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terça-feira, 4 de julho de 2017

United Club, Aeroporto Intercontinental de Houston
Pegando aviões II





Preciso de muito pouca bagagem para viajar. A minha bicicleta dobrável e o meu laptop quase bastam. A caminho de passar o mês de julho inteiro na Inglaterra, mandei, portanto, a dita cuja para a revisão. Foi quando o dito cujo parou de funcionar.

Por razões complicadas demais para expor aqui, a assistência técnica capaz de me ajudar fica em BH. A uma semana da viagem, levei para lá o paciente, e aproveitei para passar o fim de semana com a família. Mas o reparo só foi concluído no sábado, as vésperas da viagem na 2a.

Após examinar e descartar diversas opções com graus crescentes de heterodoxia, consegui construir uma gambiarra multimodal onde o laptop foi trazido pelo técnico até a casa da minha tia, de onde foi levado por meu pai até a casa do irmão da Indhira, que foi de carro até Juiz de Fora, onde cheguei de ônibus para resgatá-lo no domingo a noite. Cheguei em casa em casa as 5 para uma soneca, e no fundão as 8 para aplicar uma prova. O resto do dia foi a correria jejúnica pré-jornada de sempre enquanto eu tentava terminar tudo que havia sido procrastinado antes de embarcar.

A Linha Vermelha - Imagem meramente ilustrativa
A corrida  do Uber foi merecedora do nome. Passando por alguns atalhos desconhecidos pelo Waze para evitar uma linha vermelha quase parada, fiz o checkin as 19:39. Para um vôo as 20:40. Cujo sistema para de aceitar passageiros com menos de uma hora de antecedência.

Andando com pressa para trocar dinheiro, passar pela segurança e fila de passaporte, acabei indo para o portão errado (distante um dígito e 600 metros do correto). Foi quando ouvi meu nome sendo anunciado.

Não foi a primeira vez que passei por isso. Em geral, quem é chamado é o último a embarcar, sob olhares de reprovação da tripulação de terra e transeuntes aeronáuticos locais. Ou perde o avião.

Fui correndo, mochila pesada nas costas, até o portão. Cheguei esbaforido e semi-coerente, e demorei um pouco para notar que uma nutrida fila de passageiros ainda esperando para embarcar. 'Não precisa correr', disse o atendente - 'Eu lhe chamei por uma boa razão. Você ganhou um upgrade.'

Imagem meramente ilustrativa
Não vou dizer que viajar de classe executiva é o meu sonho aeronáutico. O meu sonho aeronáutico é tocar um sinete e anunciar casualmente: 'Jarbas, prepare o jato'. Mas na falta deste ultimo, aceito a classe executiva de bom grado.

Comer uma carne suculenta e um sundae feito sob medida vale a pena. Vale mais a pena dormir em uma superfície horizontal em um vôo de longa distância.

Pousando em Houston (minha conexão para Londres, por razões complexas demais para explicar aqui), fui o primeiro na fila da imigração, onde fui entrevistado por uma simpática policial ('Graças a Deus você ganhou o upgrade'; 'Então existem físicos que acreditam em Deus? A gente aprende uma coisa nova a cada dia'). Menos simpático foi segundo policial, que na saída do saguão de bagagens me mandou bater um papo camarada no secondary screening com terceiro policial, este positivamente antipático.

Imagem meramente ilustrativa
Aparentemente cético a respeito do meu itinerário, ele me interrogou sobre onde ia, de onde vinha, e digitou o equivalente a meia novela russa em seu terminal de segurança. Ficou encucado com meu capacete, apalpou minha bicicleta, revistou minha mochila, e olhou feio para o meu caderno de notas ('Neuronomicon'), e mais feio ainda para sua capa com o pentagrama circundado por neurônios.

Abrindo o caderno, ele examinou cuidadosamente, página a página, cada equação, diagrama, lista de compras e mapa de RPG. 'O que você faz?' - Perguntou. Mas logo abandonou a linha investigativa após ouvir sobre invariância de escala e neuroanatomia comparada.

Cthulhu Ackbar!
Após mais alguns minutos, ele decidiu que eu não apresentava ameaças a nada além da sanidade alheia, e me liberou para vagar por horas pelo aeroporto até embarcar de novo. Me refugiei no United Club (outra vantagem do upgrade), onde tenho internet, sofá, chuveiro e um buffet de café da manhã/lanche. Trabalhei por alguma horas excepcionalmente produtivas (até decidir postar no blog...). O plano amanhã é, chegando cedo em Heathrow, sair pedalando direto para Oxford. Mas esta é outra história



Não seu guarda, este não é um croqui de Camp David...













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quinta-feira, 11 de outubro de 2012

Aeroporto Intercontinental GB, Houston
Vampiros a bordo

Estou em Houston, esperando a minha conexão para New Orleans.

Assistir Abraham Lincoln, Vampire Hunter em um vôo noturno no meio de uma tempestade de raios foi épico. Exceto pela inexplicada proficiência de combate em Bullet Time do encartolado Sr. Lincoln, e alguma sequencias de ação CGÍsticas demais, o filme é de um realismo quase documentarial. Eu não certamente sabia da importância da prataria da Casa Branca para a vitória do Norte em Gettysburg na guerra da secessão americana... Espero ansiosamente as continuações: Andrew Jackson, Werewolf Slayer e Teddy Roosevelt vs. Goddzilla.

Viajei ao lado de uma modelo (sim, isto acontece) até aqui, e acabei me desdobrando como tradutor improvisado perante um inquisitivo agente de imigração. Ela está indo para Los Angeles para se encontrar com o namorado, um jogador no futebol europeu, mas algo na história (ou monoglotismo) dela encucou o tal agente. Como é a primeira vez que ela vem aos EUA, é interessante notar através de seus olhos o quão opressivos os procedimentos de segurança por aqui se tornaram. Certamente, é assustador ouvir barbaridades tais como:

'You are reminded that any inappropriate remarks or jokes may result in your arrest'

Que o autofalante local repete a cada 15 minutos (alternadamente com avisos sobre bagagem desacompanhada e exortações a respeito do entusiasmo que agentes de segurança supostamente teriam em responder perguntas de passageiros randômicos).

A voz incorpórea volta a chamar o meu nome, desta vez com sotaque Texano...

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quarta-feira, 9 de novembro de 2011

Aeroporto Intercontinental (!) George W. Bush, Houston
I love the smell of high fructose corn syrup in the morning

Não sou o primeiro a observar isto, mas o aparato de segurança aérea nos EUA parece considerar o bom senso elementar como uma ameaça mais grave que a Al Qaeda. Entre apalpadelas e raios-x, comentários jocosos e piadas são recebidos não exatamente como hostilidade, mas com a incompreensão impaciente de quem não parece estar familizarizado com o conceito de 'humor'. Alias, o alto-falante repete a cada 2 minutos que piadas sobre a segurança podem levar a prisão do piadista. Suponho que representem uma ameaça clara e imediata à auto-estima dos funcionários. De qualquer forma, talvez seja prudente eu ficar calado.

Fora da área de segurança, a convivencia é mais natural. De fato, impressiona a disposição de americanos randômicos de entabular conversas amigáveis com completos estranhos. É algo que eles têm em comum com nos brasileiros, e que nos distingue ambos da maior parte dos europeus.

PS: Eu poderia saber que estou nos EUA só pelo gosto da Coca Cola. É o tal HFCS usado aqui como substituto (piorado) de açucar de verdade. Uma consequencia dos subsidios agricolas locais, capaz de induzir em mim arroubos agudos de neoliberalismo anti-protecionista.

UPDATE: No avião agora. A Continental me deu um upgrade, então tenho que escolher entre um omelete de cogumelos e cereal. Não tenho certeza, mas talvez esta seja a primeira refeição decente em um avião que terei nos EUA.

UPDATE2: Ué, até que foi bom este café da manhã aéreo. Comi o tal omelete de cogumelo, alguma coisa feita de batata e creme de espinafre bastante respeitável, presunto grelhado, mini-hamburguer, salada de fruta, iogurte e um bagel. Café e suco de laranja de verdade servidos em copos de verdade. Por mais que meus instintos demóticos protestem, não tenho muita vontade de regressar a hói poloi da classe econômica...

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segunda-feira, 30 de novembro de 2009

Hotel da ASUFEMG, Cabo Frio
Haiku turístico em Houston


Foi só voltar de viagem que o meu ritmo de postagem no blog voltou a níveis vergonhosos. Estamos em Cabo Frio para passar o fim de semana com os pais da Ceci, e aproveito a madrugada para postar sobre o meu último dia nos EUA, a mais de um mês atrás.

A Continental Airlines tem o seu centro de operações em Houston, então quase todos os seus vôos internacionais passam ou terminam por lá. Na ida, como já descrevi, fiquei algumas horas fazendo turismo involuntário pelos terminais do aeroporto 'intercontinental' (uma descrição que também seria apropriada a um aeroclube em Istambul; mas divago), a procura de um lugar em um vôo para Chicago, após ter estupidamente perdido a minha conexão original. Na volta, cheguei em Houston sem contratempos para uma parada de 6 horas até o horário do vôo para o Rio. Originalmente, eu pretendia apreveitar para conhecer o centro espacial (para onde os astronautas anunciaram que tinham 'um problema'); mas tanto o centro quanto o aeroporto ficam longe da cidade, em direções diametralmente opostas, e não havia qualquer tipo de transporte direto. Transporte público, alias, é algo por cuja falta a cidade é notória (pelo menos entre meus amigos em Chicago). O plano B era uma breve caminhada pelo centro da cidade, a procura de algo interessante para ver ou fazer. Mas para isso eu precisava chegar lá.

As moças na central de informações não foram muito encorajadoras. Eu poderia pegar um onibus expresso, por US$ 15 pela ida e outros tantos pela volta, ou um taxi. Sei que os americanos gostam de carros, e texanos, pelo menos por reputação, gostam mais ainda. Mas me pareceu improvável que as faxineiras, carregadores e demais funcionários na base da cadeia alimentar profissional dirigissem todos os dias em comboio para o trabalho. Fui me informar então (sem intenções irônicas) com o cara que organizava o embarque de passageiros no tal ônibus expresso. Claro que há transporte público! - me disse ele - Atravesse a rua (na saída do terminal C), se junte ao grupo de senhoras hispânicas tagalerantes, e pegue o 102 até o centro. Demora um pouco mais, mas só custa US$ 1.25.

O onibus de fato vai percolando preguiçosamente pelos subúrbios da cidade (eu era aparentemente o único passageiro de algum vôo no onibus), até finalmente resolver encarar a tarefa de chegar ao centro com seriedade, e pegar a avenida multipistas. Passamos por shoppings que consistiam em arquipelagos de lojas e restaurantes em meio a um mar de estacionamentos e ruas de acesso; lugares onde o próprio conceito de pedestre parecia um tanto incongruente. As habitações variavam entre condomínios arborizados, agradáveis mas um tanto artificiais, e conjuntos habitacionais desagradáveis e artificiais.

Houston é uma cidade plana, feita para carros, com um centro um tanto abrupto de arranha céus e ruas cartesianas. Onde nada abre aos domingos. Fiquei andando meio a esmo pelas ruas quase desertas, a procura do que fazer. Após uma hora, comecei a tomar conciência de que ouvia uma música meio latina, vinda sabia-se lá de onde. Seguindo meu ouvido, trombei com um animado festival de cultura cubana e porto-riquenha. Acabei almoçando um reforçado PF portoriquenho, delicioso. A música era ao vivo, cubana, e bastante agradável. Passei algum tempo olhando os carros esporte em exibição, apreciando a música deitado na grama, e ouvindo um senhor cubano contar como ele passou dois dias a deriva no mar
(juntamente com mais 40 outras pessoas) até conseguirem consertar, de forma McGuyveriana, o motor do barco, e chegarem até a Florida.

Voltei para o aeroporto no velho e bom 102 (tem um ponto na esquina de Travis com Jefferson). Cheguei ao aeroporto com uma antecedência decente, não me atrasei ou tive quaisquer contratempos, e embarquei de volta para o Brasil.

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sexta-feira, 16 de outubro de 2009

GWB Intercontinental Airport, Houston
Terminais


Eu perdi a conexão de 7:30 da manhã para Chicago por uma questão de poucos minutos (maldita livraria...). Tudo bem, eu pego o próximo, pensei. Vôos para Chicago saem daqui o tempo todo, e a Continental não cobra adicional...

O modelo atual de aviação americano exige que todos os aviões decolem praticamente lotados. O que significa que, entre overbooking, atrasados e pessoas que compram diretamente uma vaga na lista de espera (uma pechincha para aquelas pessoas de temperamento budista), conseguir um assento não é trivial. Até conseguir uma reserva firme para 15:45, o meu dia consistiu em verificar de qual terminal sairia o próximo vôo para Chicago, e me dirigir até lá através de alguma combinação de escada rolante, trem intra-terminais, e caminhada. Após todos os passageiros titulares embarcarem, eu esperava (em vão) que o meu nome fosse chamado, tal qual um orfão rejeitado em filme da sessão da tarde, e mais de uma vez perdi o assento para velhinhas e velhinhos esbaforidos, descarregados na última hora pelos carrinhos elétricos que circulam entre os termnais do aeroporto. Que são, A, B, C, D e E, dos quais conheci todos, exceto o D. Quem sabe na volta...

Apesar da descrição um tanto kafkaniana (a diferença, obviamente, foi que a minha situação era completa e comprensivelmente minha culpa), não tive um dia desagradavel. Eu não era o único viajante com destino a Chicago condenado ao limbo aeronáutico , e em nossas peregrinações conjuntas de um terminal ao outro acabamos batendo um papo demorado, e ocasionalmente interessante. Havia a organizadora de eventos que cruza os EUA diversas vezes toda semana; o economista desmpregado casado com uma Belo Horizontina; um casal aposentado, ele dentista, ela aeromoça, a caminho de um jogo de futebol americano; o vocalista e baterista de uma banda de soul ou jazz, cujo atraso levou ao desespero uma senhora (agente?) um tanto perúica com vários metros cúbicos de spray aplicados nos cabelos; e mais alguns viajantes mais indistintos na memória.

Últimas observações sobre o 'George W. H. Bush Intercontinental Airport', enquanto nao embarco:

- A espera aqui é mais confortável do que nos aeroportos brasileiros. A variedade de lanchonetes, lojas e livrarias é impressionante.
- Não é dificil se locomover, mas os carrinhos elétricos são um tanto irritantes, conduzidos aos berros por motoristas talvez bem humorados demais, e ameaçando a toda hora atropelar os pedestres.
- Fazer piada sobre os procedimentos de segurança dá cadeia, segundo os anuncios do alto-falante.

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Taxi na Linha Vermelha, Rio de Janeiro
Liveblogging até Houston (se eu chegar no Galeão a tempo)


Viajar sem aventura não tem graça. Ou pelo menos eu tento me convencer disto toda vez que estou ridiculamente atrasado para pegar algum vôo. Não sai de casa propriamente atrasado; mas depois de passar uma hora para chegar no Rebouças, e me arrastar por 30 minutos até a entrada da ponte, tenho só uma hora e meia até o avião decolar.Hoje estou (espero) indo para Chicago, para o encontro anual da Society for Neuroscience. Vou ficar por lá 9 dias, e volto para o Brasil em seguida (tenho 6 horas de conexão em Houston, então talvez faça alguma coisa por lá tb).

De qualquer maneira, a minha (não) blogagem ultimamente tem sido patética. Espero escrever mais regularmente, pelo menos durante a viagem. Na verdade, a minha vida toda está meio que em transe ultimamente. Os últimos meses foram alguns dos mais improdutivos, tangiversativos e procastinados da minha existência. Se eu quero realmente levar para a frente esta minha vida dupla de cosmólogo e neuro-físico, eu preciso parar com isso.


UPDATE (19:44, GMT -3)
Passamos por dois carros estragados, e a coisa está andando! O motorista, sabendo da minha urgência, está, bem, desencolvendo. Digamos que, se este taxi fosse um Delorean equipado com capacitor de fluxo, eu já estaria em 1950.

UPDATE#2 (21:07, GMT-3)
Diversas camadas de segurança, nenhuma das quais inspira total confiança. Estou no avião, onde toca, por razões que é melhor desconhecer, uma balada pop japonêsa.

UPDATE#3 (22:38, GMT-3)
O avião fez uma curva brusca para evitar algumas cumulus-nimbus de aparência sinistra. Turbulência! Relâmpagos! Valquírias! (bem, talvez não estas últimas). Tudo muito dramático. Estamos passando ao lado de Brasilia. Vejo o plano piloto iluminado ao longe, através de uma brecha nas nuvens.

Depois de todas as perguntas e revistas, o jantar é servido com talheres de metal... Frango surprendentemente comivel; um pão milagroso que resseca 5 minutos depois de ser partido, e nada de Coca-Cola. É o meu primeiro vôo onde Coca não é servida. Na Continental.

UPDATE#4 (16 Outubro, 08:16, GMT-6)
Estou em Houston, esperando conexão para Chicago.

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