quinta-feira, 13 de outubro de 2005

Casa do Fernando, São Paulo

Vim aqui para Sampa para conhecer o filho do Alexandre (irmão da Ceci), que acabou de nascer. Cheguei aqui ontem e tirei o Fernando da cama as 7 da matina. Fomos para FNAC olhar uns laptops, e depois fui para o hospital. Que fica no Morumbi, do outro lado da cidade... E era feriado...

Eu poderia pegar um onibus, mas não sabia qual, e se eu me perdesse seria dificil retornar a civilização. A melhor opção era ir de metrô. Simples, é só:

Pegar o metro em Triannon-Masp até Paraiso - baldear -
metrô Paraiso - Sé - baldear -
metrô Sé - Barra funda - baldear para o trem urbano-
trem Barra funda - Pres. Altino - baldear
trem Pres. Altino - Morumbi

Trivial.

Nunca tinha andado de trem aqui em SP, foi interessante extravasar o meu Paul Theroux suburbano. Passei pelas favelas mais fudidas que já vi na vida, uns barracos de papelão, compensado e lona que iriam abaixo com um chute ou um vento mais forte. Como estamos no Brasil, os barracos acabam de um lado da linha de trem, e o próspero e agradavel bairro do Morumbi começa do outro.

Talvez devido ao dia das crianças, várias delas faziam bagunça em graus variados nos vagões. Mas eram os vendedores ambulantes que corriam e gritavam pelos corredores

...Halls branco legitimo pastilha de gengibre para gripe e gominhas de cabelo para sua jujuba 5 por um real abre automaticamente o guarda chuva com blip blip bonequinhos musicais cuide de sua higiene com a escova de dente mata barata mata formiga...
A opereta do comercio ambulante só durou 2 ou 3 estações, depois voltei a ler meu livro e olhar a paisagem.

Cheguei no hospital, apesar de tudo, e fui visitar meu sobrinho, aka João. Ele é muito pequeno, muito vermelho, e não vem com manual de instruções. Não sei o que ele achou de 12 manés babando (figurativamente falando) em volta. Nada, suponho, já que ele ainda não consegue focar os olhos e tem como hobbies mamar e dormir. Mas nós gostamos dele. É difícil explicar porque BBs são tão interessantes, talvez porque esta seja uma fase onde praticamente dá para ver ele crescendo e se desenvolvendo. Em um dia ele aprende a pedir leite, com uma semana ele consegue focalizar os olhos, em dois meses ele dobra de peso. Eu imagino as sinapses se formando, as primeiras memorias quase instintivas sendo registradas. Cada pequena experiencia hoje vai ajudar a determinar quem ele vai ser para o resto da vida. E pensar que eu vou ter o meu logo...

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quarta-feira, 5 de outubro de 2005

Hotel Vila do Mar, Natal

"Vocês são da conferencia da policia federal ou da dos cientistas?"

Foi o que a recepcionista me disse quando cheguei no hotel, para mais uma conferencia (IWARA). Os federais estão aqui para um seminário sobre ´Agente infiltrado e Controle de fontes´. Ela deve ter achado que eu estava disfarçado...

O auditório é do lado da piscina (conveniente!), com um vidro separando. Os banhistas ficavam nos olhando como olhariam alguma espécie exotica. Suponho que para eles eramos isso mesmo. De fato, a maior parte dos participantes é indistinguivel dos banhistas, em vestimenta e bronzeado. É portanto comprensivel que estes últimos fiquem surpresos quando os que pareciam ser seus colegas se congregam para discutir animadamente em inglês algumas equações incomprensiveis projetadas na parede.

Falando em Ingles, boa parte dos participantes tem um ingles atroz. Não sei bem porque, já que o nível das palestras em geral é bom. Boa parte delas não me interessam muito, para falar a verdade. Típicamente, elas seguem a linha de ´Eis uma densidade de Lagrangeana bizonha, com estas constantes de acoplamento arbitrarias e estes parâmetros que tirei da cartola. Fazendo várias contas abstrusas, concluimos que a seção de choque/momento de inercia da estrela de neutrons/circunferencia do busto da Xuxa é 0, 1 ou Pi.´

Fiz minha apresentação hoje, acho que me saí bem. Certamente ficou fora do esquema acima. Hoje o Marcelo (meu orientador, que é daqui) me levou para comer a melhor carne de sol da minha vida. Andamos um pouco pela cidade de carro, mas não posso dizer que conheço a cidade. O hotel é longe, só conseguir ir lá hoje e ontem a noite, para jantar.

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sábado, 17 de setembro de 2005

Casa do Bernardo, Rio de Janeiro

Estou aqui na casa do Bernardo, surrupiando WiFi de alguma pobre alma insuspeita. Eu e a Ceci acabamos de levar uma surra no buraco, então vou afogar minhas magoas descrevendo meu feriado & fim de semana.

Fui para a fazenda do André (no Portal do Inominavel, aka Moeda) para ajudar no levantamento arqueologico que eles estão fazendo. A equipe já foi descrita e parcialmente esquartejada no post com a historinha, a unica correção é que a Gó na verdade é o Gó. Embora julgando pela quantidade de artigos de higiene & beleza que ele leva o erro não foi tão grande assim (desculpe Gó, não pude evitar).

A ideia do levantamento é a seguinte: Por amostragem, definem-se faixas de terreno a serem investigadas, a procura de vestigios arqueologicos do que quer que seja. Nós então nos postamos em linha, e avançamos, sem desviar, passando por quaisquer rios, buracos, ravinas e matagais no caminho, com um facão na mão e o espirito do Howard Carter na cabeça. Além de alguns arranhões e vários carrapatos, sobrevivi incolume. Não achamos nada de espetacular, cidades perdidas ou templos ciclópicos, somente alguns aterros, restos de um casebre e um muro de pedra. No final do dia acampamos no topo da serra. Tive uma noite semi-miseravel, com vento e chão duro, mas tudo bem. No dia seguinte, o grupo iria continuar a busca, e eu tinha que voltar para BH para um pré-natal com a Ceci (tudo ok). Fui então com o Tala de volta para a cabeceira da trilha. O Tala é um cara muito gente fina, responsavel por montar e desmontar o acampamento, mas é um adepto da prática do tratorismo: Ele decide que vai 'por ali', e vai, passando por cima. Foi claudicando atras dele, e cheguei meio morto no ponto de encontro, cheio de carrapatos, e morrendo de fome e sede. Muito legal! Se pudesse voltava na semana seguinte.

Me encontrei com o Fernando e a Mi, almoçamos, e eles me levaram direto para o consultorio. Eu estava um bagaço, com o rosto queimado e descascando, multiplos carrapatos e dores generalizadas; pensei seriamente em levar um cajado que arranjei em Moeda para o consultorio e dizer algo do tipo 'Levarei este menino para ser meu aprendiz em Avalon', mas pensei melhor e deixei o cajado no carro de Fernando para pegar depois. Meu filho está ótimo (Gabriel é atualmente o nome mais cotado), e o médico é craque em desanuviar algumas das paranoias da Ceci. Voltamos no mesmo dia para a fazenda, para uma rotina mais light de cozinhar, jogar boomerangue, pular na cama elástica e nadar.

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sexta-feira, 16 de setembro de 2005

CBPF, Rio de Janeiro

Algumas famosas ultimas palavras:

"Que trem?" -- Anna Karenina
"Que flecha?" -- Rei Haroldo da Inglaterra, batalha de Hastings 1066
"Que bigorna?"--W.E. Coyote
"Vou investigar o crime e punir os culpados, doa a quem doer" -- Edipo

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domingo, 28 de agosto de 2005

É menino!

Fizemos um ultrasom hoje. É (1, e não mais que 1) menino! Tudo aparentemente no lugar, deitado de lado, com o coração a 154 bpm.

Vamos começar a pensar em nomes. Epaminondas Palpatine ou Mithrandir Atreides? De qualquer maneira temos que avisar as Bene Gesserit

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sábado, 27 de agosto de 2005

Casa, Rio de Janeiro

Voltei de SP hoje de manhã. Durante a noite, o onibus foi parado pela policia rodoviaria. Eles examinaram a bagagem de *todos* os passageiros (foram muito educados, mas deu tempo de ler os dois ultimos volumes de 1602, do Neil Gaiman*).

Ontem fui andar no centro de SP com o Fernando. Depois assistimos o Ghost in the Shell II. Quanto mais tempo passa mais gosto do filme. Não tem a exuberancia do primeiro, mas por outro lado o roteiro é melhor. Ele consegue o efeito raro de inicialmente parecer uma viagem na maionese para depois fazer sentido (o inverso é muito mais comum).

Fomos pegar a Mary (que ia dormir na pensão Mafra, junto com o André e um primo do fernando), e eles me levaram na rodoviaria. O André na verdade ainda não apareceu. Depois dos acontecimentos em Moeda eu não descarto hipotese alguma.

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* Gostei com ressalvas. Se fosse qualquer outro autor acharia tudo muito bom, mas o NG está aqui mais 'esperto' que verdadeiramente original. O final também é muito corrido, confuso e provavelmente um pouco incoerente.

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quarta-feira, 24 de agosto de 2005

Auditorio do MASP, São Paulo

Coffee break...

Estou aqui desde domingo. Fui com o André (que está fazendo curso de piloto de helicoptero em uma cidade aqui perto e está, hospedado no Fernando Inn), e o supracitado em um japones muito bom. De manha tinha ido na feirinha de antigidades do MASP. Comprei alguns items semi-aleatorios: Um par de notas do afeganistao, duas caixinhas de fósforo dos anos 30, e um livro chamado 'Tradiciones Peruanas', de um certo Ricardo Palma. O Armando (um colega peruano que trabalha no CBPF) ficou muito animado com o livro, que aparentemente é um clássico. Li somente os 3 primeiros contos, mas estou gostando. O espanhol é dificil em algums pedaços (particularmente dialogos e descrições).

Segunda não fiz nada além de ir na conferencia. Esquentei as sobras do jantar de domingo (no quarto de hotel tem um fogão), e preparei minha apresentação. Ontem a mãe do Fernando convidou a mim e a Mariana* para comer alcachofras. Depois o Fernando projetou alguns filmes de super-8 na parede, com um projetor neolitico muito legal.

Hoje tem um 'Jantar de Gala' no restaurante 'A Mineira'. Vamos ver no que vai dar. Mais tarde vou dar um pulo na exposição de impressionistas aqui no MASP.
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*Que está aqui para um entrevista (na verdade uma dinâmica de grupo). Piadas usuais de físico se aplicam.

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Auditorio do MASP, São Paulo

Estou neste momento na conferencia de comemoração dos trabalhos do Einsten de 1905. O evento é no MASP, e os organizadores instalaram WiFi no auditorio.

O cara (Zanelli) começou a falar sobre o 'Efeito Cheshire Relativistico'. O gato de Cheshire era aquele bicho estranho no Alice no Pais das Maravilhas, que desaparecia exceto pelo sorriso... Aparentemente o tal efeito se refere a algum tipo de materia que não curva o espaço-tempo (porque T_mu_nu é nulo). Bizarro, mas o cara fala bem, e parece um trabalho interessante. Depois eu posto mais.

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