United Club, Aeroporto Intercontinental de Houston
Pegando aviões II
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| A Linha Vermelha - Imagem meramente ilustrativa |
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| Cthulhu Ackbar! |
Viajando na maionese
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| Cthulhu Ackbar! |
Estou em Houston, esperando a minha conexão para New Orleans.
Assistir Abraham Lincoln, Vampire Hunter em um vôo noturno no meio de uma tempestade de raios foi épico. Exceto pela inexplicada proficiência de combate em Bullet Time do encartolado Sr. Lincoln, e alguma sequencias de ação CGÍsticas demais, o filme é de um realismo quase documentarial. Eu não certamente sabia da importância da prataria da Casa Branca para a vitória do Norte em Gettysburg na guerra da secessão americana... Espero ansiosamente as continuações: Andrew Jackson, Werewolf Slayer e Teddy Roosevelt vs. Goddzilla.
Viajei ao lado de uma modelo (sim, isto acontece) até aqui, e acabei me desdobrando como tradutor improvisado perante um inquisitivo agente de imigração. Ela está indo para Los Angeles para se encontrar com o namorado, um jogador no futebol europeu, mas algo na história (ou monoglotismo) dela encucou o tal agente. Como é a primeira vez que ela vem aos EUA, é interessante notar através de seus olhos o quão opressivos os procedimentos de segurança por aqui se tornaram. Certamente, é assustador ouvir barbaridades tais como:
'You are reminded that any inappropriate remarks or jokes may result in your arrest'
- |3run0 , 10/11/2012 30 pessoas sem mais o que fazer
Não sou o primeiro a observar isto, mas o aparato de segurança aérea nos EUA parece considerar o bom senso elementar como uma ameaça mais grave que a Al Qaeda. Entre apalpadelas e raios-x, comentários jocosos e piadas são recebidos não exatamente como hostilidade, mas com a incompreensão impaciente de quem não parece estar familizarizado com o conceito de 'humor'. Alias, o alto-falante repete a cada 2 minutos que piadas sobre a segurança podem levar a prisão do piadista. Suponho que representem uma ameaça clara e imediata à auto-estima dos funcionários. De qualquer forma, talvez seja prudente eu ficar calado.
Fora da área de segurança, a convivencia é mais natural. De fato, impressiona a disposição de americanos randômicos de entabular conversas amigáveis com completos estranhos. É algo que eles têm em comum com nos brasileiros, e que nos distingue ambos da maior parte dos europeus.
PS: Eu poderia saber que estou nos EUA só pelo gosto da Coca Cola. É o tal HFCS usado aqui como substituto (piorado) de açucar de verdade. Uma consequencia dos subsidios agricolas locais, capaz de induzir em mim arroubos agudos de neoliberalismo anti-protecionista.
UPDATE: No avião agora. A Continental me deu um upgrade, então tenho que escolher entre um omelete de cogumelos e cereal. Não tenho certeza, mas talvez esta seja a primeira refeição decente em um avião que terei nos EUA.
UPDATE2: Ué, até que foi bom este café da manhã aéreo. Comi o tal omelete de cogumelo, alguma coisa feita de batata e creme de espinafre bastante respeitável, presunto grelhado, mini-hamburguer, salada de fruta, iogurte e um bagel. Café e suco de laranja de verdade servidos em copos de verdade. Por mais que meus instintos demóticos protestem, não tenho muita vontade de regressar a hói poloi da classe econômica...
- |3run0 , 11/09/2011 0 pessoas sem mais o que fazer
-> coisas estranhas, comida, EUA, Houston, viagens
Foi só voltar de viagem que o meu ritmo de postagem no blog voltou a níveis vergonhosos. Estamos em Cabo Frio para passar o fim de semana com os pais da Ceci, e aproveito a madrugada para postar sobre o meu último dia nos EUA, a mais de um mês atrás.
A Continental Airlines tem o seu centro de operações em Houston, então quase todos os seus vôos internacionais passam ou terminam por lá. Na ida, como já descrevi, fiquei algumas horas fazendo turismo involuntário pelos terminais do aeroporto 'intercontinental' (uma descrição que também seria apropriada a um aeroclube em Istambul; mas divago), a procura de um lugar em um vôo para Chicago, após ter estupidamente perdido a minha conexão original. Na volta, cheguei em Houston sem contratempos para uma parada de 6 horas até o horário do vôo para o Rio. Originalmente, eu pretendia apreveitar para conhecer o centro espacial (para onde os astronautas anunciaram que tinham 'um problema'); mas tanto o centro quanto o aeroporto ficam longe da cidade, em direções diametralmente opostas, e não havia qualquer tipo de transporte direto. Transporte público, alias, é algo por cuja falta a cidade é notória (pelo menos entre meus amigos em Chicago). O plano B era uma breve caminhada pelo centro da cidade, a procura de algo interessante para ver ou fazer. Mas para isso eu precisava chegar lá.
As moças na central de informações não foram muito encorajadoras. Eu poderia pegar um onibus expresso, por US$ 15 pela ida e outros tantos pela volta, ou um taxi. Sei que os americanos gostam de carros, e texanos, pelo menos por reputação, gostam mais ainda. Mas me pareceu improvável que as faxineiras, carregadores e demais funcionários na base da cadeia alimentar profissional dirigissem todos os dias em comboio para o trabalho. Fui me informar então (sem intenções irônicas) com o cara que organizava o embarque de passageiros no tal ônibus expresso. Claro que há transporte público! - me disse ele - Atravesse a rua (na saída do terminal C), se junte ao grupo de senhoras hispânicas tagalerantes, e pegue o 102 até o centro. Demora um pouco mais, mas só custa US$ 1.25.
O onibus de fato vai percolando preguiçosamente pelos subúrbios da cidade (eu era aparentemente o único passageiro de algum vôo no onibus), até finalmente resolver encarar a tarefa de chegar ao centro com seriedade, e pegar a avenida multipistas. Passamos por shoppings que consistiam em arquipelagos de lojas e restaurantes em meio a um mar de estacionamentos e ruas de acesso; lugares onde o próprio conceito de pedestre parecia um tanto incongruente. As habitações variavam entre condomínios arborizados, agradáveis mas um tanto artificiais, e conjuntos habitacionais desagradáveis e artificiais.Houston é uma cidade plana, feita para carros, com um centro um tanto abrupto de arranha céus e ruas cartesianas. Onde nada abre aos domingos. Fiquei andando meio a esmo pelas ruas quase desertas, a procura do que fazer. Após uma hora, comecei a tomar conciência de que ouvia uma música meio latina, vinda sabia-se lá de onde. Seguindo meu ouvido, trombei com um animado festival de cultura cubana e porto-riquenha. Acabei almoçando um reforçado PF portoriquenho, delicioso. A música era ao vivo, cubana, e bastante agradável. Passei algum tempo olhando os carros esporte em exibição, apreciando a música deitado na grama, e ouvindo um senhor cubano contar como ele passou dois dias a deriva no mar (juntamente com mais 40 outras pessoas) até conseguirem consertar, de forma McGuyveriana, o motor do barco, e chegarem até a Florida.
Voltei para o aeroporto no velho e bom 102 (tem um ponto na esquina de Travis com Jefferson). Cheguei ao aeroporto com uma antecedência decente, não me atrasei ou tive quaisquer contratempos, e embarquei de volta para o Brasil.
- |3run0 , 11/30/2009 2 pessoas sem mais o que fazer

Eu perdi a conexão de 7:30 da manhã para Chicago por uma questão de poucos minutos (maldita livraria...). Tudo bem, eu pego o próximo, pensei. Vôos para Chicago saem daqui o tempo todo, e a Continental não cobra adicional...
O modelo atual de aviação americano exige que todos os aviões decolem praticamente lotados. O que significa que, entre overbooking, atrasados e pessoas que compram diretamente uma vaga na lista de espera (uma pechincha para aquelas pessoas de temperamento budista), conseguir um assento não é trivial. Até conseguir uma reserva firme para 15:45, o meu dia consistiu em verificar de qual terminal sairia o próximo vôo para Chicago, e me dirigir até lá através de alguma combinação de escada rolante, trem intra-terminais, e caminhada. Após todos os passageiros titulares embarcarem, eu esperava (em vão) que o meu nome fosse chamado, tal qual um orfão rejeitado em filme da sessão da tarde, e mais de uma vez perdi o assento para velhinhas e velhinhos esbaforidos, descarregados na última hora pelos carrinhos elétricos que circulam entre os termnais do aeroporto. Que são, A, B, C, D e E, dos quais conheci todos, exceto o D. Quem sabe na volta...
Apesar da descrição um tanto kafkaniana (a diferença, obviamente, foi que a minha situação era completa e comprensivelmente minha culpa), não tive um dia desagradavel. Eu não era o único viajante com destino a Chicago condenado ao limbo aeronáutico , e em nossas peregrinações conjuntas de um terminal ao outro acabamos batendo um papo demorado, e ocasionalmente interessante. Havia a organizadora de eventos que cruza os EUA diversas vezes toda semana; o economista desmpregado casado com uma Belo Horizontina; um casal aposentado, ele dentista, ela aeromoça, a caminho de um jogo de futebol americano; o vocalista e baterista de uma banda de soul ou jazz, cujo atraso levou ao desespero uma senhora (agente?) um tanto perúica com vários metros cúbicos de spray aplicados nos cabelos; e mais alguns viajantes mais indistintos na memória.
Últimas observações sobre o 'George W. H. Bush Intercontinental Airport', enquanto nao embarco:
- A espera aqui é mais confortável do que nos aeroportos brasileiros. A variedade de lanchonetes, lojas e livrarias é impressionante.
- Não é dificil se locomover, mas os carrinhos elétricos são um tanto irritantes, conduzidos aos berros por motoristas talvez bem humorados demais, e ameaçando a toda hora atropelar os pedestres.
- Fazer piada sobre os procedimentos de segurança dá cadeia, segundo os anuncios do alto-falante.
- |3run0 , 10/16/2009 1 pessoas sem mais o que fazer
- |3run0 , 10/16/2009 0 pessoas sem mais o que fazer