quinta-feira, 24 de fevereiro de 2005

Hotel Leão da Montanha, Campos do Jordão

Estou aqui em um congresso (Nova Física do Espaço). Discussões interessantes, boa comida, cama macia, etc. É um evento mais 'intimo' que os grandes congressos como o Particulas e Campos, ou o GR. Dá para conversar mais e interagir como todos os participantes; e as palestras de outras áreas (e discussões subsequentes) são muito informativas.

Da estadia então não tenho do que reclamar. Para chegar aqui, porém, foi a mixordia usual.

Quando cheguei na rodoviaria, descobri que o ônibus das 8:00 não saia na 3a feira (o congresso começou no domingo, mas peguei uma virose nefasta). Tive que então triangular, indo primeiro para Taubaté, para então pegar um catajeca para cá. Quando sai esbaforido do ônibus em Taubaté, esqueci o poster no bagageiro. Depois de me inteirar da minha estupidez, fui ao guiche da companhia, e descobri (depois de 2 horas) que o poster havia sido roubado (ou sumido por meios próprios) entre Taubaté e S. José dos Campos. Sem alternativa, peguei um táxi em direção à "...alguma gráfica que tenha plotter", e mandei imprimir outra cópia. A impressão demorou umas duas horas, o que me deu tempo para conhecer as maravilhas de Taubaté. Me embrenhei em ruas perfeitamente ordinárias, admirei as praças, iguais a milhares de outra pelo Brasil, e me deliciei no mercado de rua, com os exóticos e raros produtos dos quatro cantos do Paraguai. Voltei então para a gráfica, onde o taxista ainda me esperava ("eu não ia conseguir outra corrida em uma hora mesmo"), voltei para a rodoviária e 40 minutos depois estava aqui em CdJ.

Hoje devemos ir ao Baden-Baden (uma cervejaria local). Amanhã vou tentar ir no teleferico.

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quinta-feira, 3 de fevereiro de 2005

CBPF, Rio de Janeiro - E a vaca foi para o brejo

Vimos este outdoor por acaso em Dublin, e não conseguimos parar de rir por uns 5 minutos. Ele é auto-explicativo, então...


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sexta-feira, 28 de janeiro de 2005

CBPF, Rio de Janeiro - Fotos de Dublin

Dois meses sem postar...

Abaixa vão algumas das fotos de Dublin que o Slava me mandou. O Slava é um físico russo que conheci na Corsega (era o outro cara no acampamento dos sem-hotel), foi para o GR com a Luisa, sua namorada (Italiana, tb física). Eles moram em Amsterdam. Mais internacional que isso impossivel.

Na direção dos ponteiros, sou eu no tal pub musical (veja o post antigo), eu e o Slava na entrada de um parque, a estatua do Oscar Wilde (um nativo), e a estatua da Molly Malone (uma antiga vendedora de mariscos muito popular entre a clientela masculina). Como sempre, clique na foto para uma versão ampliada








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sexta-feira, 3 de dezembro de 2004

Casa, Rio de Janeiro --- Wikipedia e tal

A capacidade da internet de se auto-organizar ainda me impressiona. Um dia alguém tem uma ideia nova para coletar/gerar informação de uma forma particularmente útil, e voluntarios de todo o mundo contribuem até termos outro projeto típico da rede: Excentrico, difuso, nem sempre correto, mas imensamente útil. Dado o chute inicial, uma comunidade com sua própria sub-cultura emerge para manter e atualizar o recurso, com custo agregado quase nulo e alcançe quase ilimitado.

Eu estava pensando nisso enquanto fuçava na Wikipedia (uma enciclopedia comunitaria; qualquer um pode contribuir um artigo, com a ressalva que o artigo pode ser rejeitado pela comunidade, ou modificado). A sequencia lógica do racicinio acima seria a seguinte "qualquer um pode contribuir, e uma contribuição útil, mesmo que pequena, vai permanecer disponivel para todos e para sempre"... Aliando teoria à pratica, resolvi então contribuir um artigo. Existem vários assuntos sobre os quais entendo um pouco, mas queria algo que fosse

a) Curto: Eram 3 da manhã e não queria ter mais que 2 minutos de trabalho
b) Fácil: Não queria pensar muito; um pequeno artigo factual não controverso
c) Útil: Um verbete curto só seria útil se fosse sobre um tema pontual e obscuro (para os leitores da Wikipedia). Algo que vc poderia ler mencionado em uma página na rede, e se perguntar o que é.

Decidi então escrever um paragrafo curto sobre... José Alencar! Nosso vice-presidente... Não tenho nenhum interesse especial pelo cara, nem sabia muito sobre ele. Mas ele se encaixava em todos os criterios: Uma micro-biografia é simples, incontroversa, e um carinha randômico lendo o NYT acharia o verbete útil (pq ele só que saber quem é José Alencar, não ler José Alencar: Vida e Obra). Fiz uma pesquisa de 1 minuto, e escrevi o texto. A lógica é bizarra, mas consistente...

Existem outros recursos parecidos: a usenet (faz 30 anos!), ou o slashdot agregam o saber e folclore da rede para a posteridade; o projeto Gutenberg armazena livros que não são protegidos por copyrigth, e redes P2P distribuem qualquer coisa para qualquer um. O principio é o mesmo do software de código aberto, só que aplicado a qualquer produção intelectual.

Na verdade, a empreitada de ´código aberto´ pioneira se chama ciência. Todo o processo de produção científica depende de grupos dispersos produzindo e tornando disponiveis teorias e observações, que são então testados, criticados e melhorados pela comunidade. Agora o círculo está completo, como diria Darth Vader. A internet e a web, inventadas por e para pesquisadores, agora são o principal meio pelo qual o intercambio científico se dá. Trabalhos científicos são disponibilizados na rede, referenciados por hipertexto e indexados pelo google.

Chega de mayonese por hoje. Mas se daqui a 20 anos houver um antropólogo pesquisando sobre auto-organização nos primordios da internet, talvez tropeçe aqui neste blog...

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domingo, 28 de novembro de 2004

Cyber Games, Cabo Frio

Estou aqui em Cabo Frio para o fim de semana, com a Ceci & pais. Praticamos esportes radicais, como ir a praia, comer peixe frito e dormir. Pode não ser uma grande aventura, más é uma ótima terapia. A dona da barraca onde almoçamos é uma excelente cozinheira (para quem gosta de coisas bizarras, comi as ovas fritas do(a) peixe. Gostoso.). Depois do almoço, ficamos discutindo sobre receitas e temperos. Decidi que vou plantar um pouco de alfavaca.

Nada como um pouco de antropologia underground. Existe alguma conexão profunda entre sol & praia e música ruim & alta. Música ruim existe em qualquer lugar, mas só na praia ela é realmente apreciada (os habitantes locais não são mais ou menos propensos a gostar de porcaria; o que acontece é que os fãs hardcore se congregam na praia). Em outro lugares, as pessoas ouvem funk/axé porque estão entediadas/procurando sexo/embriagadas, mas por aqui seus apreciadores ouvem com atenção reverente enquanto cantam e dançam com uma desenvoltura que só a longa experiencia traz. O repertório não se limita ao ´bonde do Tigrão´ básico, e inclui vários grupos obscuros (mas igualmente ruins) do Brasil afora. Assim como os verdadeiros fãs de rock progressivo não consideram o Pink Floyd seu grupo favorito (preferindo algum grupo finlandês obscuro), os verdadeiros connoisseurs tem opiniões fortes sobre o que constitui o verdadeiro funk/axé, e discutem entre si os meritos relativos dos diversos grupos, bandas e bundas.

Chega de antropologia underground.

No Rio a minha vida esta meio atolada. Não consigo terminar algumas tarefas necessarias mas desinteressantes, e portanto não consigo começar outras mais interessantes. Argh...

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domingo, 21 de novembro de 2004

HSH, Belo Horiznote - Chernobyl

Estou em BH para outra visita relâmpago. Semana restrasada estive em SP para o Tim Festival. Eu *nâo* estive em Chernobyl durante este periodo, mas uma Bielorussa cruzou a zona contaminada de moto, e fez um blog a respeito! Não é uma aventura tão suicida quanto parece; a radiação é toleravel se vc não sai da estrada ou fica muito tempo (ou pelo menos é o que ela diz).

Quando o reator explodiu, espalhou radiação por uma zona enorme na Ucrania e na Bielorussia. O governo sovietico tentou manter o acidente em segredo até que os noruegueses (acho) detectaram um nuvem radioativa inda na direção deles. Enquanto isso, os sovieticos recrutaram milhares de soldados e bombeiros para apagar o fogo (das barras de grafite super-aquecidas, expostas pela explosão ao oxigenio atmosferico). Alguns sabiam do que se tratava, outros não; mas parece que alguns milhares deles morreram de cancer ou envenenamento radioativo. Depois que o alarme foi dado, algumas centenas de quilomtros quadrados da então URSS foram evacuados quase que da noite para o dia. As fotos mostram as cidades fantasmas, caminhões, fazendas, barcos, como foram deixados. Parece filme de zumbi...

http://www.kiddofspeed.com/chapter1.html

UPDATE: A tal Elena é uma fraude! (veja aqui tb) Parece que ela foi em uma excursão para Chernobyl com o marido (em um Lada, com um guia), e que metade das coisas que ela diz são exageros. Argh! Parecia bom demais para ser verdade

UPDATE 2: O filme "Return of the living dead 4¨ vai ter cenas rodadas em Chernobyl!". Filme de zumbi mesmo.,.,

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terça-feira, 16 de novembro de 2004

CBPF, Rio de Janeiro - Ruido branco

Não vou mais falar da eleição americana (pode abrir os olhos, Fernando). Este não é um blog político, afinal de contas. Mas não prometo não falar sobre a morte do Arafat, o segundo turno na Ucrania ou o genocidio em Darfour... ;-) Minha personalidade 'News Junkie' está tentando voltar a tona, mas no momento é a 'Cadê a comida?' que está no comando.

Vou jantar agora. Comecei o post prometendo não falar sobre alguma coisa, e terminei falando sobre coisa alguma. Em homenagem as **AA, termino com uma citação do Robert Heinlein

There has grown up in the minds of certain groups in this country the notion that because a man or corporation has made a profit out of the public for a number of years, the government and the courts are charged with the duty of guaranteeing such profit in the future, even in the face of changing circumstances and contrary public interest. This strange doctrine is not supported by statute nor common law. Neither individuals nor corporations have any right to come into court and ask that the clock of history be stopped or turned back, for their private benefit.

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quarta-feira, 3 de novembro de 2004

CBPF, Rio de Janeiro

o Bush ganhou... Que merda.

Eu passei a madrugada ontem acompanhando a eleição americana pela internet. Por volta das 9 da noite, começaram a aparecer extra-oficialmente pesquisas de boca de urna indicando que o Kerry estava na frente em quase todos os swing states. Na CNN, os apresentadores (que tinham se comprometido a não divulgar tais pesquisas dado o fiasco da eleição anterior) ficavam soltando 'dicas', dizendo que o sorriso da Laura Bush parecia forçado, que o clima era de otimismo entre os democratas, etc. Na internet não havia auto-censura (e.g, na Wonkette); os democratas comemoravam, e os republicanos arranjavam desculpas e acusavam os democratas de intimidação, mau halito e bestialismo. No site de apostas TradeSports , os apostadores que antes favoreciam Bush na proporção de 2 para 1 subitamente mudaram de ideia, e começaram a apostar em Kerry.

Por volta de 1 da manhã, começavam a chegar os primeiros resultados. Em todo os EUA, eles favoreciam Bush, mas isso era esperado, porque distritos rurais (que em geral votam nos republicanos) terminam a contagem mais cedo.

Uma hora depois, a liderança de Bush se consolidava em alguns estados que a boca de urna apontava como tendendo ao democrata. Os posts nos blogs liberais foram ficando mais esparsos, e as apostas em um ou outro lado se equilibravam.

Perto das 3:30, alguma coisa estava obviamente errada com a boca de urna. Na Florida Bush abria 5 pontos de vantagem com metade das urnas apuradas. Ele tambem liderava em new Hampshire, Winscosin, Minnesotta, Iowa e Michigan, alem de Ohio. As apostas agora voltavam a proporção anterior de 2 para 1 em favor de Bush.

As 4, com mais votos urbanos sendo apurados, New Hampshire passou a favorecer Kerry. Pouco depois, o mesmo se deu com Minnesotta, Wisconsin, Michgan e Iowa. A disputa em Nevada, Colorado e Novo Mexico era apertada. Em Ohio, a vantagem de Bush caiu para 4, 3, 2 por cento. Tudo dependia de Ohio, quem ganhasse seria o novo presidente. Mas a esperança democrata dura pouco. O resultado em Ohio oscila, mas a diferença nunca é menor que 100.000 votos. O total de seçoes eleitorais apuradas chega a 80%, 90%, 96%. Por volta das 5, até os democratas mais otimistas reconhecem que tinha acabado.
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Neste momento, estou dividido entre raiva e perplexidade. Não entendo como os americanos elegeram este mentecapto, após tudo o que ele fez (na verdade entendo sim, só não aceito. Mas depois desta madrugada insone acho que tenho o direito de ser implicante). Fico com raiva daqueles americanos que não foram votar por pura coceba. Fico com raiva da esquerda, que atualmente só consegue oscilar entre o patético e o irrelevante. Fico com raiva dos Roves, Cheneys, Rumsfelds e Ashcrofts da vida, que vão tomar este massacre (não só na eleição presidencial, mas também no senado e camara dos representantes, e em alguns anos também na suprema corte) como um mandato para continuar a cagada dos ultimos 4 anos. E fico com raiva dos fascistas islamistas que vão aproveitar esta oportunidade única para se posicionarem como 'defensores da fé' na cabeça de muito gente.

De consolação, pelo menos como procedimento democratico a eleição nos EUA foi um sucesso. Os americanos tem um sistema singularmente ineficiente e excentrico de votação. Mas não houve fraude ou intimidação em larga escala, o comparecimento foi grande, e eu tive a impressão que os eleitores foram muito mais capazes de aceitar diferenças honestas de opinião do que os políticos e comentaristas em geral.

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