imponderável, mas bem real, e se manifesta na facilidade em nos sentamos na mesa de jantar de desconhecidos, e nas perguntas e comentários que surgem por todos os lados.

As palestras são em geral boas, mas o mais inusitado é que praticamente todos os participantes assistem a todas elas. O WiFi ajuda, obviamente (há sempre que prefira ver resultados de futebol ou bater papo no gtalk a ouvir sobre emissões de raio-x em superclusters); mas o interesse pelas apresentações é bem real.

Hoje (ontem) foi o encerramento, e como é tradicional, descemos em peso até a Baden Baden, uma renomada e careira cervejaria local. Amanhã (ou, mas propriamente, de manhã), ainda há palestras. Porém, de forma igualmente tradicional, muitos dos até então assíduos participantes serão afetados pelo chamado Efeito Baden Baden, e irão preferir 'revisar artigos' ou 'preparar aulas' do conforto de suas camas, embalados pelo suco de cevada fermentada da noite anterior.


PS: Estou subindo este post já do Campus Party; vim de CdJ de carona com um professor do ITA até São José dos Campos, e de lá peguei um onibus até Sampa. Depois posto sobre o CP, mas para quem estiver interessado, posts não faltam pela blogosfera brasileira afora (metade dela está aqui de qualquer maneira).

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terça-feira, 12 de fevereiro de 2008

Hotel Leão da Montanha, Campos do Jordão
Perdendo coisas

Estou em Campos do Jordão para o VII Workshop Nova Física no Espaço. É um dos meus encontros favoritos, com relativamente poucos participantes, onde sempre ocorrem discussões interessantes. O fato de que ocorre em um Hotel excelente situado em uma cidade agradável também ajuda.

Como de costume, viajar foi um tanto menos não-trivial do que deveria. No domingo (dia em que pegaria um ônibus para São Paulo, com conexão para CdJ), fui para a praia com a Naira (e a Jacqueline, minha amiga francesa que na visita anterior trouxera o envelope para Rosa Mara). Após a passagem de um bloco barulhento acompanhado por um Bin Laden saltitante, Langley enviou uma chuva diluvial. Na pressa de achar um taxi, esqueci minhas chaves na bolsa da Naira. De noite, peguei um taxi até a casa da Naira para recuperar minhas chaves (e aproveitar para bater um papo), e prontamente esqueci o celular no banco do táxi...

Após algumas tentativas, finalmente uma voz feminina atendeu o meu celular. Ela havia achado o porcaria no táxi, e resolveu leva-lo para casa por alguma razão. Me forneceu o endereço de seu prédio, e disse que o deixaria com o porteiro.

Peguei então outro táxi, temendo estar indo para uma boca de fumo e/ou sauna gay (onde obviamente eu chegaria momentos antes de uma batida da polícia). Felizmente, era um prédio residencial perfeitamente ordinário. O porteiro, inicialmente, me encarou como se eu efetivamente estivesse a procura de uma boca de fumo e/ou sauna gay, mas após alguma mímica entendeu que só queria o meu celular.

Com o dito cujo na mão, pulei de volta no táxi, que me levou até a rodoviária, onde peguei um semi-leito até São Paulo, onde cheguei 10 minutos depois da saída de um ônibus para CdJ. Com três horas para matar até a saída do próximo, fiquei vagando pelo Terminal Tietê, e fui notando um profusão de viajantes portando incongruentes combinações de apetrechos de acampamento (barracas, sacos de dormir) e acessórios nerd (mochilas para laptop, palms, etc.). Obviamente, estavam a caminho da Campus Party. São pessoas que, ao ouvirem 'estava postando no meu blog ontem e...', do não lhe olham com aquela mistura de horror, surpresa e curiosidade mórbida normalmente reservados para ETs, ornitorrincos púrpura e afins. Tais pessoas efetivamente respondem algo como 'Interessante. No meu blog eu...' (o mesmo pode ser dito, aqui no Nova Física, sobre comentários do tipo 'modelos inflacionários não resolvem o problema da época pré-planckiana'). Encontrei algumas pessoas legais, antes de embarcar, com minha mochila de laptop adornada com saco de dormir e esteira (vou para a CP na sexta.

O resto da viagem transcorreu sem mais percalços. O encontro está bastante interessante, mas ainda não fui na cidade porque a chuva não para. Minha apresentação foi hoje ('Do recent observations rule out an observable cosmic topology in the inflationary limit?'), e correu bem. Agora vou jantar.

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quinta-feira, 24 de fevereiro de 2005

Hotel Leão da Montanha, Campos do Jordão

Estou aqui em um congresso (Nova Física do Espaço). Discussões interessantes, boa comida, cama macia, etc. É um evento mais 'intimo' que os grandes congressos como o Particulas e Campos, ou o GR. Dá para conversar mais e interagir como todos os participantes; e as palestras de outras áreas (e discussões subsequentes) são muito informativas.

Da estadia então não tenho do que reclamar. Para chegar aqui, porém, foi a mixordia usual.

Quando cheguei na rodoviaria, descobri que o ônibus das 8:00 não saia na 3a feira (o congresso começou no domingo, mas peguei uma virose nefasta). Tive que então triangular, indo primeiro para Taubaté, para então pegar um catajeca para cá. Quando sai esbaforido do ônibus em Taubaté, esqueci o poster no bagageiro. Depois de me inteirar da minha estupidez, fui ao guiche da companhia, e descobri (depois de 2 horas) que o poster havia sido roubado (ou sumido por meios próprios) entre Taubaté e S. José dos Campos. Sem alternativa, peguei um táxi em direção à "...alguma gráfica que tenha plotter", e mandei imprimir outra cópia. A impressão demorou umas duas horas, o que me deu tempo para conhecer as maravilhas de Taubaté. Me embrenhei em ruas perfeitamente ordinárias, admirei as praças, iguais a milhares de outra pelo Brasil, e me deliciei no mercado de rua, com os exóticos e raros produtos dos quatro cantos do Paraguai. Voltei então para a gráfica, onde o taxista ainda me esperava ("eu não ia conseguir outra corrida em uma hora mesmo"), voltei para a rodoviária e 40 minutos depois estava aqui em CdJ.

Hoje devemos ir ao Baden-Baden (uma cervejaria local). Amanhã vou tentar ir no teleferico.

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