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sexta-feira, 2 de setembro de 2011

Van do Senhor Volante, Rio de Janeiro
Road rage



Andar de van no Rio de Janeiro pode ser cansativo e demorado, mas raramente é entediante. Digo isto por experiência própria, já que estou dentro de uma as 19:20 da noite, em um engarrafamente que se estende para dentro da universidade. Ao que parece uma carreta virou na linha vermelha.

Existem somente duas saidas para carros do fundão, mas as maneiras de chegar até elas só são limitadas pela criatividade do motorista. O meu atual condutor resolveu passar em frente ao quartel dos bombeiros e avançar celerado pela contra-mão até a saida do Hospital Universitário, confiando na aplicação generosa de sua buzina para limpar o caminho a frente. Buzina que alias é dotada de um sintetizador de voz, e emite frases simpáticas como ´Sai da frente!´ e ´Ô coisa feia!´.

Saindo finalmente pelo portão, seguimos inicialmente rumo à Ilha do Governador, saltamos por cima do canteiro que divide as pistas, e estamos agora a caminho de ´Laranjeiras, prefeitura, Copacabana´, como afirma o sempre prestativo sintetizador de voz da van.

Como um exemplo do emprendedorismo informal local, as vans são tão variadas quanto os cariocas. Algumas são geridas como uma operação de guerra, se movendo taticamente para ficar logo a frente dos ônibus e pegar os pontos cheios; e se coordenando por Nextel para evitar blitzes e encontrar caminhos menos congestionados. Outras tem um clima mais relaxado, com motoristas loquazes seguindo uma rota que vai sendo negociada em tempo real com os passageiros. E existem aquelas que bem poderiam ser versões do Pecquod em quatro rodas, com um Ahab taciturno na direção imbuido de uma pressa monomaníaca (para chegar mais cedo no seu encontro fatídico com uma baleia branca, suponho), e que claramente toma a presença dos demais carros na pista como um insulto pessoal.


Não digo isto para dar a entender que os ônibus aqui são tranquilos e previsíveis. Os motoristas do 485 (Pça. General Osório - Fundão - Penha) dirigem como candidatos a peões de rodeio, são notoriamente criativos na escolha das rotas, e tem como lema o altivo brado ´ALGUÉM VAI FICAR NO CATUMBI?!´. Mas só em uma van carioca é possível encontrar um aviso que diz

"Se você sentir um rato ou barata subindo na sua perna, não entre em pânico. Ele está ai devido aos restos de comida que você deixou cair no chão"

PS: Cheguei em casa. A vantagem da demora no trânsito foi que consegui escrever quase o post todo sem distrações.

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segunda-feira, 20 de junho de 2011

Casa, Rio de Janeiro
Interstícios

"Você não vai pular não, vai?" - me perguntou o segurança assim que a sua cabeça, de onde saltavam dois olhos esbugalhados de medo, surgiu por sobre o parapeito. Não, eu não me sentia particularmente suicida e não tinha a menor intenção de descer os sete andares do CBPF em queda livre, eu assegurei a ele. "Estou só estudando", disse. "Então é melhor você estudar em algum lugar menos visível" -  retrucou o guarda, um tanto aliviado - "Esta caixa d'água é muito exposta, e os vizinhos dos prédios a frente podem se assustar com você ai".

Um visitante ocasional ao prédio do CBPF (Centro Brasileiro de Pesquisas Físicas, na Urca, onde fiz meu doutorado) poderia compreensivelente supor que por lá só existem 6 andares. Todos os gabinetes e salas identificados ficam entre o térreo e o sexto andar, que é até onde vai o elevador. Mas o uso judicioso de certas portas discretas de acesso às escadas de incêndio e, ocasionalmente, de grampos de papel engenhosamente torcidos, permite o acesso a um espaço que é melhor definido pelo que ele não é: o lado de fora pela parte de cima; onde se acomula toda a infra-estrutura (acro-estrutura?) que não poderia propriamente ficar dentro do prédio (antenas, para raios, caixas d'água, etc). Pois uma consequencia inescapável da orientabilidade da geometria do prédio é que, se gabinetes e salas de aula precisam ficar dentro deste último, limitadas acima por um teto, então necessariamente uma superfície horizontal externa deverá existir: um telhado.

O telhado em questão tem uma vista espetacular, interpolando panoramicamente a Praia Vermelha, o Pão de Açucar e a Marina da Glória. Um vista melhor, de fato, do que a de qualquer gabinete. Posso dizer que fiz boa parte do meu doutorado lá em cima, sentado sobre uma toalha mantida na minha sala com este expresso propósito e bebendo coca-colas enquanto lia artigos e fazia contas (ou conchilava). Era uma maneira agradável e produtiva de passar o dia. Mas é compreensivel que uma senhora, ao olhar através da janela de um prédio vizinho, chegasse a conclusões um tanto menos benignas, após me ver no topo de uma caixa d'água de concreto, alternadamente sentado contemplativamente de cabeça baixa, e indo e voltando quase até a beira,a passos lentos e de cenho franzido.

A vista do topo do meu prédio novo em Laranjeiras, embora agradável, é menos espetacular que a do CBPF. Mas pelo menos até agora ainda não fui confundido com um suicida. Mas é um espaço com um(a falta de) propósito idêntico. Tais espaços intersticiais surgem de forma emergente na interface de espaços que tem um propósito; eles não são planejados, mas são inevitáveis. Em lugares enfaticamente não planejados, tais como Londres, tais interstícios, quando marinados em aguns séculos de história, praticamente definem o traçado urbano. Vãos entre prédios se tornam becos, ruelas e ruas; e praças se formam em defeitos topológicos do traçado urbano (que é um palimpseto fóssil muito mais antigo que qualquer estrutura, e que em alguns lugares remonta a tempos romanos).

No rio, tais interstícios publicos e fosseis urbanísticos são mais sutis, mas me afetam as vezes até de maneira inconciente. Estou gostando muito do meu novo apartamento, e bairro. Tanto, de fato, que comecei a me perguntar porque. Em ambos os casos, a resposta parcial é que o espaço parece menos tolhido. No nucleo duro da zona sul, em Ipanema, Leblon e (principalmente) Copacabana, tudo parece brigar por espaço, tentando colocar mais gente e mais coisas no mesmo espaço limitado. Com mais ou menos primor, os prédios se expremem como passageiros no metro de Tóquio; a visada nunca consegue chegar muito longe sem ser interrompida. E este expremer constante não deixa lugar para história: construções, traçados e interstícios antigos não duram muito em tal ecosistema, e são rapidamente absorvidos por vizinhos em expansão ou novas construções, de modo que nem mesmo a sua memória é preservada.

Laranjeiras tem mais história e menos pressão.  A agua potável do rio Carioca atraiu os portugueses, que se estabeleceram por aqui antes mesmo de fundarem a cidade do Rio de Janeiro e quando Copa era um mangue remoto. De certa forma, embora ele esteja quase todo canalizado, o Carioca ainda define muito do traçado do bairro. Desta história  interstícios como o Parque Guinle, a General Glicério e o Largo do Boticário surgiram e foram preservados, assim como diversas ruelas de curioso traçado e predios interessantes.  Os prédios não são necessariamente maiores, mas são mais... espaçosos. É como se eles tivessem sido criados soltos, ao contrário dos prédios de cativeiro de Copa e redondezas.


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segunda-feira, 31 de janeiro de 2011

Shopping Leblon, Rio de Janeiro
Sobre cães e homens

Agora a pouco eu estava trabalhando no Shopping Leblon, por falta de internet em casa. Do meu lado, uma moça digitava em seu laptop, com um desses micro-cachorros com cara de toalha amassada ao lado. E, por razões que desconheço, a cada 15 minutos algum transeunte parava, pegava o bicho no colo, e começava a balbuciar como um(a) retardado(a). Acho que a ideia é que cachorros, embora não falem a lingugem humana, são capazes de enteder imbecilês.

Minutos depois, eu estava entretido lendo sobre o Egito, quando senti um tapa no ombro. O autor era um menino de uns 4 anos. "Pede desculpas para o rapaz" -- Disse o pai envergonhado que corria atrás dele. Desculpas pedidas e aceitas, o menino foi até o sofá ao lado e deu outro tapa na moça do cachorro-com-cara-de-toalha-amassada. Talvez seja um proto-militante pelos direitos dos animais...

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quinta-feira, 20 de janeiro de 2011

Aeroporto Santos Dumont, Rio de Janeiro
O Fim dos Tempos, explicado

Cheguei no Rio ontem de manhã, para uma reunião e para resolver alguns problemas. Parto hoje, assim que a Webjet conseguir acordar o piloto do seu torpor alcólico ou recauchutar o pneu furado do trem de pouso. Sou um otimista por natureza.

Sai de casa hoje muito cedo (para quem acorda), ou muito tarde (para quem ainda vai dormir), e andava pela Ataúlfo quase deserta a procura de transporte quando vi duas moças, bastante apresentáveis e obviamente bêbadas, descendo de um taxi alguns metros a frente. Entrei em seguida. O motorista, que parecia o cruzamento entre o Groundskeeper Willie e o Woodie Allen, decidiu que não bastaria simplesmente me levar ao meu destino; era preciso me entreter com suas palavras de sabedoria. Após interpretar corretamente meus grunhidos como 'Santos Dumont, por favor', ele emendou:

"Tá vendo estas duas ai? Gostosas paca, e provavelmente passaram a noite inteira bebendo por ai. E nenhum homem para chegar perto e pirocar as duas! Enquanto isso ficam os caras na Lapa esfregando lingua uns nos outros. É por isso que o mundo tá assim... É o apocalipse, entende? Eu li sobre isso... A chuva em Teresópolis foi o começo. Eu quero ver quando a agua começar a subir no Leblon, em Ipanema, em Copa... Aí eu quero ver!"
O monólogo continuou com variações sobre o tema. Deus obviamente está insatisfeito com a não-pirocação de donzelas bêbadas pelos representantes da masculinidade carioca. A escolha da região serrana como objeto imediato da sua ira era óbvia e natural, por razões que me escapavam no momento, possivelmente devido ao sono.

Apesar da temática, conseguimos chegar no aeroporto (bastante rápido; ele queria receber pela corrida antes que as trombetas soassem) sem incidentes mais graves do que um retrovisor trincado e algumas palavras inamistosas trocadas com um motorista de ônibus. Agora é só esperar alguém decidir por qual portão se dará o embarque, e torcer para que a tripulação não seja arrebatada para junto de Deus durante o vôo.

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domingo, 7 de novembro de 2010

Museu do Índio, Rio de Janeiro
As fibras-linas da vagina da avó canibal

No dia seguinte, os gêmeos cresceram. A onça preta os entregou para a mãe-ïnmöxä. Cesceram rapidinho porque eram encantados, filhos de yämïxop. Já sabiam fazer armadilha e pegaram anta e falaram assim: "Tia, nossa armadilha pegou anta!" Primeiro, eles pediram à tia deles. Entre as pernas dela, havia um monte de embira. Aquilo estava como que fincado em seu corpo. "Vó, me dá cipó para fazer armadilha". Foi com estas fibras que fizeram armadilha. Ela disse - "Meus netos pegaram a fibra da vagina da avó para fazer mais armadilha. Atravessaram um rio grande onde haviam descoberto. Fizeram armadilha para lá onde havia muitos bichos. Flecharam o jacu que gritou e disse: - "Você me flechou, mas não fui eu que matei sua mãe. Foram os ïnmöxa que a mataram". Tiraram a flecha do jacu. Ele ficou bom e foi embora. Os gêmeos ficaram sabendo que foi "seu povo" quem matou a mãe e fizeram mais armadilhas. Chegaram e disseram: "Vovó, nossa armadilha pegou duas antas". Os dois já estavam preparados. Puseram um pau para atravessaro o rio, planejando jogar todos os demais lá detnreo. Todos vieram e eles viraram o pau. Cáiram e morreram todos.


PS: 'ïnmöxa (com ~, não ", mas o me teclado não permite til em i) é uma espécie de zumbi ou corpo insepulto que as vezes vira onça (não me peçam para explicar). Yamïxop são espiritos. A unica fonte online imediatemente disponível está aqui.
PS2: Acho que dá para fazer uma campanha de Chulhu baseado nesta história.

Que apropriado...

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quarta-feira, 18 de agosto de 2010

Praia do Leme, Rio de Janeiro
A musa da COMLURB



Eu sou alguem que é pago para entender várias coisas; mas certas situações só são passíveis de descrição, não de análise.

Eu cheguei na ponta do Leme a cerca de meia hora atrás. Parei a bicicleta, comprei um coco e abri meu livro. O sol se punha, e enquanto eu apreciava preguiçosamente tanto a vista quanto a situação, notei que a única pessoa efetivamente na areia era uma moça vestida com incongruentes bikini e salto alto. Ela tirava fotos de si mesma com uma câmara portatil, em diversas posições. "Que pessoa peculiar..." - pensei, e e voltei para meu livro e meu coco.

Minutos depois, notei que o trator da COMLURB encarregado da limpeza da praia vinha se aproximando. Os garis aboletados obviamente também notaram a senhorita, e, por coincidência ou não, escolheram aquele ponto da praia para fazer uma pausa. Momentos depois, ela se aproximou do trator (para reclamar de algum comentário ou olhar mais atrevido, supus inicialmente). Após uma rápida conversa, ela entregou a câmera a um dos garis, e se aboletou na roda do trator. Enquanto ela fazia poses várias, variando entre o circence e o ginecológico, o gari tirava fotos como um profissional, enquanto os seus colegas (como ele, já completamente alheios a quaisquer eventuais detritos praianos) ficavam em volta, dando dicas sobre enquadramento e iluminação. Não foram uma ou duas fotos; foram dezenas de poses com diversos takes cada. É um forma pouco ortodoxa, mas certamente econômica, para criar o portofólio de uma (suponho) modelo-e-atriz de poucos recursos.

Eu não sei se existe algum nicho no mercado atendendo pessoas com tara por parafernalha de limpeza urbana; mas se existir, a tal moça um dia vai ser saudada como uma visionária.

PS: Luxo é WiFi na praia!




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terça-feira, 25 de setembro de 2007

Hotel Majestic, Aguas de Lindoia
De bicicleta para a fama

Domingo passado fiz um almoço para o Bernardo, Carla e Júlia, que voltaram recentemente de Londres, para a Naira, e que contou com uma participação especial da Suzana, Carlos, Luquinha e Lulu. Fiz quase o mesmo menu do jantar na casa da Mari, exceto pela falta do risoto e acréscimo do crepe de nutela com calda de laranja (havia feito crepes no sábado tb).

Após acordar, tomar café e reassumir a minha condição de ser humano, saí de bicicleta com o Gabriel para dar uma volta na Lagoa e comprar os ingredientes. Era uma dia tranquilo, e fiquei só ligeiramente surpreso quando vi um jogo de baseball em curso perto do corte do Cantagalo. Fiquei um pouco mais surpreso com dois hoplitas, muito bem paramentados com couraças, elmos crinados, escudos estampados com górgonas e lanças, treinando na grama ao lado da ciclovia. Inevitavelmente, parei para perguntar o que diabos era aquilo, meio esperando ser chutado lagoa adentro por um dos hoplitas aos gritos de 'This is Espaaartaaaaaa!!!!'.

Quebrando um pouco o clima, aquele que parecia ser o líder dos myrmidons ersatz me disse amavelmente que eles eram um grupo de recriação histórica (como e.g. a SCA), que treinavam todo sábado, e ainda que eu seria muito bem vindo. Tenho que admitir que fiquei bastante tentado. Adoro a ideia de atingir os amigos com instrumentos pontiagudos e ainda chamar isto de esporte.

Andando mais um pouco, vi um casal em animada conversação em um pier, enquanto eram filmados por uma equipe completa. Imaginei que fosse alguma cena de novela; mas a conversa rendia e rendia, sem nenhuma acrimônia aparente, o que me parecia bem pouco típico para o padrão Globo (ou Record, ou Televisa) de melodrama. Meus devaneios foram interrompidos, porém, pela cesta da bicicleta, que sem dar explicações resolveu se soltar e bater de forma barulhenta no chão. Consegui com algum esforço retirar o Gabriel da bicicleta e levá-la até a grama. Com a simpática ajuda de uma moça que fazia parte da equipe de filmagens e o auxílio material de funcionários do quiosque próximo, improvisei um conserto McGuyveriano com um pouco de arame e meu canivete. Enquanto agradecia pela ajuda, inevitavelmente ('é minha natureza', como diria o escorpião na fábula) perguntei à moça o que eles filmavam. Era um programa piloto dedicado a bicicletas, ela me disse. Obviamente, achei a ideia interessante, e mencionei de passagem que eu não só gostava muito de bicicletas, como as usava para ir trabalhar. Foi a vez dela de ficar animada. 'Será que você poderia' - ela perguntou - 'nos dar uma entrevista?' Respondi que sim, imaginando uma ou duas perguntas rápidas. Mas a ideia dela, um tanto mais elaborada, era me filmar saindo de casa, e chegando no trabalho, e depois me fazer algumas perguntas. Tudo bem. A equipe iria lá em casa na segunda feira, e (imaginei) em 15 ou 20 minutos teriam as imagens e respostas que precisavam.

Eles chegaram, como combinado, as 9 da manhã. A minha condição humana ainda era um tanto precária quando fui recebe-los.

"Então você coloca o capacete e filmamos você enquanto se prepara"

"Err... Eu não costumo usar capacete na ciclovia, e a minha preparação consiste de pegar a bicicleta e sair pedalando"

"Mas onde você leva as roupas de trabalho?"

"hmmmmm, quando está muito quente eu levo uma camiseta extra, mas eu trabalho assim mesmo [de bermuda e chinelo]"

Não sei se eles ficaram decepcionados por não conseguirem imagens a lá Rambo de um atleta-filósofo colocando capacete, sapatilhas, camiseta de microporos, medidor cardíaco, GPS, faca, M-60, granadas (talvez não esperassem estas últimas). Mas eu precisava de um capacete, para dar o exemplo (no que alias eles têm toda a razão), e um capacete foi providenciado.

A entrevista foi bastante simples. Acho que a ideia é que eu fale em off (tipo no final original de Blade Runner!), então só minha voz foi gravada, enquanto eu discorria sobre as diversas vantagens da bicicleta e tentava não dizer nada de muito bizarro.

A primeira cena, na qual eu fazia o papel de "Bruno Mota, um físico que vai de bicicleta para o trabalho", consistia em colocar o capacete, retirar a corrente, e sair pedalando da garagem. Me enrolei com a corrente na primeira tomada, sai muito rápido na segunda, mas acertei na terceira. Em seguida, uma tomada na qual nosso intrépido herói segue pela Bartolomeu Mitre e atravessa a Ataufo de Paiva. Depois, combinamos de nos encontrar em frente ao posto 9, para que me registrassem pedalando pela ciclovia em Ipanema. Finalmente, nos encontramos no CBPF, onde os confusos seguranças me viram entrar e sair pela portaria principal três vezes seguidas. Pendurei então a bicicleta no bicicletário (duas vezes), e nos despedimos.

No final, a coisa toda demorou muito mais do que eu esperava. Na minha inocência, achei que um segmento de alguns poucos minutos demoraria outros tantos para ser filmado. A equipe toda foi extremamente simpática, e um programa sobre bicicletas certamente é uma ótima ideia. Eles ficaram de me mandar uma cópia quando a edição ficar pronta, mas não há ainda uma data ou emissora para anunciar. Vamos ver como me saí.

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quarta-feira, 30 de maio de 2007

Casa, Rio de Janeiro
Civilidade urbana é...



Uma campanha pelo xingamento solidário em Copacabana.

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sábado, 31 de março de 2007

Casa, Rio
Elemento suspeito portando uma folha de bananeira

. foto Arbyreed

O ar húmido e quente cobre a cidade como uma manta gasta. Uma noite tropical carioca como tantas outras, na qual os desavisados costumam confundir placidez com segurança. Seus habitantes vem e vão, furtivos, rápido demais para deixar mais do que um leve e acre cheiro de medo no ar. Se são bons ou ruins, feios ou bonitos, não importa. A única distinção relevante é entre aqueles que aprendem rápido, e aqueles que contraem uma dor de cabeça de 9 mm e não acordam mais. O nome é Bruno. Bruno Mota, físico e cozinheiro.

O plano era simples. Eles sempre são. Fazer um jantar tailandês para alguns amigos. Arroz aromático, um curry de carne (mais indiano do que propriamente tailandês), e um peixe com leite de coco e erva cidreira, embrulhado em folha de bananeira. O único problema era arranjar uma folha de bananeira.

Já era noite quando saí para comprar os ingredientes, e como sempre estava atrasado. Eu pensava inicialmente em achar alguma bananeira nas margens do canal, mas não só não vi nenhuma como o cheiro da água era um desestimulo sério a qualquer aventura culinária com a flora ciliar local. Sem mais tempo ou ideias, perguntei aos guardas de um condomínio semi-fechado ao lado se eles conheciam alguma bananeira por perto. Depois de verificarem que eu não estava usando um eufemismo obscuro para algum tipo de atentado ao pudor, eles foram até bastante solícitos. A possibilidade de uma poda freelance de uma das várias bananeiras que adornam os jardins das mansões próximas foi rapidamente aventada, e ainda mais rapidamente descartada. Um deles então se lembrou de uma bananeira solitária, em um matinho intersticial próximo a entrada para o tunel Zuzu Angel. Agradecido, subi na minha bicicleta e pus-me a caminho.

O local era de fato um tanto ermo e mal iluminado, ao lado de uma escada de acesso a uma escola municipal, obviamente fechada durante a noite. Era um pequeno triângulo irregular com algumas arvores desmilinguidas. No centro, qual um Ent adormecido, havia um glorioso bananal! Podei duas das folhas menos rasgadas, e comecei a alegremente cortar fora a parte carnuda com meu canivete. Só notei o carro da polícia parando na calçada em frente quando soou o 'WAAAAM' da sirene.

Um policial que vê um indivíduo cortando com uma faca alguma coisa não identificada em um mato ermo tem direito a nutrir alguma desconfiança. Os dois presentes na viatura não pretendiam correr riscos. Sairam do carro com os olhos fixos em mim e mãos firmes nos coldres. Um deles, careca e barrigudo, levava uma lanterna na mão esquerda, mas por algum motivo preferiu não usa-la. Mas foi o seu companheiro mais jovem, com o porte de um lenhador, que falou primeiro:

"O QUE VOCÊ ESTÁ FAZENDO AÍ?"

Eles provavelmente não se surpreenderiam, e saberiam o que fazer, se eu dissesse 'retalhando a minha esposa', ou 'separando a maconha'. Mas quando eu disse "Cortando uma folha de bananeira", ao mesmo tempo em que deixava o canivete no chão e levantava uma folha, a minha versão tropical do ramo de oliveira, houve uma pequena pausa enquanto eles lidavam com a dissonância cognitiva. O lenhador chegou mais perto e perguntou, ainda agressivo mas com um traço de curiosidade na voz.

"Para quê você quer uma folha de bananeira?"

"Para cozinhar. Vou fazer um jantar hoje"

"Você come a folha?!" -- perguntou o careca, horrorizado, a única coisa que disse durante todo o encontro.

"Não! Eu uso para embrulhar o peixe... E o vapor bla bla bla leite de coco bla bla bla culinária tailandesa, que é bastante distinta da indiana, e bla bla bla" -- fui ficando entusiasmado enquanto descrevia o prato, e o resto do menu, e por pouco não emendo uma análise da situação política na Birmânia e um comentário sobre observação de cometas. Em algum momento do meu monólogo, o careca decidiu que eu era maluco e entediante, mas inofensivo. O lenhador por outro lado foi ficando mais interessado.

"Que comida diferente! E você come com arroz?"

"É! Se você conseguir achar, fica melhor com arroz de jasmim"

"Hmmm... Acho que vou pedir para minha mulher cozinhar isso um dia"

"Excelente ideia! Aqui, leve a receita para ela, que em casa eu imprimo outra"

Ele hesitou por alguns instantes, como se indeciso entre pedir a receita do curry ou me convidar para o jantar; mas talvez lembrando-se das circunstâncias do nosso diálogo, simplesmente se despediu amigavelmente. Ele voltou então para o carro, para o alívio do seu colega, que provavelmente agradecia aos céus por minha idoneidade aparente, que o desobrigava de ir até a delegacia mais próxima ouvido a respeito dos méritos das especiarias ou sobre as várias maneiras de se cozinhar um peixe. Eles desapareceram na noite, tocando a sirene para avançar no transito ainda arrastado.

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domingo, 10 de dezembro de 2006

Casa, Rio de Janeiro
Taiko!

Metade da humanidade, incluindo a totalidade dos brasileiros, acha que sabe batucar. Combinar alguns poucos ritmos simples está de fato ao alcance de muita gente, e os brasileiros parecem ter talento para a coisa. Mas combinar vários ritmos, com transições suaves e pausas nas horas certas, já é bem mais difícil. E fazer isto tudo harmoniosamente com um grupo, com instrumentos e partituras diferentes, é altamente não-trivial.

Hoje houve uma exibição de Taiko na Dias Ferreira. Para quem não sabe, taiko é a arte de percussão japonesa. Individualmente, em duplas ou grupos, os percussionistas batem com bastões em tambores de madeira cobertos de couro altamente tensionado (o que torna o som mais barítono do que baixo).

Pois bem. Fui, e gostei muito. Até hoje eu só havia visto taiko pela televisão, e me surpreendi com a intensidade da experiência de assistir ao vivo. Se o primeiro impulso de quem ouve a bateria de um escola de samba é começar a dançar ou batucar junto, no taiko a vontade é de gritar no final de cada seqüência (os músicos gritavam palavras em japones que tenho certeza tinham um significado profundo e trancendente; mas eu me contentaria com um Gaaaaaahhhh paleolítico).

Originalmente o taiko surgiu para motivar e coordenar tropas em campos de batalha. Estas raizes implicam, em primeiro lugar, que o som é ALTO (uma batalha entre japoneses e os escoceses e suas gaitas de foles provavelmente deixaria metade dos participantes surdos). Em segundo lugar, como a ideia não era fazer o soldados cairem na dança, mas sim estimula-los a lutar e ag ir de forma coordenada, o taiko parece (ou pelo menos me pareceu) uma massagem sonora, ou uma palestra motivacional não verbal.

O som produzido não cria exatamente uma melodia ritmica, na acepção bum-eskibum-bum-bum do termo, mas sim vai construindo a partir dos vários tambores um ritmo único, que vai crecendo em intensidade até terminar subitamente em uma pausa prolongada (as pausas são muito importantes).

Os percussionistas eram homens e mulheres, de todas as idades e tamanhos (e aparencia perfeitamente normal, mas depois de ve-los espancar os tambores com potentes bastonadas por 20 minutos, decidi que seria sensato não contraria-los). Eram seis pessoas (acho), mais um sensei/mestre da bateria, que no inicio do show emergiu do restaurante (o show foi patrocinado por um restaurante japones, incidentamente) saltitando faunicamente usando uma mascara de demônio, e começou a puxar o ritmo batendo em uma cumbuquinha de metal. Eram três os tipos de tambores: um do tamanho de uma panela, usado para marcar o rítmo; quatro médios, dois dos quais faziam a 'base' (com uma baqueta) enquanto os outros dois 'solavam' (com duas baquetas); o último tambor parecia um grande barril, e soava como um diplodocus marchando.
(este parágrafo precisa urgentemente de uma infusão da terminologia correta)


Solando


Note o tambor diplodocus no centro, e o marcador de ritmo atrás

Quem quiser ouvir e ver um pouco do que eu estou falando, veja os vídeos aqui. Mas eu acho que taiko precisa ser experimentado ao vivo para ser apreciado.

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terça-feira, 5 de dezembro de 2006

Limbo, Aeroporto de Confins


Vim para BH no domingo, de sopetão, para ficar com o meu pai, que sofreu um descolamento de retina no sábado (ele está se recuperando bem). Deveria voltar hoje, e de forma pouco caracteristica cheguei aqui no aeroporto de Confins com quase 40 minutos de antecedencia. Só para descobrir que nenhum avião decolou ou pousou nesta birosca desde 12:00 dia. Supostamente um raio caiu no Cindacta, e paralisou todo o trafego aéreo do sudeste. Sei. Imagino que os raios queiram um aumento, afinal descargas elétricas atmosféricas cumprem um papel inportante na natureza.

Aparentemente o CINDACTA1 está de pé novamente. Pousos e decolagens estão novamente autorizados em todo o pais, e os aviões que estão no solo já começaram a decolar. O aparelho em que eu deveria voar faria Rio-Vitória-BH-Rio. Ele ainda está no Rio, então mesmo com o Homer Simpson fora do CINDACTA as minhas perspectivas ainda não são boas. Estou pensando seriamente em voltar à civilização e pegar um ônibus para o Rio. A não ser que um raio tenha caido na policia rodoviária ou algo assim.

UPDATE1 [18:01]: As decolagens estão autorizadas somente com intervalos de 20 minutos (e não os usuais 5). A historia do raio parece ser só boato, a causa oficial é uma pane não-especificada.

UPDATE2 [18:13] Todos os aviões que já estavam aqui no solo ja decolaram. Mas ainda não há perspectiva de pouso (quanto mais decolagem) para os demais. Argh!! Acho que vou para a rodoviaria mesmo. Segundo minhas estimativas, devem ter pelo menos uns 10 voos atrasados no Rio antes do meu. Mesmo se a etapa de Vitória for cancelada, com 20 minutos entre decolagens isto corresponde a 3 horas de espera no Rio, 1 hora de vôo até BH e 1 hora até o Rio. Total de 5 horas...

UPDATE3 [18:39] Vou para a rodoviária comprar passagem. No Rio um vôo que deveria sair as 10:15 ainda não decolou.

UPDATE4 [19:58 do dia seguinte] Estou no Rio, depois de viajar a noite toda de onibus. Acho que fiz a escolha certa, já que os vôos continuam atrasando e os passageiros já começaram a apelar para o canimbalismo. As autoridades já trabalham para sanar o problema, e redefiniram 'atraso' como sendo algo que ocorre mais de 1.5 horas depois do horario previsto. Eu sinto orgulho do incrível talento Brasileiro para criar soluções semânticas para problemas concretos.

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sexta-feira, 1 de setembro de 2006

Casa, Rio de Janeiro
Allons à la Tijuca


Ontem tirei um dia para não estressar com a ^%#% da tese, e fui fazer trilha com a Jacqueline na Floresta da Tijuca. Eu havia comprado um livro com todos os mapas e indicações para o parque na semana anterior (ao lado), e estava doido para achar alguem que me acompanhasse. Como eu já disse, a J. já é avó, mas topou na hora. Escolhemos uma trilha sem muitas subidas, que passava por várias das cavernas que existem no parque, e por algumas ruinas das antigas fazendas de café.

Eu vou escrever um post mais detalhado sobre o passeio quando ela me mandar as fotos. Mas foi muito bom! Começamos em um restaurante ('A Floresta'), que fica na antiga senzala de uma das fazendas, e seguimos pelas ruinas da sede (o único pedaço reconhecível é a antiga lareira, e restos de um muro de pedra). Logo depois a trilha se embrenha no mato, e fica difícil acreditar que você está dentro de um matrópole. Não é difícil de seguir, mas há algumas bifurcações, e em alguns lugares a trilha não é bem demarcada. Sem um mapa seria impossivel achar os locais mais interessantes. Ficamos perdidos só uma vez, mas com a ajuda providencial da bússola nos achamos novamente ('*só* uma vez?!?', consigo imaginar a Ceci pensando sarcasticamente, para quem este tipo de passeio é programa de índio, literal e figurativamente). Atravessamos rios, entramos em cavernas, e exploramos ruinas (uma delas habitada por um velhinho meio Lovecraftiano).

Chegamos de volta ao A Floresta restando apenas meia hora de luz do dia. O restaurante estava fechado, mas a cozinheira ('Ana'), que mora lá mesmo com os filhos, muito gentilmente se ofereceu para fazer qualquer item do menu! Por dentro, o restaurante é uma casa típica de fazenda velha, com aquele leve desmazelo rústico que por alguma razão nós mineiros adoramos. Tomamos duas sopas deliciosas, e os meus genes de origem Coelho estavam se sentindo em casa. Sério, eu adoro fazendas, é provavelmente o ambiente em que eu mais consigo relaxar. E aquele restaurante, no meio do mato, envolto pelo mais completo breu as 6 da tarde, e vazio exceto pela J., eu, um morcego* (um inquilino, não um visitante. Evite o banheiro.) e a Ana com seus dois filhos, estava me induzindo a mesma sensação de conforto caseiro.

A volta à civilização é um contraste interessante. Saímos do nosso idílio rural na escuridão total, descendo por uma estrada sinuosa ladeada por árvores que parecia não ter fim. Saindo do parque, próximo à Quinta da Boa Vista, passamos por casarões simpáticos, e casinhas com jardins bem cuidados, tomamos a estrada da Canoa margeada por mansões e casas de tijolo onde os habitantes aproveitavam o final da tarde, e chegamos em São Conrado, onde sararimen estressados presos em um engarrafamente tentavam voltar para casa. É a história da urbanização brasileira comprimida em uma viagem de carro de 20 minutos.

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* Na hora eu senti uma misteriosa ansia súbita de vestir uma capa preta e combater o crime. Deve ser algo que eu comi...

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quarta-feira, 30 de agosto de 2006

Casa, Rio de Janeiro
Procura-se Rosa Mara desesperadamente

Temos uma hóspede nova, Jacqueline, uma francesa que esteve viajando pelo Brasil nas últimas semanas. Ela já é avó, mas é muito mais descolada que muitos hospedes com metade da idade, que praticamente precisavam de ajuda para atravessar a rua. Amante de chá, ela quase me excomungou por esquentar minha água no micro-ondas...

Eu não sei porquê, mas no Brasil a experiência de pegar um ônibus, seja urbano ou inter municipal, é sempre uma aventura. Na rodoviária de BH, nossa intrépida exploradora gálica foi abordada por uma senhora, que pediu encarecidamente que ela levasse um envelope (contendo um histórico escolar, 1a a 5a série, concluídas em 1981, de uma certa Rosa Mara Angelo dos Santos) até a rodoviária do Rio, onde um parente estaria a sua espera. Por quê esta tarefa foi delegada à uma francesa de 60 anos que mal fala português (ao inves de, prex., usar o correio) eu não faço ideia.

O ônibus, porém, atrasou. Chegou depois do ônibus seguinte da mesma companhia. Houve um desencontro, e depois de procurar por seu contato (não especificado) por vários minutos, a Jacqueline desistiu e pegou um taxi. Ela chegou aqui sem saber direito o que tinha acontecido, com o tal histórico escolar num envelope onde estavam escritos o nome de uma cidade (Nova Iguaçu), dois nomes próprios e um número de telefone. A minha missão, caso eu decidisse aceita-la, era localizar a misteriosa Rosa Mara, e lhe entregar o documento, tão obviamente vital.

Se fosse fácil demais não teria graça. O telefone (sem DDD) no envelope não existe no Rio, e BH caí na Rádio Cidade. Os nomes (Hayla e Marcio Francisco, além da titular Rosa Mara, e o de seus pais) tampouco constavam na lista telefônica. Segundo o Google, Marcio Franciso havia sido aprovado em 2003 para o cargo de merendeiro em Niteroi, mas não havia nenhum numero ou endereço de contato.

Examinado o histórico, dava para ver, bem apagado, o carimbo da escola onde Rosa Mara havia estudado (a E.E. "Ari de Franca"). Rapidamente obtive um número de telefone no Google, e liguei.

Não, a escola não tinha o registro atualizado de Rosa Mara. Mas o documento é recente, argumentei. Ele foi emitido em maio de 2006. Será que a pessoa responsável por este tipo de coisa não se lembraria de algo? A secretária Joana foi prontamente localizada, e posta na linha. Sim, ela se lembrava. A mãe de Rosa Mara havia requisitado o documento, meses atrás. Joana não a conhecia pessoalmente, mas um jardineiro que trabalhava na escola conhecia a família. Ela se comprometeu a transmitir ao jardineiro uma mensagem para a família: Havia um estranho no Rio de Janeiro (telefone anexo), de posse do documento que provavelmente julgavam já ter se tornado um souvenir cercado de mistério em Paris.

Os canais de comunicação da família Angelo dos Santos foram ativados. Hoje de noite recebi a ligação de um primo de Rosa Mara. Educadamente, ele se desculpou pela confusão e a agradeceu os meus esforços (nunca me diverti tanto!). Finalmente, me deu o telefone do misterioso Marcio Francisco, aqui no Rio. Liguei para ele, atendeu Hayla. Marcio é um guarda municipal, poderia passar aqui em casa e pegar o documento. E assim foi feito. Há 30 minutos, Rosa Mara ligou. Marcio estava na portaria do prédio ao lado (me enganei de prédio! Dei o endereço antigo, por sorte é logo ao lado). Desci para encontrar um homem alto, negro, cerca de 35 anos de idade, que novamente me agradeceu e ofereceu votos de retornar o favor, e levou embora o histórico escolar de Rosa Mara.



Para quem estiver interessado em mais causos de ônibus,

Eu escrevi o texto abaixo para a Pendragão (um lista no yahoogroups criada pelo Zecão) uns três anos atrás, depois de outra viagem igualmente bizarra.

Yo!

Estou de volta no Rio. Fiz uma viagem horrenda de ônibus (comum), mas que não deixou de ser interessante. Não sei por que, as vezes me sinto um para raio de malucos. Já sentei do lado de uma freira que achava quadrinhos coisa do demonio, de um pastor americano que achava que *fisica* é coisa do demonio, além de todo tipo de pessoa
mal-cheirosa/barulhenta/chata. Mas desta vez foi pior.

Começou logo na saída. Uma velhinha e seu filho (tb já avançado em anos) começaram a conversar. Tudo bem, nada de mais. Mas a conversa continuou por horas, quase metade da viagem! Coisas do tipo...

A Mariazinha (que é casada com o Josué) não conversa mais com a Lígia (irmã do Heitor), porque a dona Ana (Mãe da Maria) expulsou o Juca (amigo do Heitor) de casa quando este terminou o noivado com a Albertina (afilhada de dona Ana). Mas dizem as mas linguas que...


Finalmente, depois de nos informar de todas as novidades em Cafundó do Mato Fundo, e das andanças de toda a arvore geneaologica dos Zé Goiaba de Almeida, eles cairam no sono, e se limitaram a roncar.

Enquanto isso, um velhinho que já não parecia muito normal começou a surtar (ele queria viajar de graça, e depois de finalmente comprar a passagem perguntou se o onibus ia para Curitiba). Ele dizia, em um tom fúnebre: "Vcs tão vendo o que eles querem fazer comigo!", e em seguida "O motorista quer me matar!", como quem anuncia um oraculo. O dia já ia amanhecendo, e depois que ninguem se protificou a salva-lo do motorista, o velhinho tentou primeiro pular do onibus (sendo agarrado por um
passageiro) e segurar o volante (sendo agarrado por *vários* passageiros, que provavelmente queriam tornar a sua profecia verdadeira). Entre gritos e mordidas, ele foi entregue a policia rodoviaria, que todos sabemos é subordinada aos Illuminati da Bavaria...

Depois de um engarrafamento basico de 2 horas, finalmente chegamos na Rodoviaria. Peguei um onibus para Botafogo, e me sentei na esperança de recuperar algum sono perdido. O motorista tinha métodos pouco ortodoxos de conduzir, porém. Enquanto viajava a uma fração consideravel da velocidade da luz (os carros a frente ficavam azuis, os de trás vermelhos), ele gritava "ALGUEM VAI FICAR NO CATUMBI?". Na falta de quem se manifestasse, ele passava zunindo pelo ponto. Alguns pontos depois nós passageiros já tinhamos entrado na onda, e respodiamos com um coro de NÃO!. Até que uma mulher se atreveu a descer em Laranjeiras (recebendo um coro de AAAAAAHHHHs como resposta), e a coisa perdeu a graça.

Agora que dormi 12 horas estou bem. Depois mando mais noticias.

[]s Bruno

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quarta-feira, 19 de abril de 2006

Casa, Rio de Janeiro

Estou de volta no Rio, por uns poucos dias. Existem poucas coisas mais chatas do que procurar um apartamento no Rio de Janeiro. Os alugueis são absurdos, a má vontade impera em todos os níveis e a documentação exigida é bizantina. O lado bom é que a minha vizinha (Claudinha, ou pelo menos esse é o nome da rede) ligou novamente o WiFi, e eu consigo pelo menos entrar na internet, mesmo que toscamente.

Por nenhum motivo em particular, eis duas fotos que tirei ano passado (com meu celular) do topo do edificio Martinelli, onde fui com o Fernando.



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quinta-feira, 5 de agosto de 2004

CBPF, Rio de Janeiro

De volta ao Rio... Depois da começão em Mangaratiba, cheguei aqui logo a tempo de pegar o coquetel de posse do novo diretor. Coisa fina, virou almoço.

Ainda vou para BH no fim de semana (dia dos pais). Só depois posso falar que voltei mesmo.

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